Resumo do Conteúdo:
- O painel de abertura do ADIT Share 2026 destacou as macrotendências que estão redesenhando o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil.
- Executivos apontaram que a evolução do setor passa por mudança no comportamento do consumidor, hoje mais informado, racional e exigente.
- O modelo brasileiro amadureceu: surgiram novos produtos (timeshare, fractional, multipropriedade, direito de uso, clubes de vantagens) e operações mais profissionais.
- Marcas globais, como Wyndham, ampliam credibilidade, padronização e fortalecem programas de fidelidade — fatores essenciais para aumentar utilização e reduzir fricções históricas.
- O setor está migrando de práticas agressivas para um ambiente de confiança e relação de longo prazo entre consumidores, incorporadores e operadores.
- Para o GR Group, a escolha de novos destinos depende de qualidade turística, vocação local e atuação de um governo pró-business.
- A taxa de uso e o comportamento real dos proprietários vêm se mostrando diferentes do previsto — muitos optam por utilizar períodos de baixa temporada.
- A multipropriedade vive um momento de transição e profissionalização, com foco crescente em serviço consistente e experiência do cliente.
- O consenso do painel: o setor ainda está no início da sua maturação, e o futuro depende de credibilidade, governança e foco genuíno no cliente.
Visando analisar macrotendências, economia, perfil demográfico, comportamento do consumidor, demanda por turismo e os impactos desses fatores no mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, o ADIT Share iniciou sua programação com o painel “O cenário da Propriedade Compartilhada: movimentos, tendências e convergências entre os principais mercados”, que contou com a participação de Gustavo Rezende, CEO do GR Group; Gustavo Viescas, presidente da Wyndham Hotels & Resorts – Latam; e Alejandro Moreno, vice-presidente de Turismo da ADIT Brasil e CEO da Tera Hotéis, como moderador.
Organizado pela ADIT Brasil (Associação para o Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum dedicado ao debate sobre multipropriedade e timeshare no país. Nesta edição, reuniu cerca de 360 participantes — entre executivos, investidores, empresários, consultores, advogados e outros profissionais do setor — e acontece em Campos do Jordão, nos dias 6 e 7 de maio, seguido de visitas técnicas no dia 8.
Enfatizando que o Brasil já ocupa a terceira posição no mercado mundial de propriedade compartilhada, atrás apenas de Estados Unidos e México, Alejandro Moreno abriu o painel destacando a evolução do modelo no país. “Como aprendemos?”, provocou o executivo. Ele relembrou que, há mais de 20 anos, quando o setor começava a se estruturar, profissionais brasileiros visitaram operações em Cancún, onde os empreendimentos eram transparentes e compartilhavam informações. Apesar disso, reforçou que cada destino possui particularidades e que não é possível replicar integralmente o modelo mexicano no Brasil — com exceção do formato de vendas, que segue logicamente similar.
De acordo com Gustavo Viescas, as grandes evoluções ocorreram nos modelos de produtos (timeshare, fractional, multipropriedade, direito de uso, clubes de vantagens) e no comportamento do consumidor. Ele destacou um exemplo prático: “Quando fizemos as primeiras análises financeiras dos empreendimentos fracionados da Wyndham no Brasil, imaginávamos que os proprietários usariam as semanas de alta temporada e colocariam as de baixa no pool de locação, mas aconteceu o contrário”.
Para Gustavo Rezende, que atua há 14 anos no mercado turístico–imobiliário e de multipropriedade, houve grande avanço no setor, com diversos produtos de alta qualidade já em operação. “Vejo o saldo mais positivo”, afirmou.
O próprio GR Group é um reflexo dessa evolução. Além da multipropriedade, atua com produtos imobiliários, clube de férias e direito de uso. Rezende enfatiza o amadurecimento da indústria e mudanças claras nas expectativas dos consumidores.
Um dos eixos centrais do painel foi justamente essa mudança de comportamento. Segundo os executivos, o comprador deixou de ser impulsivo e passou a ser mais informado, cauteloso e racional, exigindo de incorporadores e operadores processos mais estruturados e profissionais. Para eles, a continuidade do crescimento dependerá da capacidade de abandonar práticas agressivas e fortalecer uma cultura de confiança.
Escolha do destino
Com operações em Olímpia (SP), Barretos (SP), Gramado (RS) e Natal (RN), Gustavo Rezende explicou como o GR Group escolhe novos destinos: “Analisamos a qualidade do destino, como está o turismo hoje, se o poder público incentiva novos projetos — ou seja, se existe um governo pró-business”.
Outro ponto importante do painel foi o avanço das marcas globais no ecossistema da multipropriedade. Para empresas como a Wyndham, a presença de uma bandeira internacional agrega credibilidade, padronização operacional e fortalece programas de fidelidade — fatores decisivos para aumentar a taxa de uso, melhorar a jornada do cliente e reduzir percepções negativas que marcaram o setor no passado. “Uma bandeira internacional traz um impacto muito grande quando chega a um destino”, destacou Viescas.
O debate final reforçou que a multipropriedade no Brasil vive um momento de transição e profissionalização. “Se você entende que está construindo uma relação de longo prazo e busca equilíbrio entre cliente, desenvolvedor e operação, o projeto será um sucesso”, afirmou Viescas.
Os executivos concordam que o setor está apenas no início de sua maturação e que sua consolidação dependerá de mais credibilidade, serviços consistentes e foco genuíno no cliente. “Temos que ser gratos a quem nos trouxe até aqui, mas precisamos olhar para frente e melhorar nosso mercado”, concluiu Gustavo Rezende.
- Acompanhe mais do ADIT Share 2026 em nossas redes sociais.
- O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.






