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Lucimara Castro, Lucila Quintino e João Cazeiro

Gestão de pessoas na propriedade compartilhada é debatida no ADIT Share 2026

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Resumo do Conteúdo:

  • Expansão acelerada dos projetos supera a capacidade interna de organizar times.
  • Participaram do painel Lucimara Castro, pós-doutora em Estudos da Linguagem e consultora em transformação organizacional; Lucila Quintino, head de Recursos Humanos da HotelConsult; e João Cazeiro, da Livá Hotéis
  • Liderança não evolui na mesma velocidade dos modelos de negócio. 
  • Conflito geracional exige líderes mais maduros e adaptáveis. 
  • Saúde mental e felicidade precisam entrar no radar da gestão.
  • Treinar pessoas volta ao centro da estratégia. 
  • Cultura não é papel: é prática diária e determina pertencimento. 
  • Empresas que cresceram rápido agora precisam consolidar cultura.
  • Pressão em multipropriedade é alta — liderança fraca multiplica perdas. 
  • Custos reais: demissões, afastamentos, queda de atendimento e impacto no hóspede.
  • Tendência clara: construir negócios onde as pessoas queiram ficar.

 

Um dos maiores desafios da indústria de propriedade compartilhada ganhou o holofote do ADIT Share 2026 com o painel ‘’Gestão de Pessoas em evolução: Como formar e reter líderes do futuro e construir times de alta performance com uma cultura forte’’, com participação de Lucimara Castro, Pós-doutora em Estudos da Linguagem/Análise de Discurso. Consultora em Educação Corporativa e Transformação Organizacional; Lucila Quintino, head de Recursos Humanos da HotelConsult; e João Cazeiro, diretor da LIvá Hotéis.

João Cazeiro destacou o contraste entre o ritmo de expansão dos empreendimentos e a capacidade de estruturação interna. “Os projetos crescem, e o que mais enxergamos é a dor da maturidade. Sempre que vamos abrir um hotel, fazemos o business plan — e pessoas são um custo alto”, afirmou.

Lucila Quintino seguiu na mesma linha, chamando atenção para uma falha recorrente na hotelaria. “Vejo forte preocupação com todos os pontos de uma implantação hoteleira, mas muito pouco com a seleção de pessoas. A dor do crescimento existe justamente porque negligenciamos esse início”,

Liderança

Para Lucimara Castro, o setor já compreendeu que estrutura física e modelos comerciais avançaram, mas a liderança não acompanha o mesmo ritmo. “O empreendimento de multipropriedade cresce exponencialmente, mas não conseguimos desenvolver liderança na mesma velocidade. A grande dor são as pessoas”, resumiu. A consultora também provocou ao tratar do conflito geracional. “Quando trazemos à tona que os jovens não correspondem ao perfil esperado, eu pergunto: de onde estão saindo esses jovens? Eles são assim — e nós também já fomos. Mudamos nosso comportamento ao longo do tempo.”

Lucila reforçou que gerir pessoas exige maturidade dos líderes. “O grande sucesso é tentar se adaptar à realidade que já existe. O líder mais maduro deve se adaptar aos colaboradores jovens”, defendeu. Ela também alertou sobre indicadores muitas vezes ignorados. “Saúde mental e índice de felicidade são fundamentais para reter talentos.”

Cazeiro complementou com a mudança no acesso à informação e impacto na gestão. “Antes, uma convenção de vendas trazia novidades. Hoje, todo mundo já recebe tudo pelo celular. Isso muda completamente como formamos grandes times.”

Cultura organizacional

A discussão convergiu para a cultura como diferencial competitivo. Para Lucila, a “ficha caiu” recentemente para muitos hoteleiros. “Treinar pessoas voltou ao centro da estratégia. Sempre caímos em cultura, propósito, engajamento — é fazer o colaborador brilhar os olhos quando está trabalhando.”

Lucimara reforçou que empresas em diferentes estágios precisam olhar para dentro.
“Os grupos mais maduros já entenderam isso, mas muitos cresceram demais e agora precisam desenvolver cultura. Quando a empresa não se posiciona, a cultura existe por si só. Valores no papel não bastam — cultura é muito maior.”

O custo invisível de uma liderança ruim

Cazeiro trouxe o debate para a pressão intensa da multipropriedade, especialmente nas salas de vendas. “O vendedor muitas vezes tem uma única oportunidade de fechar negócio. Isso gera enorme pressão mental. Quanto custa uma liderança ruim nesse cenário?”

 “Liderança ruim custa muito mais caro do que aparece no relatório. Há o custo invisível: demissões, afastamentos e até o hóspede mal atendido, que também tem um custo e deveria ser mensurado’’, afirmou Lucila

Redes independentes x grandes grupos

Ao comparar perfis de empresas, Lucila destacou que o tamanho não é o fator determinante. “Quanto maior o grupo, mais possibilidades de investimento, mas o mais importante é a cultura. Se sabemos que as pessoas não ficam porque não se sentem pertencentes ou pela liderança, temos uma lição de casa enorme a fazer — independentemente do tamanho.”

 “A hotelaria sempre soube construir hotéis. O desafio agora é construir negócios onde as pessoas queiram ficar. Sem hospitalidade, não há hotelaria’’, conclui Lucila.

Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.

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  • O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado