Resumo do Conteúdo:
- O painel “Destino, entretenimento e ecossistema: onde estão as oportunidades reais de crescimento?” reuniu visões econômicas, hoteleiras, institucionais e territoriais — e convergiu em um ponto: crescimento sustentável exige ecossistemas bem estruturados.
- Caio Calfat, Ana Biselli, Beto Caputo e Gustavo Grisa participaram do painel.
- Distritos Turísticos como motores de investimento
- Mudanças econômicas e o novo comportamento do consumidor
- Demanda atual combina: experiência + flexibilidade + padrões de qualidade + previsibilidade de gastos.
- Visão da hotelaria: eficiência como diferencial competitivo.
- Crescimento pós-pandemia traz novos desafios operacionais.
- Principais gargalos da hotelaria: falta de mão de obra qualificada, aceleração tecnológica e digitalização, dificuldade de financiamento compatível com a dinâmica do setor.
- Linhas de crédito existentes ainda não conversam com a realidade dos empreendimentos hoteleiros.
- Governança integrada: o novo “ativo estratégico”.
- Destinos organizados conseguem: reduzir riscos para investidores, melhorar a fluidez regulatória, alinhar poder público e iniciativa privada, criar previsibilidade para projetos de propriedade compartilhada.
O segundo dia do ADIT Share 2026 teve início com uma análise das oportunidades de novos negócios para o setor de propriedade compartilhada, com o painel ‘’Destino, entretenimento e ecossistema: onde estão as oportunidades reais de crescimento?’’, com participação de Gustavo Grisa, economista e consultor da InvestSP; Beto Caputo, presidente da FOHB e sócio da Atrio Hotéis; Ana Biselli, secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo; e Caio Calfat, conselheiro consultivo permanente da ADIT Brasil e sócio da Caio Calfat Real Estate Consulting, como moderador.
Com diferentes perspectivas — econômica, hoteleira, territorial e institucional — os participantes do painel convergiram em um ponto: o crescimento sustentável da propriedade compartilhada depende da articulação entre planejamento urbano, infraestrutura, qualificação de destinos e mecanismos mais eficientes de atração de investimentos.
Distritos turísticos como catalisadores de investimento
Ana Biselli destacou que a agenda paulista de turismo está estruturada sobre dois eixos principais: estruturação de destinos e promoção segmentada. Ela ressaltou que a criação dos Distritos Turísticos — instrumento legal implantado em 2020 — tem sido decisiva para organizar governança, atrair capital privado e priorizar a infraestrutura necessária.
“Os distritos são o coração da estratégia de desenvolvimento. Hoje são nove territórios reconhecidos pelo Estado, cada qual com vocação e desafios específicos, mas todos com potencial para atrair investimentos de longo prazo”, afirmou.
Entre eles, citou Olímpia, Serra Azul, Iguá, Gradina, Centro de São Paulo, Portal da Mata Atlântica, Santos, Águas e Aventuras e Alto da Mantiqueira — muitos já com planos diretores avançados e câmaras temáticas operando.
Segundo Biselli, cerca de 50% dos 70 projetos cadastrados no portfólio de investimento da Secretária, estimados em R$ 15 bilhões, estão localizados dentro desses distritos.
Olhar econômico
O economista Gustavo Grisa reforçou que a expansão da propriedade compartilhada precisa ser analisada a partir das mudanças recentes no comportamento do consumidor e no fluxo econômico dos destinos turísticos. Para ele, a demanda atual combina “busca por experiências, flexibilidade, padrões de qualidade e previsibilidade de gastos”.
Grisa destacou que modelos como multipropriedade e timeshare ganham força em ambientes onde existe:
- Infraestrutura urbana consistente
- Oferta complementar de entretenimento
- Conectividade logística
- Gestão profissional do destino
“O investidor não olha apenas para o ativo. Ele olha para o ecossistema do destino. Sem governança e sem visão de longo prazo, o risco aumenta e o capital não chega”, pontuou.
Desafios da hotelaria
Representando o setor hoteleiro, Beto Caputo trouxe uma visão prática dos desafios enfrentados pelos operadores — especialmente no pós-pandemia, quando a ocupação e a diária média cresceram, mas a pressão por eficiência operacional também.
Caputo apontou três pontos críticos: escassez de mão de obra qualificada, aceleração tecnológica e necessidade de digitalização, dificuldades de financiamento para novos empreendimentos.
O executivo da Atrio lembrou que linhas como Desenvolve SP, Fungetur, Banco do Brasil e Caixa Econômica existem, mas os modelos de garantia e classificação de risco “ainda não conversam com a realidade do setor”.

Governança
Caio Calfat reforçou que a governança integrada é hoje o maior ativo para destravar novos projetos. Ele destacou que destinos bem organizados conseguem:
- reduzir riscos para investidores,
- melhorar a fluidez regulatória,
- alinhar expectativas entre poder público e iniciativa privada,
- gerar previsibilidade para empreendimentos de Propriedade Compartilhada.
“A pergunta não é apenas onde há demanda, mas onde há ecossistema. Turismo é multifatorial — depende de solo urbano, mobilidade, segurança jurídica, capacidade operacional e visão de futuro’’, frisou Calfat.
Oportunidades reais: onde estão?
Com base no debate e nos dados apresentados, algumas oportunidades concretas se destacam: distritos turísticos formalizados, destinos com forte apelo de entretenimento, retrofits e requalificação urbana, financiamento estruturado com garantias modernas, projetos com forte planejamento de ecossistema.
Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.
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- O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.





