O mercado de multipropriedade no Brasil vem evoluindo de forma significativa, com destaque para o avanço das vendas e a redução dos níveis de estoque. Esse é um dos principais insights do “Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil”, relatório produzido anualmente pela Caio Calfat Real Estate Consulting, com base em informações coletadas em banco de dados próprio e junto aos agentes do setor.
O mais recente relatório foi apresentado durante o ADIT Share 2026 pelo diretor-geral e a diretora de projetos da Caio Calfat Real Estate Consulting, Caio Calfat e Fernanda Nogueira.
Na comparação entre 2020 e 2025, o número de empreendimentos saltou de 109 para 216. Em termos de expansão territorial, em 2025, a multipropriedade chegou a 97 cidades de 18 estados – 30 municípios a mais do que em 2020. Dados preliminares de 2026, obtidos até o fechamento do relatório, que comemora 10 anos, revelam que o mercado hoje conta com 224 empreendimentos em 99 cidades de 18 estados brasileiros.
Considerando o total da oferta, 119 multipropriedades estão prontas, 84 em construção e 21 em fase de lançamento de projeto. Considerando as unidades habitacionais, o número saltou de 42.569 para 44.027, na comparação de 2025 com 2026, um crescimento de 3,4%. O volume de frações seguiu a curva ascendente e avançou 5,1%, totalizando 1.265.403 frações neste ano.
No mesmo intervalo de tempo, o VGV potencial ultrapassou a marca de R$ 100,5 bilhões, um aumento de 8,5% na comparação com os R$ 92,6 bilhões de 2025. O desempenho comercial também se destaca na análise: o VGV vendido saltou 24,4% em 2026, saindo de R$ 53,3 bilhões para R$ 66,3 bilhões, indicando R$ 13 bilhões em vendas de frações no periódo. Isso fez o estoque cair de 42,5% para 34%, o que releva um ganho importante em absorção do produto pelo mercado.
A retração no estoque é observada em todos os estágios na comparação dos resultados de 2025 e 2026: entre os empreendimentos prontos, a queda foi de 16,5% para 8,9%; entre as multipropriedades em construção, o declínio foi de 48,2% para 41% e entre as unidades em fase de lançamento a redução foi de 87,8% para 69,5%. Os números mostram uma demanda maior em relação aos produtos já entregues, mas também revela o aumento da confiança em relação à compra de empreendimentos nas fases iniciais.
Na comparação entre os estágios de desenvolvimento, o relatório mostra movimentos diferentes em termos de conversão, mas segue a mesma lógica do estoque. Entre os empreendimentos prontos, o VGV potencial soma R$ 35,1 bilhões, dos quais R$ 32 bilhões já foram convertidos em vendas, enquanto nas unidades em construção, o VGV potencial está em R$ 50,6 bilhões e o VGV vendido chegou a R$ 29,8 bilhões.
Considerando somente os projetos em fase de lançamento, o VGV potencial é de R$ 14,9 bilhões enquanto o vendido registra R$ 4,5 bilhões.
Para Caio Calfat, “embora o crescimento seja considerado discreto, ele confirma um mercado consolidado, assim como o próprio relatório”, diz, antecipando uma mudança importante no estudo já para a edição de 2027. “Acompanhamos a evolução do setor a partir de diferentes perspectivas e impactos, entre os quais estão crises econômicas, políticas, pandemia, crescimento, retração e recuperação da indústria. Vamos iniciar uma nova década com um novo estudo, um modelo que observa e analisa todas essas frentes”, diz.
Organizado pela ADIT Brasil (Associação para Desenvolvimento Turístico e Imobiliário do Brasil), o ADIT Share é o principal fórum para debater o mercado de multipropriedade e timeshare no Brasil, e este ano acontece em Campos do Jordão, nos dias 06 e 07 de maio, além de visitas técnicas no dia 08.
- O relatório poderá ser visto no LINK.
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