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Fernando Salomão

Funding e securitização: o eixo invisível que sustenta (ou derruba) um projeto de multipropriedade

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Multipropriedade é, essencialmente, um modelo financeiro.

Você vende hoje.
Recebe ao longo de anos.
Constrói agora.

Essa equação só fecha com engenharia de capital.

  1. VGV não paga obra

Esse é um dos maiores equívocos conceituais.

VGV é valor projetado.
Caixa é realidade.

Se o projeto não modelar corretamente:

– Curva de recebimento
– Taxa de inadimplência realista
– Necessidade de capital de giro
– Custo médio ponderado de capital

Ele pode ficar descasado financeiramente mesmo com vendas aceleradas.

  1. O modelo americano: estrutura de capital sofisticada

Nos Estados Unidos, empresas do setor estruturam:

– Securitização de recebíveis
– Emissão de títulos lastreados em contratos
– Linhas de crédito estruturadas
– Parcerias com fundos institucionais

A carteira vira ativo financeiro estruturado.

Isso reduz risco e aumenta previsibilidade.

  1. O erro brasileiro mais comum

Vejo projetos que:

– Antecipam recebíveis sem estratégia de longo prazo
– Dependem excessivamente de capital próprio
– Não modelam cenários pessimistas
– Ignoram stress test financeiro

Multipropriedade exige simulação de cenário adverso.

E cenário adverso não é pessimismo. É responsabilidade.

  1. Funding estratégico aumenta poder de decisão

Quando o incorporador tem estrutura financeira sólida:

– Ele negocia melhor com fornecedores
– Ele suporta oscilações de venda
– Ele evita decisões comerciais precipitadas
– Ele protege margem

Capital mal estruturado gera desespero.
Capital estruturado gera estratégia.

O futuro da multipropriedade brasileira passa por maturidade financeira.

Sem isso, crescimento vira risco.

Fernando Salomão
  • Fernando Salomão é Empreendedor e estrategista, com trajetória consolidada em vendas, marketing e gestão de alta performance. Atuou por 13 anos na maior construtora da América Latina, liderando times comerciais e estruturando modelos de crescimento escalável. É graduado em Publicidade e Propaganda pelo UNI-BH, com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC e MBA em Finanças pela FGV. Atualmente é CEO e sócio da Verta&CO, holding especializada em inteligência comercial, inovação e performance empresarial.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado