Buscar

Valmir Ferreira, da Dsbrave

Parques são estratégias territoriais, não apenas atrações turísticas, defende sócio da Dsbrave no Turistrends

Compartilhar:

Insights Estratégicos do Conteúdo:

  • Em Goiânia, no Turistrends, Valmir Ferreira, da Dsbrave, mostrou que o entretenimento é o motor que transforma regiões.
  • Visão além do óbvio: Parques aquáticos não devem ser avaliados apenas por ingressos, alimentação e serviços extras, mas como uma âncora econômica capaz de transformar um território inteiro.
  • Mudança de percepção histórica: Durante décadas, o setor tratava o parque como “mal necessário” — gerava fluxo, mas custava caro e era difícil de operar. Hoje, os parques construídos junto com multipropriedades estão operando e entregando bons resultados, consolidando-se como negócio viável.
  • O parque como gerador de destino: Ninguém se desloca apenas para dormir em um hotel. A atração justifica o deslocamento, e a partir do fluxo de visitantes o empreendimento estrutura permanência, gerando consumo em hotelaria, gastronomia, comércio e novos investimentos.
  • Mudança para o desenvolvimento imobiliário: A maior tendência atual é a migração do “desenvolvedor de turismo” para o “desenvolvedor de turismo imobiliário”. No último ano, nenhum empresário tradicional buscou a Dsbrave para criar parque com multipropriedade — todos querem uma atração que gere fluxo atrelada ao desenvolvimento imobiliário no mesmo pacote. 
  • Síntese do raciocínio: “O parque pode gerar fluxo. O fluxo pode gerar negócios. E os negócios podem transformar o território.” — Valmir Ferreira.

 

“Quem considera que um parque aquático é um bom negócio?’’,  foi com essa provocação que Valmir Ferreira, sócio da Dsbrave, abriu no Turistrends (25/08), em Goiânia, sua palestra “Como o entretenimento revela oportunidades para desbravar o verdadeiro potencial econômico de uma região”. 

 “Parque aquático é um negócio que vende’’ afirmou ele, citando ingressos, alimentação e serviços extras.”Só que olhar para o negócio dessa forma, considero que é uma maneira simplista de ver o parque’’, completou.

Para o sócio da Dsbrave, por décadas, o setor de turismo, hotelaria e, principalmente, multipropriedade repetia que o parque era “meio que um mal necessário” — gerava fluxo, mas custava caro, além de ser difícil de operar. “Hoje, além da consolidação da própria multipropriedade, os parques que foram construídos junto com as multipropriedades também estão entregues, operando e entregando bons resultados”.

No ponto de vista de Valmir, o parque turístico é uma âncora para gerar novos negócios. “Ninguém vai para um hotel, para um local, só para dormir”, disse. ‘’A atração justifica o deslocamento, algo que só a hospedagem é muito difícil conseguir”. Ele explicou que o parque tem o potencial de gerar o fluxo de visitantes, a partir das visitações, o empreendimento estrutura a permanência das pessoas, gerando mais consumo. ‘’Com o produto certo, consegue-se criar um destino. O parque é um capitalizador que estimula hotelaria, gastronomia, comércio e novos investimentos’’.

Case de sucesso

Valmir Ferreira no Turistrends

Como exemplo de case de sucesso, o sócio da Dsbrave citou o complexo Aldeia das Águas, em Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro, onde ele atuou por oito anos como CEO.  “Ninguém acordava no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora, em São José dos Campos ou na Baixada Fluminense e pensava: ‘final de semana eu vou para Barra do Piraí’.”, disse. ‘’As pessoas iam pelo parque — que chegou a receber mais de 8,2 mil visitantes em um único dia’’. Com o negócio parque, o complexo desenvolveu timeshare, multipropriedade, hotel próprio e venda de flats. “Por que esses negócios deram certo? Existia o fluxo, existia a demanda, existia a massa crítica’’.

A maior tendência, porém, está em quem procura a consultoria — hoje chamada para master plans acima de 3 milhões de m². “A tendência dos parques do Brasil está mudando, do desenvolvedor de turismo para o desenvolvedor de turismo imobiliário”, afirmou. Ele contou que no último ano nenhum empresário tradicional buscou a Dsbrave para criar um parque com multipropriedade: “Eles têm procurado para formatar uma atração que gera fluxo, com desenvolvimento imobiliário no mesmo pacote’’.

Dois novos projetos da Dsbrave ilustram a mudança. Em Una (BA), em que apesar da praia paradisíaca, o empreendedor pretende criar um parque para gerar mais fluxo e aumentar a permanência dos visitantes. Em Três Rios (RJ), a 40 minutos de Juiz de Fora, há o complexo Áureas, em que uma pedreira virará a maior cachoeira artificial da América Latina, com piscina de ondas e areia: “Vamos levar a praia para o morador de Juiz de Fora”. O masterplan prevê três condomínios e dois hotéis de multipropriedade, mas o parque abrirá antes, fazendo o trabalho de placemaking. “Quando forem lançados os condomínios e a multipropriedade, todo mundo já conhecerá o projeto e o destino”.

“O parque pode gerar fluxo. O fluxo pode gerar negócios. E os negócios podem transformar o território’’, concluiu Valmir Ferreira.

  • O Turistrends aconteceu em Goiânia (GO), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, nos dias 25 e 26 de agosto.
Picture of Por: Fabio Mendonça

Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado