O SAHIC 2026, principal fórum de investimentos turístico e imobiliário para América Latina e Caribe, abriu sua 20ª edição nesta segunda-feira (23), no Fairmont Rio, reunindo lideranças de grandes redes para discutir investimentos, expansão e novos formatos imobiliários que vêm redesenhando a hotelaria na América Latina e no Caribe. O fórum acontece durante os dias 23 e 24 de abril.
Na abertura do evento, executivos da Marriott, Accor, BWH Hotels e GHL, anteciparam tendências para os próximos anos em um cenário de retomada do turismo, maior seletividade do capital e avanço de modelos como conversões, uso misto e branded residences.
Participaram da conversa Bojan Kumer (Regional VP de Desenvolvimento Hoteleiro para CALA, Marriott), Abel Castro (Chief Development Officer para as Américas, Accor), Ricardo Manarini (Country Manager Brasil, BWH Hotels) e Andres Fajardo (CEO, GHL). Os executivos apontaram um ponto comum: o mercado vive um ciclo de crescimento, mas com investidores mais exigentes, buscando destinos consolidados e ativos com performance comprovada, além de parcerias capazes de reduzir risco e acelerar a entrega de projetos.
No recorte regional, a leitura foi de otimismo com cautela. As redes destacaram que a demanda pós-pandemia mantém tração e influencia decisões de produto e expansão, enquanto fatores como inflação, custos operacionais e instabilidades externas (como variações em energia e passagens) seguem no radar. Ainda assim, a avaliação predominante foi a de que o setor tem mostrado capacidade de adaptação e encontra oportunidades relevantes em diferentes perfis de destino — do urbano ao lazer, do econômico ao luxo.
Ao detalhar estratégias, a Marriott ressaltou o avanço em CALA e o desempenho em conversões, além de reforçar o foco na América do Sul, com atenção especial ao Brasil. A companhia também indicou movimento de ampliação de portfólio e presença em segmentos como luxo, projetos mixed-use e all-inclusive, além da expansão da marca City Express.
A Accor, por sua vez, descreveu uma abordagem diferenciada por país, combinando crescimento orgânico no Brasil e desenvolvimento estratégico em mercados como México, além de atenção a países como Argentina, Chile, Peru, Colômbia e destinos do Caribe. A lógica, segundo a leitura apresentada, é priorizar mercados com demanda consistente e projetos com melhor relação entre risco e retorno, favorecendo ativos já inseridos em praças mais consolidadas.
A BWH Hotels enfatizou o papel de marca e plataforma para hoteleiros independentes, com uma proposta de suporte comercial e operacional e condições competitivas para expansão no Brasil. A rede também citou ambição de crescimento acelerado no país nos próximos anos, enquanto acompanha oportunidades em destinos guiados por experiência — com menções a tendências como bem-estar e produtos de maior valor agregado em praças específicas.
Já a GHL reforçou seu posicionamento como operadora regional multimarcas e destacou o México como uma frente relevante, tanto pelo tamanho do mercado quanto pela disponibilidade de ativos e espaço para profissionalização da operação em algumas praças. A empresa sinalizou interesse em estratégias de crescimento via parcerias e movimentos corporativos, defendendo que conhecimento local e flexibilidade operacional são diferenciais para sustentar a performance.
Além dos planos de expansão, a coletiva dedicou espaço ao debate sobre capital: a percepção compartilhada foi a de que há apetite, mas ele tende a se concentrar em projetos com tese clara, execução viável e alinhamento entre proprietário, operadora e bandeira. Nesse contexto, conceitos como “direito de vencer” (vantagem real para competir em um mercado) e a busca por estruturas “ganha-ganha” apareceram como síntese do momento: cresce quem consegue combinar marca, destino, produto e disciplina financeira.
- Acompanhe mais de nossa cobertura do SAHIC 2026 em nossas redes sociais.
- O Turismo Compartilhado cobre o evento a convite do SAHIC.



