Fechando o Share Summit, o painel “Visão de futuro. Riscos e oportunidades no negócio de férias compartilhadas em 2026 e além”, trouxe projeções realistas do que esperar para o segmento: o avanço do setor de propriedade compartilhada dependerá menos de euforia comercial e mais de estrutura de capital, governança e capacidade real de atrair funding.
Com participação de Ettore Marchetti, CEO da EQI Asseti, Lizete Ribeiro, CEO do Grupo Tauá de Hotéis, Francisco Neto, sócio-fundador da Beta Advisory, Pedro Cypriano, sócio-fundador da Noctua Advisory, sob mediação de Vinicius Medeiros, da Hotelier News, a discussão apontou que o mercado seguirá com espaço para crescimento, mas em um ambiente mais exigente para quem busca expandir projetos. Apesar das incertezas, o tom geral não foi de retração. Pelo contrário: o setor foi apresentado como um negócio ainda cheio de oportunidades, desde que os operadores aceitem que a próxima fase exigirá mais disciplina financeira do que antes.
Organizado pela Noctua, Beta Advisory e Hotelier News, o Share Summit aconteceu no dia 13/04, no The Westin São Paulo, em São Paulo (SP).
Entre os principais pontos do debate, ganhou força a percepção de que o cenário macroeconômico ainda impõe barreiras relevantes ao crédito. Com juros elevados, renda fixa atrativa e incertezas fiscais e geopolíticas, estruturas como fundos imobiliários e CRIs continuam sendo caminhos relevantes para viabilizar operações, mas com custo mais alto e forte exigência de garantias. Na prática, isso significa que captar recursos ficou mais difícil e mais seletivo, especialmente para projetos que ainda não provaram maturidade operacional.
O painel também indicou que a busca por funding para o segmento de férias compartilhadas esbarra em um problema recorrente: falta de governança e pouca visibilidade sobre a qualidade das operações. De acordo com os participantes do painel, investidores e financiadores querem enxergar com clareza balanços auditados, estrutura societária consistente, nível de equity e previsibilidade de geração de caixa. Sem isso, o capital não chega — ou chega caro demais.
Nesse contexto, a multipropriedade apareceu como um modelo que ainda enfrenta resistência em parte do mercado de crédito. Um dos argumentos levantados no painel é que, quando comparada a outras estruturas imobiliárias e hoteleiras, ela pode perder atratividade financeira por exigir descontos maiores, prazos de financiamento mais sensíveis e maior esforço de estruturação.
Oportunidades
Por outro lado, o debate também mostrou que há oportunidades claras para operações mais bem posicionadas. Empreendimentos com marca forte, proposta de valor definida, produto mais sofisticado e melhor capacidade de gestão tendem a se destacar na disputa por capital. O interesse crescente por ativos de hotelaria, inclusive em projetos de perfil mais premium, reforça a leitura de que o dinheiro continua procurando boas teses — mas não qualquer tese.
Outro insight importante foi a valorização de modelos mais flexíveis de comercialização e relacionamento com o cliente. Segundo os participantes, formatos como clubes de benefícios e soluções menos rígidas que a multipropriedade tradicional podem ganhar mais espaço, justamente por responderem melhor à mudança de comportamento do consumidor e à necessidade de recorrência de receita. A discussão sinaliza que o futuro do setor pode passar menos pela simples venda fracionada e mais pela construção de ecossistemas de férias, serviços e fidelização.
Na reta final, os executivos apontaram que o setor de propriedade compartilhada em 2026 e próximos anos deve conviver com um duplo movimento. De um lado, haverá mais cobrança por governança, capital próprio e estrutura financeira sólida. De outro, continuarão existindo oportunidades para grupos capazes de unir hospitalidade, entretenimento, marca e inteligência de funding. O consenso foi que o mercado não deve parar, mas ficará mais profissionalizado — e mais duro com quem ainda opera sem transparência, escala ou disciplina financeira.
Insights centrais do painel:
- Funding é o principal desafio do setor em 2026.
- Juros altos seguem pressionando a viabilidade dos projetos.
- Fundos imobiliários, CRIs e debêntures aparecem como alternativas importantes de captação.
- Os projetos mais fortes tendem a ser os que combinam marca, destino, governança e equity.
- A propriedade compartilhada precisa evoluir de um modelo só de venda para uma lógica de experiência e recorrência.
- O mercado deve favorecer operações mais maduras, com estrutura financeira bem desenhada e menor risco.
- O setor continua com potencial, mas o crescimento vai depender de capital mais inteligente e execução mais sólida.
- Evolução do modelo: a propriedade compartilhada está saindo de formatos tradicionais e caminhando para estruturas mais flexíveis.
- Foco no cliente: o diferencial passa a ser benefício recorrente, experiência e conveniência, não apenas a venda imobiliária.
- Mais integração com a hotelaria: o modelo tende a ganhar força quando estiver conectado à operação hoteleira, a destinos consolidados e ao entretenimento.
- Valor percebido: o produto precisa acompanhar um consumidor que busca mais uso real e recorrência, e menos um ativo puramente financeiro.

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- O Turismo Compartilhado cobre o Share Summit a convite da Noctua, Beta Advisory e Hotelier News.


