Com um tom de otimismo cauteloso, o primeiro dia do SAHIC 2026 teve como eixo principal: Capital, financiamento e tese de investimento. Com uma programação completa e diversificada, os painéis e palestras, no geral, buscaram responder uma pergunta: “Para onde o dinheiro está indo na hotelaria da América Latina e por quê?”.
O SAHIC é o principal fórum de investimentos e negócios para o mercado turístico e imobiliário da América Latina e este ano acontece no Rio de Janeiro, nos dias 23 e 24 de março.
Com painéis sobre financiamento, aquisição versus desenvolvimento e promoção de destinos, emergiu uma visão macro clara: o capital flui para projetos “bancáveis”, com tese de demanda comprovada, em mercados consolidados. Mas por quê? Crescimento global mais lento, custos de capital elevados e volatilidade geopolítica e energética impõem disciplina. “2026 premia projetos com tese clara de demanda, capex calibrado e estrutura resiliente”, resumiu Oswaldo López, economista do CAF, na palestra de abertura.
Macro Desafiador, Capital Exigente
O cenário para 2026, traçado por López, aponta crescimento resiliente, mas desacelerado (EUA e China em ritmo menor), dólar fraco com reversões, juros em “novo normal” alto e energia pressionando custos. Na América Latina, a heterogeneidade reina: Brasil desacelera com fiscal em foco, mas câmbio forte alivia inflação. Implicação? Menos demanda “massiva”, mais segmentos previsíveis como lazer e urbano upscale.
No painel “Financiando o Futuro”, com Daniel Arévalo (IDB Invest), Luiz Daniel de Campos (IFC), Rogerio Basso (Impactum), Cristian Roberts (CREO Capital) e Danilo Monteiro (CBRE), o capital institucional cresce (mais de 10% anual em real estate global; hotelaria no Brasil salta de 4 a 5% para 7a 8% do volume investido). Mas é seletivo: prioriza visibilidade de caixa (ativos branded estabilizados), plataformas escaláveis (lazer regional) e retrofit/reposicionamento. O Capital existe, mas quer ‘cara de bancável'”, destacou o debate.
Aquisição Ganha de Greenfield
No painel “Aquisição ou Desenvolvimento”, o ciclo favorece compra e retrofit: greenfield leva de 6 a 8 anos para retorno; já aquisição gera caixa em cerca de um ano via gestão ativa, rebrand e capex disciplinado. Liquidez ainda fraca, mas fundos retail e juros menores ajudam. Resorts performam, mas complexidade limita institucionais. Brasil atrai além RJ/SP (Brasília, Recife, Curitiba), com Lei Geral do Turismo, incentivos federais, estaduais e municipais.
Por Quê Essa Direção? Resiliência em Tempos Voláteis
Dinheiro vai para consolidado e híbrido porque investidores sofisticados evitam risco: preferem conversões, mixed-use e ESG. Desafios: burocracia, mão de obra, inflação, petróleo/aéreo (impacto curto, mas exige custo controlado).
- O Turismo Compartilhado cobre o evento a convite do SAHIC.
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