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Pedro Cypriano, da Noctua

Propriedade Compartilhada entra em nova fase de maturidade, aponta estudos apresentados no Share Summit

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Os modelos de multipropriedade e timeshare no Brasil, ainda pouco explorados sob a ótica de dados estruturados, acaba de ganhar um novo retrato que reforça sua relevância econômica e aponta as principais oportunidades e os desafios setoriais. Apresentado durante o Share Summit 2026, por Pedro Cypriano, CEO da Noctua, realizado nesta segunda-feira em São Paulo, os estudos revelam setores potenciais de crescimento e valorização junto aos resorts no Brasil.

As novas pesquisas da Noctua revelam um retrato profundo, consistente e surpreendentemente pragmático do comportamento real do mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil. Mais do que números, o estudo ilumina padrões estruturais de desempenho, gargalos operacionais e caminhos de evolução que já começam a separar projetos medianos de operações verdadeiramente sustentáveis.

Confira os principais insights da apresentação de Pedro Cypriano:

Multipropriedade: o que os dados realmente mostram

A análise de 90 projetos de multipropriedade expõe um padrão claro: a indústria evoluiu, mas ainda carrega assimetrias estruturais que afetam experiência, rentabilidade e operação.

1. Oferta desalinhada com o uso real
  • 40% das unidades possuem menos de 30 m², apesar de a média de ocupantes por apartamento ser 4 pessoas por estadia.
  • Os proprietários têm direito a usar 7 dias, mas permanecem apenas 4, em média.
    Isso já indica um descompasso entre design arquitetônico, densidade de uso e expectativa de experiência.
2. Estruturas de lazer pouco competitivas
  • Apenas 17% dos projetos contam com áreas de entretenimento realmente relevantes.
  • O Brasil ainda opera com baixa presença de produtos ancorados em diferenciação robusta, como parques aquáticos — justamente o tipo de estrutura que aumenta valor percebido e reduz dependência de preço.
3. Fundo de reserva: números que parecem bons, mas não contam a história completa
  • O fundo de reserva costuma girar em torno de 5% da receita, o que estaria dentro da prática hoteleira.
  • Porém, na multipropriedade, a taxa de administração se aplica sobre custo e não sobre receita, o que distorce comparações.
  • Com margens médias de 50%, a contribuição real por unidade acaba sendo menor do que o desejável.
4. Gestão e experiência ainda dividem o setor
  • O NPS médio fica entre 54 e 73, mostrando forte disparidade entre operações bem executadas e outras que ainda estão aquém do ideal.
  • Para Pedro, a perenidade depende de algo simples e negligenciado:
    deixar de ver multipropriedade como venda imobiliária e abraçar gestão hoteleira como coração do produto.

Timeshare: um setor que alcançou escala

A pesquisa inédita realizada pela Noctua em parceria com a RCI estabelece um marco histórico na compreensão do modelo no Brasil.

1. A maior amostra nacional já analisada
  • 43 empreendimentos estudados, de um total de 63 operações.
  • R$ 1,6 bilhão em VGV apenas em 2025.
2. O timeshare já movimenta a hotelaria — e ainda tem muito espaço para crescer
  • O modelo representa 11,5 pontos percentuais da ocupação dos resorts analisados.
  • Gera 17,7% da demanda total, número que, em mercados maduros, ultrapassa 50%.

Ou seja: o Brasil ainda tem um potencial de expansão extremamente significativo.

3. Um hóspede mais valioso
  • Consumidores de timeshare permanecem 0,7 dia a mais que hóspedes tradicionais.

Esse aumento no tempo de permanência amplia:

  • consumo interno,
  • F&B,
  • receitas acessórias,
  • impacto econômico total do negócio.
4. Uma operação de alto potencial — e alto custo

Os custos do modelo exigem amadurecimento e gestão qualificada:

  • 14,3% do VGV bruto em comercialização;
  • 2,7% em pós‑vendas;
  • 25,8% de cancelamentos;
  • 14,1% de inadimplência.

Essa composição evidencia que o desafio não é vender mais, mas operar melhor.

5. Mercado em expansão e em transição
  • Expectativa de crescimento médio de 20% no VGV em 2026;
  • Parte dos empreendimentos prevê ultrapassar 30% de expansão;
  • 19,1% das vendas já vêm de revendas — um indicador clássico de maturidade e confiança no produto.

A síntese de Pedro Cypriano traduz essa virada:

“O timeshare no Brasil deixou de ser uma aposta e passou a ser uma alavanca real de geração de receita para a hotelaria.”

  • Acompanhe mais do Share Summit em nossas redes sociais.
  • O Turismo Compartilhado cobre o Share Summit a convite da Noctua, Beta Advisory e Hotelier News.
Picture of Por: Fabio Mendonça

Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado