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Igor Cotian, Danitza Mesquita e Márcia Rezeke

ADIT Share 2026 debate conflitos entre associações de multiproprietários e incorporadoras

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Resumo do Conteúdo: 

  • O painel destacou que falta de comunicação, má interpretação das regras condominiais e associações movidas por interesses próprios estão ampliando tensões no setor.
  • Essas associações costumam questionar pontos isolados do empreendimento, desconsiderando o escopo completo da convenção condominial (marca hoteleira + multipropriedade + incorporador).
  • Especialistas reforçaram que gestão preventiva evita conflitos: a operação deve agir antes que reclamações cresçam e sejam organizadas.
  • A comunicação proativa com proprietários ajuda a mostrar que determinadas ações da gestão atendem a pedidos anteriores dos próprios compradores.
  • Muitas associações pequenas tentam criar falsa impressão de representatividade, apesar de defenderem apenas interesses de poucos.
  • A “carência informacional” dos multiproprietários alimenta insatisfações: falta clareza sobre uso das unidades, regras, operação do pool e funcionamento do condomínio.
  • Comunicação deve ser estruturada e ativa: vendas e pós-vendas precisam atuar integrados desde a sala de vendas até a implantação do empreendimento.
  • A convenção condominial precisa prever claramente períodos de manutenção e regras específicas de operação alinhadas ao modelo hoteleiro.
  • O pool paralelo foi apontado como uma ameaça ao negócio: prejudica o empreendimento, desestabiliza o pool oficial e penaliza os multiproprietários que cumprem regras.

 

A discussão sobre os conflitos entre incorporadoras/gestoras hoteleiras e associações de multiproprietários ganhou destaque no ADIT Share 2026, durante o painel “Relacionamento com compradores: como lidar com a oposição de associações de multiproprietários”. Participaram a advogada Márcia Rezeke, o gerente de pós-venda do Hot Beach Parques & Resorts, Igor Cotian, e a diretora jurídica do GR Group, Danitza Mesquita. 

O debate evidenciou como a falta de comunicação clara, a má compreensão das regras condominiais e a atuação de associações com interesses próprios têm provocado tensões crescentes no setor.

Segundo Danitza Mesquita, o surgimento de associações formadas por multiproprietários, em muitos casos, não está ligado a um interesse coletivo legítimo. Pelo contrário: “As associações têm interesses particulares e financeiros, e isso tem dificultado a vida dos incorporadores e empreendedores”, afirmou. 

Para Danitza, esses grupos frequentemente focam em um ponto isolado do empreendimento para questionar a legalidade de aspectos já previstos na convenção condominial. “Não entendem o escopo da convenção, que envolve bandeira hoteleira, multipropriedade e incorporador. Na prática, temos visto associações criando conflitos, e não soluções”, completou.

Prevenção de conflitos

A prevenção, destacam os especialistas, é um dos caminhos mais eficazes. Danitza reforçou que a gestão deve agir antes que reclamações se convertam em demandas coletivas organizadas: “A operadora hoteleira ao ver um burburinho deve trazer uma solução preventivamente, comunicando antes mesmo do hóspede reclamar”. 

Igor Cotian acrescentou que essa estratégia também pode aparecer na comunicação direta com os proprietários: “Às vezes, é importante mostrar que determinadas ações são pedidos deles próprios”.

Márcia Rezeke reforçou que ignorar sinais iniciais de insatisfação é um erro grave: “Não se pode menosprezar o burburinho dos proprietários. Hoje existem escritórios especializados em montar esse tipo de associação e, se não dermos importância, eles vão buscar essas pessoas’’. Ela alertou que muitas dessas associações, ainda pequenas, tentam criar a impressão de representatividade ampla: “Dizem falar em nome dos condôminos, quando muitas vezes representam apenas alguns multiproprietários — mas fazem barulho”.

Um ponto crítico mencionado por Rezeke é a tentativa dessas associações de obter dados pessoais de todos os condôminos: “Uma das primeiras ações é notificar a administradora pedindo a relação de condôminos. A gestora não pode fornecer esse tipo de dado, então algumas acabam entrando na Justiça”. O objetivo, segundo ela, é recrutar mais integrantes. ‘’Não há interesse coletivo — é o interesse de um grupo, pessoal e financeiro”, destacou.

Comunicação

O papel da comunicação foi outro tema central. Para Igor Cotian, a formação dessas associações muitas vezes nasce da “carência informacional”: “Os associados buscam isso muitas vezes porque não entendem como utilizar o empreendimento, ou querem um grito de socorro. Cabe à incorporadora agir para prevenir e dar mais acesso à informação”.

Danitza reforçou que a comunicação precisa ser ativa e estruturada: “Os canais não podem ser um local de arquivamento de conversas. Quando recebemos questionamentos, o setor de vendas precisa ter o pós-vendas integrado a ele”. Ela explicou que dúvidas sobre formatação do condomínio, funcionamento do pool e regras do empreendimento surgem ainda na sala de vendas e persistem até a implantação. “Alguns questionamentos são silenciosos, mas explodem na assembleia. Se forem tratados ao longo do tempo, já chegam solucionados”, afirmou.

Márcia também enfatizou a importância de enxergar o multiproprietário como um público diferenciado: “O multiproprietário é um hóspede, mas um hóspede diferenciado — ele quer entender melhor. Se o incorporador achar que ele é apenas um hóspede, terá problemas. Comunicação é fundamental”.

Convenção de Condomínio

Outro alerta importante foi sobre as regras da Convenção de Condomínio. Danitza lembrou que cada empreendimento exige normas próprias, alinhadas ao incorporador e à operação hoteleira. 

Já Márcia reforçou que a convenção deve prever, de forma explícita, períodos de manutenção e reformas: “Tem que estar claro que haverá momentos de indisponibilidade da unidade. Quando isso já está previsto, fica mais fácil lidar”.

Pool Paralelo

O debate também abordou o problema do pool paralelo, prática na qual multiproprietários alugam suas frações fora do sistema oficial do empreendimento. “O pool paralelo destrói o empreendimento. Se o incorporador não prever mecanismos para barrá-lo na convenção, terá problemas”, alertou Márcia. 

Danitza completou que essa prática prejudica inclusive os proprietários que fazem parte do pool oficial: “O multiproprietário que está no pool segue regras, obrigações e recebe rendas justas. Já o que vai para o pool paralelo não segue normas e prejudica os demais”.

Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.

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  • O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado