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Turismo Artificialmente Inteligente

* Artigo de Luciano Almeida, Head de Inovação e Tecnologia da GAV Resorts

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Certamente você já fez turismo virtual e possivelmente comprou uma passagem para sentir a experiência real daquele lugar. O Google Maps te mostrou as fotos de satélite de algum lugar incrível, você ficou curioso, e na sequência você marcou suas férias, comprou as passagens e hoje mostra as fotos de sua aventura sem perceber que a Inteligência Artificial foi contigo nessa incrível jornada e possivelmente foi ela quem escolheu os passeios.

Estamos só no começo de muitas viagens em que a IA interferirá no seu roteiro, mas isso não vai te incomodar, essa é uma daquelas tecnologias que irá ultrapassar o modismo hype de algumas ondas do passado, ela está entre nós já faz tempo, mas nunca foi tão relevante como será daqui para a frente.

Se a gestão de dados foi entendida como novo petróleo, não negligencie o poder que as grandes fontes de dados irão entregar com a especialização das linguagens generativas utilizadas na IA, mas cuidado, ela irá te ajudar se sua fonte tiver dados confiáveis, organizados e enriquecidos, caso contrário será muito perigoso.

No mundo do turismo temos forças disruptivas sendo aplicadas com bastante expectativas e resultados relevantes. Relatório da IndustryArc (link) citou ao menos US$ 1,2 bilhão de dólares até 2026 neste mercado.  A maioria dos hotéis e resorts depende fortemente de oferecer um excelente serviço ao cliente para construir sua reputação e a tecnologia de IA pode ajudar com isso em uma ampla variedade de maneiras diferentes, desde melhorar a personalização, adaptar recomendações e garantir tempos de resposta rápidos, mesmo na ausência de funcionários diz o estudo.

Outra pesquisa focada no mercado Brasileiro feita pela Oracle (link) revela que 83% das pessoas querem que os hotéis ofereçam tecnologia que minimize o contato com a equipe e outros hóspedes, além disso, 95% estão interessados em hotéis que usam seus dados e IA para oferecer ofertas mais relevantes.

As aplicações de IA possíveis não estão só do lado do Turista que buscará cada vez mais experiências personalizadas, ela também estará nos processos empresariais, reduzindo custos operacionais em diferentes setores e serviços como por exemplo Callcenter. Em constantes adaptações as Centrais de Relacionamento podem usufruir de uma série de automações para melhor responder dúvidas, indicar pontos turísticos, reduzir tempo em resolução de problemas relacionados ao acesso de lazer. Utilizando algoritmos que percebem satisfação, empolgação e inclusive irritações do cliente, elas podem converter uma má experiência em uma nova chance de fidelização, afinal Chatbots e assistentes virtuais foram incorporados na sociedade e em diversos relatórios eles indicam a afinidade cada vez maior que os usuários têm exigido de ferramentas que atendem pelo comando de voz. Não esqueça de considerar que uma grande parcela de usuários de serviços hoteleiros deseja pouco contato com as equipes de administração, quanto mais tecnologia de autoatendimento melhor, por mais que isso possa parecer pouco humano. Considere a otimização de atendimento e a personalização como uma estratégia em seu negócio.

Ainda sobre aplicações para o mundo da hospitalidade, já vemos o Concierge de IA atuando profissionalmente, quartos de hotel inteligentes, comunicações personalizadas, cadeia de suprimentos preditiva, criação automatizada de música e sugestões de filmes, e claro, personalização de marketing e publicidade para sua próxima viagem. A Realidade Aumentada, muito aplicada na manutenção de equipamentos, desenhos arquitetônicos e outros, tem no turismo a possiblidade de despertar o interesse do viajante em conhecer locais que não são de sua vontade ou conhecimento usando algoritmos que cruzam informações colhidas em aquisições anteriores, hobbies, filmes ou músicas que ele (turista) costuma consumir e compartilhar nas redes sociais.

O impacto da tecnologia no turismo é inevitável e já tem suas primeiras versões de como será. De acordo com levantamento feito pela Amadeus, tendências tecnológicas daqui dez anos indicam a realidade virtual e o metaverso como recursos para que as pessoas experimentem viagens no mundo virtual antes de se comprometerem com a experiência real, isso se encaixa com o traço humano de aversão à perda. Segundo o estudo, 51% dos viajantes esperam usar a realidade virtual como parte do processo de planejamento de suas viagens em 2033.

Se você busca estratégias para implantar IA em seu ambiente de trabalho ou nos novos desafios de negócio de sua corporação deverá ter duas ações em mente:

Primeiro passo – Proporcione aos seus funcionários a intimidade com o uso de IA naquilo que é mais básico e que já está disponível sem custo no mercado. Assim como ferramentas de low code que mencionamos em outra matéria (Link) desmistificar os diferentes serviços disponíveis irá trazer certamente algum aumento de produtividade.

Segundo passo – Leve em consideração o mindset de startups, ou seja, um passo de cada vez, fazendo somente o que se sabe fazer em um ambiente controlado. Arrisque-se, explore, tente aplicar primeiro no seu departamento, com seu time, sem medo de errar, afinal você sabe que está dando pequenos passos e não considera neste momento investimentos de risco associados ao ROI.

Uma vez estabelecida a intimidade com o que temos disponível e como ela está sendo aplicada em diferentes setores, chegou a hora de dar alguns passos para a frente e pensar em como expandir sua tecnologia no turismo do futuro.

Uma abordagem estrutural sobre como direcionar estratégias de IA não só no ramo de turismo, mas em todos os seguimentos citamos o “AI Canvas”, desenvolvido em colaboração a Merantix Labs e a Universidade de St. Gallen (Link). Esta ferramenta orienta sobre ações para concepção, implementação e implantação sustentável de projetos de IA. Seu objetivo é alinhar prioridades estratégicas, identificar obstáculos, organizar requisitos de dados incluindo questões regulamentares e éticas. Sua abordagem é dividida em blocos conforme abaixo:

  • Bloco de Negócios – permite que as empresas levantem e avaliem suas necessidades, formando a base para uma proposta de valor baseada em IA. Auxilia na definição do monitoramento e na medição do sucesso. Neste momento, você organiza informações que estão relacionadas aos problemas da falta de IA, quais usuários irão usufruir, quais os produtos criar ou acompanhar, parceiros de negócio, retornos financeiros e não financeiros, e investimento pretendido;
  • Bloco de Tecnologia – Dados e tecnologia são os fatores principais que possibilitam a aplicação de IA. Ser capaz de analisá-los e compreendê-los, junto com suas limitações são um passo importante de ter mapeado em seu projeto, aqui devemos relacionar os dados, tecnologia a ser utilizada, qual a governança e conformidade será permitida, se existe regulação e que nível de segurança é necessária;
  • Bloco de Organização – O bloco de organização avalia como os casos de uso de IA devem ser integrados aos processos em execução e como criar ambientes eficazes de desenvolvimento de IA. Ele também precisa destacar quais mudanças culturais e estruturais precisam ser iniciadas na Organização.
  • Bloco do Ciclo de Vida da IA – Uma vez iniciada a estratégia haverá a necessidade de ter incluso no processo, ações de integração de longo prazo das soluções de IA vinculadas as estratégias de negócio da organização. É crucial exercitar a visão de longo alcance para que esses projetos tenham valor sustentável. O bloco Ciclo de Vida da IA ajuda a avaliar a utilização contínua do modelo de IA.

Com esses blocos organizados é possível partir para outras análises, o método sugere atenção em diferentes aspectos, deixando claro que iniciativas de IA não devem ser encaradas como opcionais, elas precisam de forma rápida estarem listadas no mapa estratégico e serem consideradas como processos de negócio que vinculam resultados não só tecnológicos, mas principalmente financeiros. Alguns estrategistas afirmam que iniciativas voltadas para a reestruturação dos modelos de negócios e gestão empresarial serão impulsionados principalmente por dois pilares: Inteligência Artificial (IA) e práticas relacionadas a ESG/Sustentabilidade.

Conclusão:

As viagens turísticas sempre estiveram associadas as experiências de prazer, descobrimento, relaxamento, aventura e certamente continuarão tendo estes ingredientes como pano de fundo, se hoje a IA tem sido uma aventura para muitos que estão se apaixonando por ela, ela será ainda mais em um futuro muito próximo.

A IA tem o potencial de liberar mais tempo para as pessoas se concentrarem em suas relações interpessoais de várias maneiras, talvez consiga finalmente dar mais tempo ao humano para que ele consiga ser mais humano.

Como uma típica provocação de BlackMirror (série de TV), a IA terá expansão cada vez maior nos próximos 5 anos, a ponto de segregar empresas e serviços que não façam uso dela em alguma parte de sua jornada. Imprescindível estudar o tema, mas não esqueça que no fim do dia, sua empresa faz coisas pra pessoas, que são realizadas por pessoas, onde as pessoas é que atingem as metas e entregam o que as pessoas precisam, então, não é sobre máquinas ou inteligências artificiais, é sobre pessoas.

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