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Diego Amaral, Diego Valim e Paulo Mendonça

Painel do ADIT Share 2026 debate desafios jurídicos na comercialização de multipropriedade

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Resumo do Conteúdo: 

  • A estruturação jurídica voltou ao centro das discussões no setor de multipropriedade, reforçando a importância de segurança e previsibilidade.
  • Participação dos advogados Diego Amaral, da Dias & Amaral Advogados; Diego Valim Dias, da Valim Dias Advogados; e Paulo Mendonça, da Marrey Mendonça Advogados.
  • Consolidação da lei após 8 anos trouxe fortalecimento do modelo jurídico, mas não eliminou a necessidade de evolução nas práticas comerciais e contratuais.
  • Segundo os especialistas, ainda existem vulnerabilidades operacionais: o setor precisa profissionalizar processos e abandonar vícios herdados de outros mercados.
  • Condomínio e convenção customizados para a realidade do empreendimento, evitando modelos genéricos.
  • Acordos de cotistas completos nas SPEs, reduzindo conflitos e garantindo previsibilidade. 
  • Governança robusta com: regras de administração claras, taxa pré-operacional definida, delimitação de poderes e responsabilidades entre incorporador, administrador e comercializadora.
  • Promessas de rentabilidade, lucro ou garantias de retorno – mesmo verbais – podem levar a atuação imediata da CVM.
  • Judialização em massa
  • Proteção patrimonial e responsabilidade dos sócios.
  • Compliance comercial: o verdadeiro ponto crítico

 

A estruturação e segurança jurídica voltou ao centro do debate do ADIT Share 2026 com o painel ‘’Direito do Consumidor e principais cuidados na comercialização | Comparação das legislações, compliance, contratos, direitos de cotistas e compradores’’, com participação dos advogados Diego Amaral, da Dias & Amaral Advogados; Diego Valim Dias, da Valim Dias Advogados; e Paulo Mendonça, da Marrey Mendonça Advogados.

O debate abordou desde questões consumeristas até governança societária, passando por compliance comercial, riscos de judicialização, responsabilidade de incorporadores e administradores, além dos cuidados necessários para evitar enquadramento pela CVM.

Consolidação do marco legal 

Os painelistas concordaram que a consolidação da lei de multipropriedade, após mais de oito anos de vigência, trouxe previsibilidade ao mercado e fortaleceu o modelo jurídico. No entanto, reforçaram que a maturidade legal não elimina a necessidade de melhorias significativas nas práticas comerciais e contratuais.

Segundo Paulo Mendonça, embora o mercado tenha evoluído, ainda há pontos de vulnerabilidade operacional. “A legislação é uma âncora positiva, mas o setor precisa abandonar vícios de outros mercados e profissionalizar não apenas a estrutura, mas também o dia a dia comercial e societário”.

Estruturação jurídica

Os especialistas enfatizaram que uma multipropriedade saudável depende diretamente de projetos juridicamente bem estruturados, especialmente em três frentes:

  1. Condomínio e convenção específicos para a realidade do empreendimento — e não modelos genéricos.
  2. Acordos de cotistas completos para os veículos societários (SPVs), prevenindo conflitos e garantindo previsibilidade.
  3. Mecanismos de governança, como:
  • regras de administração já previstas na convenção,
  • previsão de taxa pré-operacional,
  • definição clara de poderes, responsabilidades e limites da incorporadora e da administradora.

Conforme destacou Diego Amaral, “não existe projeto bem-sucedido sem um alinhamento jurídico-financeiro entre incorporador, administrador e comercializadora; a convenção e os contratos precisam refletir essa realidade desde o início”.

Risco CVM

Um dos pontos mais sensíveis discutidos foi o risco de enquadramento dos projetos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sempre que vendedores prometem lucratividade, rentabilidade ou garantia de retorno ao comprador — ainda que de forma verbal.

 “A CVM não precisa de contrato para agir. A fala de um único vendedor pode gerar uma autuação e paralisar um empreendimento inteiro”, disse Diego Valim.

Os advogados reforçaram práticas essenciais de mitigação:

  • treinamento jurídico contínuo dos vendedores,
  • manual claro de condutas proibidas,
  • responsabilização formal dos profissionais de vendas,
  • auditoria periódica da comunicação comercial,
  • política explícita de vedação a promessas financeiras.

Judicialização em massa

Outro tema em destaque foi o fenômeno da judicialização em série, especialmente em mercados onde existe concentração de ações idênticas — muitas vezes impulsionadas por escritórios que atuam em massa.

Segundo os painelistas, a defesa eficiente depende de:

  • padronização de procedimentos,
  • diagnóstico constante dos tribunais locais,
  • separação entre demandas legítimas e litigância predatória,
  • relatórios gerenciais robustos para tomada de decisão,
  • estratégias de acordo que evitem efeito multiplicador.

Para Mendonça, a previsibilidade é chave. “Não há operação imune a ações, mas há operações preparadas para elas’’.

Proteção patrimonial e responsabilidade dos sócios

Os advogados alertaram que muitos empreendedores subestimam a importância de blindagem societária. A recomendação recorrente foi a utilização de SPE com governança clara, evitando exposição dos sócios no caso de eventual desconsideração da personalidade jurídica. Também defenderam:

  • regras claras de recompra e liquidez,
  • seguros e mecanismos de mitigação,
  • acordos de acionistas que prevejam saída, morte ou dissolução societária.

Compliance comercial

Todos os participantes destacaram que o maior risco jurídico do setor não está na lei, mas na ponta comercial. O painel reforçou a necessidade de:

  • compliance ativo em salas de vendas,
  • monitoramento de discursos e argumentações,
  • atualização contínua de materiais publicitários,
  • alinhamento entre marketing, jurídico e vendas.

 “O marketing vende o sonho; o jurídico precisa garantir que esse sonho seja verdadeiro’’, concluiu Diego Amaral

Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.

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  • O Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2026 a convite da ADIT Brasil.
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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado