Resumo do conteúdo:
- A modelagem voltou ao centro do debate no turismo: decisões sobre uso, semanas e preço estão determinando o sucesso comercial dos novos projetos.
- O painel formado por Adriana Chaud, Antônio Carlos Gomes, Danilo Samezima e Evandro Paiva reforçou que clareza na lógica do produto é o principal fator de atratividade.
- Realismo na entrega foi um consenso: “não adianta vender expectativa”; o uso precisa funcionar e gerar valor percebido.
- Sem coerência entre modelo de uso, custos e rentabilidade, o ticket médio não fecha — e o produto perde competitividade.
- A definição correta de semanas alta, média e baixa impacta diretamente na performance.
- Um erro na distribuição inicial gera revisões constantes, conflitos com consumidores e perda de margens.
- Direito de Uso ganha força pela previsibilidade operacional
- Referências internacionais ajudam, mas modelo brasileiro exige adaptação à legislação, ao perfil do consumidor e à operação hoteleira.
- O ticket não nasce do “preço de mercado”. Ele nasce da operação.
- Quando promessa e entrega não caminham juntas, custos explodem e a percepção do produto despenca.
Os vários formatos de produtos para projetos de multipropriedade e os desafios no desenvolvimento: como definir semanas, uso e ticket para garantir atratividade, vendas e rentabilidade, foi o tema do painel do ADIT Share 2026 ‘’Modelagem de produtos de multipropriedade e direito de uso’’, com participação de Adriana Chaud, diretora executiva da Tudo Consultoria; Antônio Carlos Gomes, diretor executivo da TC Brasil; Danilo Samezima, CEO da Oceanic Empreendimentos; e Evandro Paiva, COO/CFO da Eindom Empreendimentos.
No painel, os participantes convergiram em um ponto central: a atratividade de um produto de multipropriedade nasce da clareza em três pilares — uso, semanas e preço.
Danilo Samezima, à frente de um grupo que opera tanto multipropriedade quanto parques temáticos, defendeu que a modelagem precisa ser realista. “Não adianta vender expectativa. O uso tem que funcionar, e o cliente precisa enxergar valor no que comprou”.
Evandro Paiva, com experiência financeira e operacional em empreendimentos hoteleiros, reforçou a necessidade de precisão na projeção de custos e rentabilidade. “Sem um modelo de uso coerente, o ticket não fecha. Se o empreendimento promete mais do que consegue entregar, o custo explode e a percepção do produto cai”.
Modelagem de semanas
Os painelistas discutiram como a definição das semanas — alta, média e baixa — influencia diretamente vendas e operação.
Antônio Carlos Gomes destacou que erros na fase inicial podem comprometer todo o ciclo do projeto. “Se a modelagem começa desalinhada, especialmente na precificação por temporada, você condena o produto a revisões eternas e conflitos com o consumidor”.
Segundo os debatedores, a distribuição adequada das semanas precisa considerar:
- sazonalidade real do destino
- capacidade operacional do hotel
- expectativa de retorno da incorporadora
- planejamento de vendas e pós-venda
Direito de Uso
A discussão também abordou a diferença entre modelos de multipropriedade tradicional (com escritura) e direito de uso, cada vez mais adotado por permitir maior previsibilidade na operação hoteleira.
Adriana Chaud reforçou que modelos internacionais de clubes de férias servem de referência, mas não podem ser replicados sem adaptação. “O maior aprendizado lá fora é a lógica de uso, mas precisamos traduzir isso para nossa legislação, nosso consumidor e nossa operação”.
O direito de uso, segundo os debatedores, permite:
- maior controle sobre cálculo de capacidade
- maior aderência às entregas de all inclusive e parques
- mais flexibilidade para correção de rota comercial
Valor percebido e margens
Para os quatro especialistas, a definição do ticket é o ponto onde todas as outras decisões convergem. Para eles, ticket não se define apenas olhando o mercado, mas olhando a operação.
De acordo com o painel, o ticket deve refletir:
- capacidade de uso real
- qualidade do produto
- valor agregado do empreendimento
- margem necessária para operação e vendas
Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.
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- O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.






