Insights Estratégicos do Conteúdo:
- Pip Seger — fundadora da agência O Cérebro — apresentou o relatório Brands For Future – Hotelaria e Turismo, no Turistrends.
- Perfis fechados são obsoletos: o viajante atual é contraditório por natureza — quer viagem lenta em 48 horas por menos de mil dólares, alterna retiro budista com festival eletrônico, exige autenticidade local mas se hospeda em Airbnb temático. Tentar rotular esse consumidor em um perfil único tornou-se inútil.
- Contradição é o padrão, não a exceção: a estratégia de marketing precisa abandonar a busca por coerência de comportamento e passar a mapear sinais que apontam em direções opostas simultaneamente..
- Descanso virou ato político: em uma cultura de exaustão aguda, parar deixou de ser vergonha e passou a ser orgulho declarado. O produto hoteleiro, historicamente desenhado para entregar estímulo, agora é cobrado por redução de estímulo.
- Subtração como diferencial vendável: o retorno do analógico (16% dos jovens de 18-24 levam Polaroid em viagens) e hotéis que oferecem desconexão total como opção mostram que o que não se tem passou a ser produto. A ausência deliberada de tecnologia/conexão tem valor de mercado.
- Percepção supera realidade econômica: 60% dizem estar preocupados com a economia, mas 51% relatam fluxo de caixa positivo e 72% dizem que a situação melhorou. Essa distorção não é erro — é o fenômeno.
- A experiência começa antes da chegada: o setor ainda concentra a operação no momento em que o hóspede cruza a recepção, mas a jornada já começou — na expectativa, no planejamento, na narrativa mental pré-embarque.
- Autenticidade é resultado de desenho, não de improviso: o viajante quer ser surpreendido e quer o imprevisível, mas espera que essa aparente espontaneidade seja, na verdade, cuidadosamente orquestrada.
No Turistrends, em Goiânia, Pip Seger — fundadora da agência O Cérebro — apresentou o relatório Brands For Future – Hotelaria e Turismo, trazendo sua a visão de que o setor precisa parar de tentar encaixar o viajante em perfis fechados e começar a enxergar suas contradições como o próprio padrão de consumo.
O ponto de partida de sua palestra foi a pergunta: ‘’se as pessoas não consomem, não se divertem e não vivem como as gerações anteriores, o que faz uma marca sobreviver?’’. A resposta não vem em forma de previsão. Pip Seger descartou a pretensão de adivinhar o futuro e concentrou-se em mapear sinais de comportamento — sinais que, com frequência, apontam em direções opostas simultaneamente.
Contradições assimiláveis
O relatório revela um consumidor que quer uma viagem lenta, mas vivida em 48 horas por menos de mil dólares. Que participa de um retiro budista numa semana e embarca para a maior festa eletrônica da Europa na seguinte. Que exige autenticidade cultural local e se hospeda num Airbnb temático de Friends. Tentar rotular esse viajante tornou-se um exercício inútil.
“A mesma pessoa que vai no retiro budista vai na semana seguinte para a maior pendenga da Europa. Isso faz parte desse comportamento antagônico que não dá mais para a gente criar um perfil de consumo fechado”, analisou Pip.
O descanso mudou de status
Talvez a mudança mais significativa seja cultural: o descanso deixou de ser velado e virou motivo declarado de viagem. Numa cultura de exaustão aguda, parar deixou de ser vergonha e passou a ser orgulho — quase um ato político. Isso altera a própria natureza do produto hoteleiro, historicamente construído para entregar estímulo e agora cobrado por redução de estímulo.
“Antes as pessoas escondiam a ideia de descanso. Agora, a gente tem uma cultura de exaustão tão profunda que tirar férias virou um ato de resistência, um ato de rebeldia”, disse ela.
Subtração como diferencial
O retorno do analógico — 16% dos jovens entre 18 e 24 anos levam câmeras Polaroid em viagens — converge com sinais como o hotel na Toscana que oferece ao hóspede a escolha entre desconexão total ou Wi-Fi de alta velocidade. ‘’O que não se tem passou a ser vendável. A subtração, quando deliberada, vira produto’’,
Percepção versus realidade
Os dados econômicos compõem um quadro aparentemente incoerente: 60% estão mais preocupados com a economia, mas 51% relatam fluxo de caixa positivo e 72% dizem que a situação melhorou. Essa distorção não é erro — é o fenômeno. “A intuição e o sentimento passam a ter um peso igual ou até maior do que a análise racional”.
A experiência começa antes da chegada
O fechamento provoca: o setor ainda concentra a operação no momento em que o hóspede cruza a porta da recepção, quando a experiência já começou — na expectativa, no planejamento, na história que o consumidor construiu mentalmente antes de embarcar. O viajante quer ser surpreendido, quer o imprevisível — mas quer que essa aparente espontaneidade seja, na verdade, resultado de um desenho cuidadoso.
“A gente chama de autêntico aquilo que parece não ter sido organizado’’, concluiu Pip Segar.
O relatório completo, com mais de 200 páginas, está disponível gratuitamente, no Link.

- O Turistrends aconteceu em Goiânia (GO), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, nos dias 25 e 26 de agosto.






