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Tiago Soeiro, Alex Bahov e Gabriel Parente

ADIT Share 2026 discute apetite do mercado financeiro pela multipropriedade

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Resumo do Conteúdo:

– Pressão macroeconômica segue redesenhando o jogo: juros elevados, incertezas geopolíticas e ciclos eleitorais elevaram o custo de capital e estão forçando o setor a rever estruturas de financiamento.

– O mercado financeiro ficou mais seletivo: operações passam por filtros muito mais rígidos de diligência, criando um ambiente onde só projetos sólidos avançam.

– Os quatro pilares decisórios para financiar multipropriedade ficaram claros:

  • Empreendedor: reputação, organização, histórico e capacidade de execução pesam mais do que nunca.
  • Empresa: governança, estrutura financeira e demonstrações auditadas influenciam diretamente o risco percebido.
  • Projeto: aderência ao mercado, localização, velocidade de vendas e maturidade definem o acesso ao crédito.
  • Equity: comprometimento financeiro real do incorporador virou um sinal importante de alinhamento.

– ESG ganhou força como diferencial: ainda não é exigência formal, mas mostra maturidade, visão de longo prazo e responsabilidade na condução do negócio.

– No universo da multipropriedade, alguns desafios se destacam:

  • taxas de cancelamento elevadas nos primeiros meses,
  • dependência de campanhas de marketing contínuas,
  • necessidade de gestão minuciosa do portfólio para manter previsibilidade.

 

Para analisar o apetite do mercado financeiro por projetos de multipropriedade, ainda mais no atual cenário macroeconômico nacional e visando garantir retornos e desenvolver empreendimentos rentáveis, o ADIT Share 2026 organizou o painel ‘’Alternativas de capital para o desenvolvimento de resorts e hotéis de propriedade compartilhada’’, com participação de Alex Bahov, head de IB da Bside Investimentos; Gabriel Parente, head de Originação Imobiliária da XP Asset; e Tiago Soeiro, sócio da Tera Hotéis, como moderador.

Os executivos destacaram que o setor vive um momento de forte pressão trazida pela combinação de juros altos, incertezas geopolíticas e ciclos eleitorais. Segundo eles, mesmo com uma leve acomodação recente, o custo de capital segue impactando diretamente a forma como os projetos são estruturados e financiados.

A consequência imediata é uma mudança de comportamento no mercado financeiro: alguns players se tornaram mais resilientes, criativos e seletivos, ajustando suas operações para sobreviver em um ambiente mais rigoroso e lançando novos modelos de funding. 

Os executivos foram unânimes ao afirmar que os fundos e  instituições financeiras adotaram processos mais rígido de diligência. O financiamento de empreendimentos, especialmente os de multipropriedade, depende principalmente de quatro pilares fundamentais:

  1. O empreendedor –  Experiência prévia, reputação, capacidade de organização e histórico de execução tornaram‑se critérios decisivos.
  2. A empresa –  Estrutura financeira sólida, demonstrações auditadas, governança clara e organização interna influenciam diretamente o risco percebido e o acesso ao crédito.
  3. O projeto –  Viabilidade, localização, produto, aderência ao mercado, velocidade de vendas e nível de risco na etapa de desenvolvimento são determinantes. Projetos mais maduros têm mais facilidade na captação.
  4. Equity – Comprometimento do empreendedor/incorporador no equity do projeto, assumindo o risco junto ao fundo imobiliário.

Além disso, práticas ambientais e certificações ESG surgem como diferenciais valorizados, não como exigência formal, mas como indicador de maturidade e compromisso de longo prazo.

Desempenho e riscos

No recorte específico das características de uma operação de multipropriedade, o painel debateu os desafios atrelados ao modelo. Altas taxas de cancelamento nos primeiros meses, dependência de campanhas de marketing consistentes e a necessidade de gestão rigorosa do portfólio estiveram entre os principais pontos mencionados.

Os executivos do mercado financeiro concluíram que há capital disponível para projetos hoteleiros e de propriedade compartilhada, mas o mercado mudou. Apenas empreendedores com organização, governança, números auditados e visão profissional conseguem acessar as melhores alternativas de financiamento.

Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.

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  • O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado