Resumo do conteúdo:
- A tecnologia deixou de ser suporte e tornou-se estrutura central da operação hoteleira, impactando escala, eficiência e experiência.
- Higino Vieira (COOI – WAM Group), Marco Túlio Alcântara (Gerente de Tecnologia – V3rso) e Rodolfo Delphorno (Sales & Growth Director – Omnibees) participaram do painel.
- Dados e integração são hoje o maior gargalo — e também a principal vantagem competitiva para quem resolve esse ponto.
- Processos claros + dados organizados são pré-requisitos para qualquer uso consistente de IA.
- Falta de integração entre sistemas inviabiliza qualquer automação inteligente.
- A IA já entrega valor imediato: personalização em escala, automação de tarefas repetitivas, aumento da conversão comercial e redução de custos operacionais.
- Resistência interna segue como desafio: equipes temem substituição, mas o movimento real é de requalificação e aumento de produtividade, não de corte.
- A hotelaria entra numa fase em que eficiência operacional e experiência personalizada não são opostos — elas se sustentam mutuamente.
Visando debater como sistemas, automação e inteligência de dados estão transformando a gestão hoteleira e a experiência do cliente, o ADIT Share 2026 organizou o painel ‘’Tecnologia na experiência do cliente: a nova lógica da operação’’, com participação de HIgino Vieira, COOI da WAM Group; Marco Túlio Alcântara, gerente de Tecnologia do V3rso; e Rodolfo Delphorno, Sales & Growth Director da Omnibees.
A conversa girou em torno de desafios reais, caminhos já testados e a urgência de integrar dados, pessoas e tecnologia para sustentar modelos de hospitalidade cada vez mais complexos.
Higino Vieira destacou que o setor já não trata a tecnologia como acessório, mas como infraestrutura essencial. Segundo ele, “a tecnologia deixou de ser apoio: hoje ela é protagonista da operação. Sem dados organizados e processos claros, o hotel simplesmente não escala.”
O executivo da WAM enfatizou também que a adoção tecnológica não significa reduzir pessoas, mas requalificar funções. Ele citou que, em suas operações, “a automação liberou o time para atividades de maior valor, enquanto o atendimento ao cliente ganhou mais velocidade e consistência.”
Integração e dados
Para Marco Túlio Alcântara, um dos principais desafios é a integração entre sistemas. De acordo com ele, a maior trava para evolução não é a tecnologia em si, mas a fragmentação das informações. “O problema não é falta de solução. É falta de comunicação entre elas. Sem integração e sem dados limpos, qualquer projeto de IA vira um castelo de areia.”
O executivo da V3rso reforçou que a corrida agora está menos em desenvolver ferramentas e mais em conectar ecossistemas. Foi categórico ao apontar um movimento irreversível: APIs abertas e interoperabilidade como padrão obrigatório para qualquer fornecedor de software no setor.
IA aplicada ao cliente
Rodolfo Delphorno, da Omnibees, trouxe a perspectiva comercial e de distribuição, afirmando que o impacto da IA já é direto nos resultados. Segundo ele, “a personalização em escala, que antes era impossível, agora é realidade. A IA consegue ler comportamento, prever intenção e antecipar ofertas com precisão.”
Delphorno também ressaltou que a combinação entre automação e dados mudou definitivamente a lógica de atendimento. “O hóspede não quer esperar. Ele quer resolver rápido. A tecnologia tira atrito, reduz erros e aumenta conversão’’. Ele citou casos em que automações aplicadas à jornada do hóspede geraram aumentos expressivos de conversão e redução de custos operacionais.
Resistências internas
Um ponto de consenso entre os participantes foi que a barreira mais difícil não é técnica — é cultural.
Higino apontou que “há medo por parte das equipes, especialmente vendedores e atendentes, que enxergam a IA como ameaça. O desafio é mostrar que ela é apoio, não substituição.”
Alcântara reforçou que nenhuma implementação funciona sem liderança. “Se não for top‑down, não roda. A empresa precisa assumir que tecnologia é estratégica e não apenas operacional”.
Caminhos práticos para adoção imediata

O painel convergiu para recomendações para quem está iniciando ou avançando na transformação digital:
- Organizar dados e processos antes de automatizar – “Não existe IA sem bases sólidas”, alertou Alcântara.
- Começar por ganhos rápidos – Atendimento automatizado, integrações simples e rotinas repetitivas são portas de entrada eficientes.
- Treinar equipes continuamente – “Tecnologia sem pessoas preparadas vira custo, não resultado’’, resumiu Higino.
- Escolher parceiros que ofereçam integração real – Delphorno reforçou que “sem sistemas conversando, não há experiência fluida para o hóspede.”
Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.
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