-
Por Fernando Salomão, CEO da Verta&Co
Sempre que analisamos o mercado americano de timeshare, um fator estrutural salta aos olhos: destino e entretenimento caminham juntos.
Orlando é o maior exemplo do mundo. A cidade recebe dezenas de milhões de visitantes por ano, impulsionada por grupos como Disney e Universal. Não por acaso, a região concentra algumas das maiores operações de timeshare do planeta.
Isso não é coincidência. É estratégia territorial.
- O conceito de ecossistema de permanência
Multipropriedade não vende apenas imóvel.
Vende recorrência de destino.
Destinos que possuem:
– Parques temáticos
– Experiências imersivas
– Infraestrutura de lazer estruturada
– Agenda permanente de atrações
Criam o que eu chamo de “ecossistema de permanência”.
O visitante não vai uma vez. Ele cria hábito.
Nos Estados Unidos, o fluxo anual consistente permite modelagem estatística mais precisa de demanda, ocupação e potencial de recompra.
No Brasil, temos parques e destinos turísticos relevantes, mas ainda há pouca integração estratégica entre:
– Empreendedores de entretenimento
– Incorporadores
– Operadores de multipropriedade
Essa integração muda completamente o risco do projeto.
- Fluxo previsível reduz risco comercial
Projetos de multipropriedade dependem de fluxo qualificado.
Quando o empreendimento está associado a um polo consolidado de entretenimento, ele ganha:
– Volume constante de visitantes
– Público já predisposto à experiência
– Redução de custo de captação
– Melhor qualificação de perfil
Nos EUA, grande parte das vendas ocorre dentro da jornada do visitante, integrada à experiência do destino.
No Brasil, muitos projetos ainda operam como se estivessem isolados do ecossistema ao redor.
- O erro de pensar apenas em metragem
Já vi projetos excelentes arquitetonicamente fracassarem por falta de ancoragem territorial.
Multipropriedade não é apenas planta eficiente.
É narrativa de destino.
Quando o parque, o atrativo ou o entretenimento está estruturado como parceiro estratégico, o empreendimento deixa de ser um produto imobiliário e passa a ser uma extensão da experiência.
Isso muda o discurso, a taxa de conversão e o perfil do comprador.
- O empreendedor de parque que ignora multipropriedade perde receita recorrente
Parques no Brasil ainda dependem majoritariamente de bilheteria e consumo interno.
Nos EUA, muitos destinos entenderam que:
– A permanência gera receita secundária
– A propriedade gera fidelização
– A fidelização gera previsibilidade
O parque deixa de depender apenas do ticket diário e passa a participar do ciclo completo de experiência do cliente.
O Brasil tem potencial enorme para amadurecer essa relação.
E quando isso acontecer de forma estruturada, veremos projetos muito mais sólidos.

- Fernando Salomão é Empreendedor e estrategista, com trajetória consolidada em vendas, marketing e gestão de alta performance. Atuou por 13 anos na maior construtora da América Latina, liderando times comerciais e estruturando modelos de crescimento escalável. É graduado em Publicidade e Propaganda pelo UNI-BH, com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC e MBA em Finanças pela FGV. Atualmente é CEO e sócio da Verta&CO, holding especializada em inteligência comercial, inovação e performance empresarial.






