INSIGHTS ESTRATÉGICOS DO CONTEÚDO:
- Pizzaria Cara de Mau, em Gramado, é referência em modelos de negócios com restaurantes temáticos com espetáculos.
- Tudo começou na Pizzaria Scur, não no pirata. Lanchonete da família Scur Dalateia na mesma esquina há 46 anos — CNPJ de gastronomia mais antigo de Gramado. Virou pizzaria só em 1996.
- Nos anos 1980–90 o Scur virou ponto de encontro de empresários — incomum para uma lanchonete. O diferencial era o tratamento, não o produto.
- Entre 2009, o grupo inaugura a pizzaria temática Cara de Mau. A aposta não foi decorar, foi tematizar: mais investimento, mais personalizado, mais operação. Poucos faziam isso no Brasil na época.
- 2011: a ideia certa na hora errada. A pizzaria começou a fazer show no meio do rodízio, mas durou apenas 4 meses. Na época, o público não entendeu aquele conceito de espetáculo e gastronomia.
- 2016: Cinco anos depois, a mesma ideia funcionou, por tentativas dos próprios colaboradores em realizar o espetáculo.
- 2017: profissionalização. Companhia de artes própria, com artistas locais que antes trabalhavam só sazonalmente (Natal Luz, Páscoa, Festival de Cinema) contratados em tempo integral.
- 2018: escala. Casa própria de 1.100 m² e 300 lugares.
- Atualmente, o Grupo Grupo Unity reúne hoje as marcas Scur, Pizzaria Cara de Mau (Navio Cara de Mau, Porto Cara de Mau, Cara de Mau Porto Alegre) e Gatzz Fondue & Show.
- O resultado: 4 espetáculos em repertório, +80 sabores de pizza e calzone em forno a lenha, 346 mil clientes no último ano, 2,5 milhões desde a abertura, +200 colaboradores, GPTW há 3 anos e NPS 96.
Em 2011, a Cara de Mau tentou colocar um show no meio do rodízio. Durou quatro meses e foi retirado. Cinco anos depois, sem que os sócios soubessem, os próprios funcionários subiram o som, começaram a dançar e levaram os clientes junto. A pizzaria de Gramado (RS) deixou de ser um restaurante com decoração de pirata para se tornar um espetáculo que serve pizza.
Atualmente, a Cara de Mau é referência em restaurantes temáticos com espetáculos, fez do entretenimento parte de seu cardápio e virou um modelo de negócio.
Lanchone e Pizzaria Scur
Antes de existir o capitão, existia o Scur. Aberto pela família Scur Dalateia, e ainda localizada na mesma esquina da fundação, o negócio tem o CNPJ de gastronomia mais antigo da cidade, com 46 anos. Começou como lanchonete, servindo pastel e lanches diversos, e só em 1996 virou pizzaria.
Foi ali que a família aprendeu o que, décadas depois, sustentaria a marca. “A gente aprendeu que o tempo das pessoas conosco é algo muito precioso”, diz Roger Wingert, CEO do Grupo Unity, holding detentora da marca Cara de Mau, e genro do fundador, Deoclides Dalateia.
Nos anos 1980 e 1990, o Scur virou ponto de encontro de empresários — algo incomum para uma lanchonete. A explicação, segundo Wingert, estava na forma de tratar quem entrava, e não no produto servido.
O conceito: tematização diferente de apenas decoração
Em 2008, a família decidiu dar um passo adiante. O mercado de Gramado já havia atingido um padrão alto, e a pergunta que se impunha era como se diferenciar numa praça com aquela. A resposta veio do cinema. Com o sucesso da franquia de filmes da Disney Piratas do Caribe, a família inaugurou em 2009 o Navio Cara de Mau, apostando no imaginário das embarcações piratas.
O nome vem de uma cantiga de carnaval — “Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau”. A diferença, segundo Wingert, estava em ir além da decoração. “Muitas pessoas só decoram, e tematizar é uma coisa um pouco mais além, um pouco mais custosa, um pouco mais personalizada’’. Naquela época, ainda não tinha muitos empreendimentos tematizados no Brasil.
Espetáculo teatral
A primeira tentativa de inserir entretenimento no salão fracassou. Em 2011, a casa testou um show em meio ao rodízio. Durou apenas quatro meses. ‘’Uma pizzaria precisa sempre ter muito giro”, explica Wingert. O público não entendeu a proposta e a atração foi retirada.
A retomada não veio de um planejamento estratégico, mas de uma perda. Em 2016, Deoclides Dalateia faleceu. Durante o luto, a equipe começou a fazer apresentações por conta própria. “A gente não é assim, a gente é feliz”, disseram os funcionários aos sócios na época.
Para mostrar que o entretenimento durante o rodízio poderia ser um bom negócio, os colaboradores pediram para que os familiares percebessem a emoção dos clientes durante as apresentações.
Deu certo. “Às vezes a gente tem um projeto muito bom, só que o mercado não está pronto para receber essa ideia”, resume o CEO. “O Deoclides tentou, não deu certo, ele tirou. Cinco anos depois, os próprios funcionários disseram: agora eu acho que vai dar.”
Profissionalização e estrutura

Em 2017, a casa contratou uma companhia de artes. A escolha foi usar mão de obra local — artistas que trabalhavam de forma sazonal no Natal Luz, na Páscoa e no Festival de Cinema, desde que o carnavalesco Joãozinho Trinta passou por Gramado, em 2001. A Cara de Mau os contratou em tempo integral. “Quando tu colocas cinco ou seis artistas ali dentro, a régua de todos sobe”, afirma Wingert. “
Hoje o grupo mantém quatro espetáculos em repertório. O rodízio oferece mais de 80 sabores de pizza e calzones feitos em fogão à lenha. Em 2018, a operação ganhou uma casa própria, com 1.100 m² e capacidade para 300 pessoas.
O grupo reúne hoje as marcas Scur, Pizzaria Cara de Mau (Navio Cara de Mau, Porto Cara de Mau, Cara de Mau Porto Alegre) e Gatzz Fondue & Show. Segundo Wingert, os restaurantes receberam 346 mil clientes no último ano. Desde a abertura, já passaram pelas casas mais de 2,5 milhões de visitantes.
A avaliação dos clientes, medida por pesquisa enviada na mesma madrugada após a experiência, registra NPS 96. “As pessoas gostam de dar os retornos, e a gente pega o retorno muito quente”, diz Wingert. “Se aconteceu algo errado, ele vai contar. Mas se aconteceu algo que impactou ele, ele conta também.”
Com mais de 200 colaboradores, há três anos, as marcas conquistaram o selo Great Place to Work. Para o futuro, o grupo já registrou dois nomes de temática pirata — Perna de Pau e Olho de Vidro — para novos negócios.






