Buscar

Rony Stefano, Martin Diaz, Sérgio Villas Bôas, Caio Calfat e Alejandro Moreno

ADIT Brasil aponta equilíbrio e expansão qualificada no mercado de propriedade compartilhada

Compartilhar:

Resumo do Conteúdo:

• Multipropriedade no Brasil entra em fase de consolidação e maturidade, com menos lançamentos e melhor performance operacional. 

Executivos da ADIT Brasil concederam entrevista coletiva durante ADIT Share: Caio Calfat, Sérgio Villas Bôas, Alejandro Moreno, Rony Stefano e Martin Diaz

• Estoque em queda e alta na absorção indicam equilíbrio saudável entre oferta e demanda. 

• Expansão para novos destinos: interior, regiões de rios, lagos, serras e rotas de vinhos ganham destaque.

• Consumidor mais informado e exigente eleva o nível dos produtos e operações.

• Operação passa a ser o centro do modelo: multipropriedade é tratada como hotelaria complexa, não apenas como produto imobiliário.

• Setor avança para mais profissionalização, padrões de entrega, qualidade operacional e clareza na experiência do cliente.

• Próxima fase do setor: foco em eficiência operacional, consistência na entrega e expansão responsável.

 

O setor de multipropriedade e timeshare no Brasil vive um momento de consolidação e amadurecimento, marcado pela redução no número de novos empreendimentos, melhora na qualidade operacional e maior exigência do consumidor. Essa é a avaliação dos principais executivos da ADIT Brasil, que participaram de uma entrevista coletiva durante o ADIT Share 2026, principal encontro de negócios deste setor no país, que aconteceu nos dias 06 e 07 de maio em Campos do Jordão (SP).

Segundo Caio Calfat, membro do Conselho Consultivo da entidade, o setor de multipropriedade passou por uma fase intensa de lançamentos e agora encontra um ponto de equilíbrio mais sustentável, como foi indicado no estudo, apresentado no ADIT Share 2026, Cenário de Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil 2026, elaborado pela consultoria Caio Calfat Real Estate Consulting. “O boom inicial naturalmente se acomodou. Não é retração: é maturidade. O número de novos projetos diminuiu, mas a absorção continua forte, porque vendas e operações seguem crescendo”, afirma. 

Para Calfat, a redução do estoque disponível é um dos sinais mais claros de que o mercado de multipropriedade entrou em uma fase de equilíbrio saudável. Segundo ele, a queda no número de novos projetos, combinada ao aumento das vendas e da ocupação, vem “limpando o estoque e mantendo o inventário em níveis historicamente equilibrado’’.

Um dos movimentos do mercado detectados pelo estudo é uma expansão de projetos para destinos não tradicionais do país. “Estamos vendo um movimento para o interior, especialmente para regiões de rios, lagos, serras e vinhos. A multipropriedade está se espalhando para um Brasil menos óbvio”, apontou Calfat.

Alejandro Moreno, vice-presidente de Turismo da ADIT Brasil, reforçou essa visão da entidade, em que o equilíbrio atual entre oferta e demanda indica um mercado saudável.  “Em multipropriedade, o pior cenário é o excesso de inventário. O Brasil opera hoje dentro de uma faixa de equilíbrio, e isso é muito positivo”, diz.

Consumidor mais exigente

O presidente do Conselho da ADIT, Sérgio Villas Bôas, reforçou que a evolução do consumidor é um dos principais motores dessa nova fase. “O cliente hoje chega mais informado, comparando e questionando tudo. Isso exige produtos mais bem estruturados, com maior responsabilidade de entrega”, explicou. Ele reconheceu, no entanto, que ainda existem “aventureiros”. “Como em qualquer setor, há maus operadores, mas não representam a maioria. A grande parte do mercado trabalha com seriedade”.

Segundo estudo sobre o perfil dos compradores de multipropriedade, elaborado pela Mapie e Caio Calfat, o índice de aprovação do consumidor alcança 85%, reforçando a solidez da modalidade. Ainda assim, Alejandro Moreno alertou para a importância da autorregulação das operações.  “Esses 15% de casos problemáticos prejudicam todo o setor. Precisamos reforçar boas práticas e transparência”, afirmou ele.

Já Rony Stefano, diretor financeiro da ADIT Brasil, destaca que o desafio agora é fortalecer a confiança na operação.  “O setor já provou que funciona. O desafio é garantir coerência entre o que se vende e o que se entrega. A multipropriedade depende de operação hoteleira — não dá mais para tratar como um produto apenas imobiliário”, afirmou. Ele lembra que empreendimentos do modelo geram impacto socioeconômico relevante. “São operações que empregam dezenas de pessoas e movimentam cadeias inteiras de fornecedores”.

O presidente executivo da ADIT Brasil, Martin Diaz, ressalta que a multipropriedade deixou de ser tratada como um braço do mercado imobiliário e passou a ser, definitivamente, uma operação hoteleira complexa. “Multipropriedade é hotelaria. São operações grandes, com dezenas de colaboradores, diversos centros de custo, demanda de gestão e experiência. A operação precisa ser tão forte quanto a venda”, afirmou.

Importância do ADIT Share

Entrevista dos executivos da ADIT Brasil

Martin Diaz destacou o crescimento do ADIT Share como reflexo direto da maturidade do setor.  “O evento evoluiu junto com o mercado. Hoje temos mais conteúdo, mais panelistas, mais profissionalização. É um ambiente robusto para troca de conhecimento”, diz o executivo.

Alejandro Moreno reforçou que o encontro funciona como um termômetro do setor, reunindo cerca de 400 participantes e mais de 50 palestrantes, consolidando-se como o principal fórum latino‑americano para discutir multipropriedade, timeshare e turismo. 

Para Caio Calfat, o ADIT Share é fundamental para orientar, educar e conectar os agentes do mercado, permitindo que o setor avance em transparência, boas práticas e qualidade operacional. 

Já Sérgio Villas Bôas e Rony Stefano enfatizaram que o evento evidencia o momento de reorganização e profissionalização: mais debates sobre operação, sobre modelos sustentáveis e sobre a entrega real ao consumidor, mostrando que o setor deixou para trás a fase de euforia e entra em ciclo de consolidação. 

Consolidação do setor

Os executivos concordaram que a próxima fase da multipropriedade no Brasil deve aprofundar a profissionalização das operações, fortalecer padrões de entrega e ampliar a capacitação das equipes.

 “O setor cresce, mas cresce de forma redistributiva e mais consciente. Há espaço, há demanda e há confiança. Agora precisamos garantir qualidade e consistência”, resumiu Sérgio Villas Bôas.

Para Caio Calfat, o avanço depende de foco operacional.  “Vender bem é importante. Entregar bem é essencial. A multipropriedade não sobrevive sem operação eficiente e experiência”.

Para Martin Diaz, o caminho da multipropriedade passa por consolidar padrões e expandir de forma responsável. ‘’O mercado está pronto, agora é evoluir a execução’’, concluiu ele.

Picture of Por: Fabio Mendonça

Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado