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Bruno Reis, presidente da Embratur

Cenário do Brasil na Promoção Turística Internacional: Embratur defende dados, descentralização e conversão em palestra no Turistrends

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Insights Estratégicos do Conteúdo:

  • Bruno Reis, presidente da Embratur, participou do Turistrends, em Goiânia. 
  • Gestão baseada em dados: Bruno Reis criticou o “achismo” na gestão turística e defendeu decisões pautadas por dados concretos e reposicionamento competitivo.
  • Fim da concentração em destinos saturados: Nos últimos 40 anos, o Brasil promoveu quase exclusivamente Rio, Salvador e Foz do Iguaçu — destinos já maduros que ofuscam o restante do país. A nova estratégia busca descentralizar e diversificar o mapa turístico nacional.
  • Promoção com foco em conversão: Reis posicionou o gestor de turismo como vendedor, defendendo que não basta gerar consciência no topo do funil — é preciso descer até a conversão efetiva, com sinergia entre ferramentas e ações coordenadas por mercado.
  • Desbrava: Programa de internacionalização para empreendedores turísticos — Lançado há dois meses, já tem cerca de 5 mil inscritos. Deve evoluir para uma plataforma de conexão entre operadores internacionais e empresários brasileiros capacitados.
  • Feel Brasil: Mapeou e padronizou experiências turísticas autênticas para comercialização internacional, com foto, vídeo e tradução para seis idiomas.
  • Números recordes: Brasil ultrapassou 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025 (meta era 7,2 milhões). Projeção para 2026: entre 9,8 e 10,2 milhões. País foi o 4º que mais cresceu no mundo em turistas internacionais segundo a UN Tourism.
  • Três fatores do crescimento: concessões de aeroportos (competitividade aérea), concessões de arenas multiuso (fluxo por eventos) e concessões de parques naturais (maturação do ecoturismo).
  • Crescimento com impacto, não volume desordenado: O objetivo não é apenas aumentar volume, mas gerar impacto positivo nos territórios. Volume desordenado pode trazer prejuízo — é preciso definir que produto se quer posicionar e vender.

 

O presidente da Embratur, Bruno Reis — primeiro bacharel em Turismo a ocupar a cadeira da presidência da autarquia —, subiu ao palco do Turistrends, em Goiânia, no dia 25 de agosto, trazendo uma visão crítica de que Brasil precisa parar de promover sempre os mesmos destinos e passar a tratar o turismo como indústria estratégica, baseada em dados e focada em conversão comercial. 

“Sou um grande admirador de quem faz eventos fora do eixo Rio–São Paulo”, declarou, parabenizando a iniciativa do Turistrends e reforçando que a estratégia da Embratur passa por descentralizar e diversificar o mapa turístico nacional.

Fim do achismo

O presidente da Embratur foi incisivo ao criticar a cultura da intuição na gestão turística. “Não se toma mais decisão no turismo no achismo. A gente se atrapalha quando faz isso”, afirmou, defendendo que a Embratur passou a pautar suas ações por dados concretos e reposicionamento competitivo.

Segundo ele, nos últimos 40 anos o país apostou quase exclusivamente em destinos já saturados — Rio de Janeiro, Salvador, Foz do Iguaçu —, que atingiram patamares de maturidade comerciais e ofuscam o restante do destinos turísticos. “Isso aconteceu porque a gente não conseguiu desenvolver a indústria do país de uma maneira organizada. Construímos pilares muito sólidos em poucos lugares’’, explicou.

Promoção com foco em conversão

Bruno Reis introduziu o conceito de promoção com foco em conversão, tirando a linguagem de vendas da zona de tabu governamental. “Todo secretário de turismo, todo gestor que trabalha com turismo é um vendedor”, disse, ressaltando que não basta gerar consciência no topo do funil, mas é preciso descer até a conversão efetiva, com sinergia entre ferramentas e ações coordenadas para cada mercado.

O presidente da Embratur foi crítico em relação à prática de comparecer a feiras internacionais uma vez por ano e esperar resultados: “Quando eu pergunto qual é a estratégia de posicionamento do seu destino, a resposta vem: ‘a gente vai participar da feira’. Participar de feira de maneira lateral não gera performance. Se dá performance pela sinergia entre as ferramentas, para cada um dos mercados”, apontou.

Desbrava e Feel Brasil

Duas novidades da Embratur foram apresentadas durante a palestra. A Desbrava é uma jornada de internacionalização voltada a empreendedores que desejam acessar o mercado internacional. “Se eu planto café e quero exportar para a Austrália, a Apex me dá suporte. Mas se tenho uma pousada na Chapada dos Veadeiros, ninguém me ajuda a acessar o mercado consumidor”, comparou. Lançado há dois meses, já contava com cerca de 5 mil inscritos. Reis antecipou que a plataforma evoluirá para conectar operadores internacionais a empresários capacitados, ‘’se transformando em um Tinder ou Facebook do turismo’’.

Já o Feel Brasil mapeou experiências turísticas autênticas pelo país e as padronizou para comercialização internacional, com foto, vídeo e tradução para seis idiomas. “O estado de Goiás tem três experiências trabalhando com a Chapada dos Veadeiros e a gente está na área internacional de forma bastante assertiva”, exemplificou.

Números recordes

Bruno Reis no Turitrends

De acordo com o presidente, o país ultrapassou a barreira de 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, superando a meta de 7,2 milhões. Para 2026, a projeção é entre 9,8 e 10,2 milhões de visitantes. Segundo o ranking da UN Tourism, o Brasil foi o quarto país que mais cresceu no mundo em turistas internacionais — caso apresentado a pedido do BID em fórum de ministros de turismo da América do Sul.

Ele atribuiu o desempenho a três fatores estruturantes: as concessões de aeroportos, que há 15 anos fortalecem a competitividade aérea; as concessões de arenas multiuso, geradoras de fluxo por eventos; e as concessões de parques naturais, que tendem a ampliar a maturidade do ecoturismo.

Apesar dos números expressivos, para o presidente da Embratur, o objetivo não é apenas crescer em volume. “O que a gente está propondo é o impacto positivo nos territórios. O número de volume desordenado pode trazer prejuízo ao território. A gente tem que entender que tipo de produto a gente quer posicionar e vender para falar de Brasil”, concluiu ele.

  • O Turistrends aconteceu em Goiânia (GO), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, nos dias 25 e 26 de agosto.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado