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João Paulo Mansano, Wagner Novoli, Lizete Ribeiro e Fabiana Leite

Desenvolvimento de clubes de férias ganha centralidade no ADIT Share 2026

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Resumo do conteúdo:

  • O painel “Desenvolvimento de Clubes de Férias” colocou no centro do ADIT Share 2026 os modelos de propriedades compartilhadas aplicados a resorts já em operação.
  • O debate destacou como decisões de produto, operação e experiência do cliente definem o sucesso em timeshare, multipropriedade e clubes de benefícios.
  • O setor vive uma evolução na percepção do público, exigindo ajustes de posicionamento e maior entendimento regional.
  • Apresentação do case do clube de benefício Mais Tauá.
  • Apresentação do case do clube de férias de timeshare Jurema Águas Quentes.
  • A experiência é o ponto de partida — produtos podem (e devem) ser ajustados ao longo do tempo.
  • O intercâmbio de férias (ex.: RCI) ajuda a atrair novos perfis de hóspedes ao destino.
  • A integração entre produto comercial e operação hoteleira é decisiva.

 

Com o painel ‘’Desenvolvimento de Clubes de Férias: decisões de produto, implantação, construção e operação que determinam o sucesso do projeto’’, com participação de Lizete Ribeiro, CEO do Grupo Tauá de Hotéis; Wagner Novoli, diretor presidente do Jurema Águas Quentes; Fabiana Leite, diretor de Desenvolvimento de Negócios para América do Sul – RCI; e João Paulo Mansano, sócio da New Time, como moderador, o ADIT Share 2026 trouxe os modelos de propriedades compartilhadas para resorts já em operação para o centro do debate.

O painel trouxe ao ADIT Share a transformação dos produtos de hospitalidade voltados para recorrência — especialmente timeshare, multipropriedade e clubes de benefícios, explorando como decisões de produto, operação e experiência do cliente impactam diretamente o desempenho desses modelos.

João Paulo abriu o painel destacando que o timeshare, tradicionalmente associado ao custo-benefício, passou por uma significativa evolução no Brasil. “Temos visto mudanças importantes na forma como o produto é percebido. Isso exige entendimento profundo do público e da região”, afirmou.

Case Mais Tauá

Lizete Ribeiro relatou a transição vivida pelo Grupo Tauá, que iniciou no timeshare em 2014, mas enfrentou desafios de comunicação e compreensão do produto pelo cliente. A pandemia acelerou os ajustes. “O timeshare tinha acúmulo de pontos e, com nossa diária mais alta, deixou de ser viável. Ainda é muito importante para nós, mas entendemos que precisávamos de um modelo que agregasse valor contínuo ao hotel”, disse.

A referência veio do México, onde os clubes vacacionais dominavam o mercado. A partir dessa inspiração, o grupo desenvolveu o Mais Tauá, um clube de benefícios focado em vantagens progressivas e relacionamento frequente. “O membro precisa ser tratado como VIP, com reserva mais rápida, atendimento diferenciado. Aprendemos muito ao longo de três anos de desenvolvimento e venda”, destacou.

Hoje, segundo Lizete, o clube possui o mesmo volume de clientes ativos que o antigo timeshare, fortalecendo a fidelização e percepção de valor.

Case Jurema

Wagner Novoli explicou que o processo de escolha do produto ideal para o Jurema Àguas Quentes levou tempo e partiu de estudos sobre o perfil regional do público. “Tínhamos que entender a flexibilidade que nosso cliente buscava. O timeshare, no formato de pontuação, encaixou melhor”, afirmou.

Segundo ele, a equipe construiu o Vacation Club Jurema com foco em precificação de longo prazo e criação de benefícios aspiracionais — mais do que vantagens financeiras. “Não há uma grande vantagem no preço, é mínima. O que realmente funciona é a exclusividade. O cliente tem área VIP, enxoval diferenciado, shows exclusivos, eventos temáticos. Isso faz toda a diferença”.

Com dois anos de operação e integrando o modelo à dinâmica do resort — que trabalha com pensão completa — o clube mantém equiparação saudável entre diárias tradicionais e o produto de férias.

Produto certo para o público certo

Fabiana Leite ressaltou que a escolha entre timeshare, multipropriedade ou clube de benefícios deve partir de uma pergunta básica: “O que se quer entregar ao cliente?”.

“A base de tudo é experiência. Ninguém mais compra apenas um produto. O ideal depende do incorporador e de seu público. Não está errado começar com um tipo de produto e depois ajustar — todos os resorts precisaram adaptar-se ao longo do tempo”, afirmou.

Ela também destacou que o clube de benefícios tende a ser mais flexível, enquanto o timeshare oferece mais possibilidades de upgrades e pacotes de venda. O intercâmbio de férias, proporcionado por plataformas como a RCI, é um diferencial relevante. “Lembro que o Jurema queria atrair um público que normalmente não iria ao resort. É isso que o intercâmbio proporciona”.

Integração com a hotelaria e experiência 

Uma das questões levantadas por João Paulo tratou da integração entre o produto comercial e a operação hoteleira — desafio comum em modelos mais tradicionais de timeshare.

Lizete enfatizou o papel da Experiência do Cliente Mais Tauá, uma área dedicada a acompanhar e mensurar satisfação, transformando usuários em embaixadores da marca. “O cliente do clube é diferenciado. Eles defendem o hotel e funcionam como consultores gratuitos”.

Wagner complementou afirmando que, no Jurema, o clube nasceu para impulsionar o resort — e isso quebrou resistências internas. “Quando o produto é criado para o crescimento do empreendimento, todos entendem que aquele cliente é estratégico”.

Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.

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  • O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado