- Entrevista com Roberto Kwon, CEO do Amazon Parques & Resorts
Com a crescente busca por empreendimentos que aliam lazer, inovação e responsabilidade, o Amazon Parques & Resorts destaca-se como um player notável no cenário de multipropriedade. Conversamos com Roberto Kwon, CEO da empresa, para explorar a fundo a visão por trás deste projeto temático amazônico em Penha (SC).
Nesta entrevista exclusiva, o executivo detalha como a sustentabilidade é implementada de forma prática e viável, fugindo do greenwashing, e como o empreendimento se posiciona frente aos desafios e oportunidades do mercado. Ele aborda, também, a importância de parcerias estratégicas e o profundo entendimento do viajante contemporâneo, que busca experiências autênticas e com propósito.
Como os empreendimentos turísticos têm integrado a sustentabilidade ao core do negócio?
Para nós, é de fundamental importância implantar recursos cada vez mais sustentáveis e novas tecnologias, especialmente logo após uma COP 30 que reforçou o alerta sobre as condições climáticas, o que levantou discussões sobre a importância de impulsionar projetos e gerar benefícios àqueles que aplicam esse tipo de solução, barateando custos. Digo isso porque a integração da sustentabilidade ao core do negócio, em especial de um empreendimento, é um exercício diário de equilíbrio entre o ideal e o viável, ou seja, o possível.
O Brasil já evoluiu; porém, a tecnologia verde de ponta ainda é extremamente cara no país para as incorporadoras. A carga tributária sobre equipamentos, o custo do capital (juros) e a logística encarecem muito a obra, especialmente se pensarmos em um produto de multipropriedade focado em famílias de classe média. Se tentarmos incorporar todas as tecnologias sustentáveis hoje disponíveis, preservando o alto padrão construtivo, o valor do metro quadrado ou da cota de multipropriedade atingiria um patamar que o consumidor brasileiro não conseguiria absorver. Um produto comercialmente inviável compromete a continuidade do empreendimento e, consequentemente, deixa de ser sustentável sob qualquer perspectiva. Por isso, no Amazon Parques & Resorts, optamos por uma estratégia pautada na sustentabilidade de eficiência e valor, e não na chamada “sustentabilidade de gadgets”.
Nós não adotamos recursos apenas para obter selos ou gerar marketing se não houver um payback (retorno) claramente identificado, que efetivamente beneficie o condomínio, o proprietário e a região. Por isso, priorizamos soluções de materiais e de construção eficientes, que reduzam ao máximo o desperdício e favoreçam a ventilação natural e o aproveitamento da iluminação, além de sistemas fotovoltaicos, reuso de água, tratamento de efluentes e iniciativas que promovam a integração das pessoas com a natureza.
No resort, teremos ainda uma área de reflorestamento com mais de 2 mil m² dentro do próprio empreendimento e uma obra 100% elétrica, eliminando o uso de gás GLP tanto na cozinha industrial quanto no aquecimento de água.
O grande diferencial é a nossa “embaixadora”, a Amazônia, que incorpora de forma sutil a consciência ambiental inspirada na maior floresta tropical do mundo. A própria temática amazônica que estamos implantando — algo inédito no mundo nesse setor — por meio do design e da conscientização, de um paisagismo que traga a natureza da nossa região, mas que também apresente plantas da Amazônia apropriadas para o nosso clima, faz muita diferença. O Amazon carrega uma força global e, com isso, abre um leque de possibilidades para um cronograma contínuo de ações com nossos clientes e com a comunidade em geral.
Ou seja, investimos em paisagismo, atrativos que motivam a conscientização ambiental, fornecedores locais, gestão de resíduos, aplicação de materiais eficientes e sustentáveis e uma gestão hoteleira altamente eficiente, que será feita por meio da global Wyndham Hotels & Resorts, garantindo a construção de um legado e a manutenção de um empreendimento de altíssima qualidade. Fazemos o que é possível dentro da nossa temática, pretendemos fazer cada vez mais, sem interferir na viabilidade do negócio. E acreditamos em uma futura evolução do Brasil para facilitar o acesso a soluções cada vez mais eficientes.
A adoção de tecnologias verdes, como gestão inteligente de recursos hídricos e energéticos, já tem contribuído para aumentar o valor da marca?
A nossa bandeira é sustentável, e entendemos que qualquer ação voltada à proteção do planeta, mesmo as mais simples, como a separação adequada de resíduos, já transforma o ambiente em que vivemos. Para nós, o valor de uma marca está diretamente ligado à consciência genuína de gerar impacto positivo. Dessa forma, acreditamos que atitudes autênticas, consistentes e alinhadas ao propósito do negócio fortalecem a marca e se refletem na percepção dos nossos clientes e parceiros.
Quais modelos de parceria entre setor privado e poder público podem ser eficientes para ampliar o impacto ambiental e social do turismo sustentável?
Além do que já comentei na resposta anterior sobre incentivos para facilitar o acesso das incorporadoras a tecnologias cada vez mais sustentáveis, barateando custos, é importante pensar no todo. Um empreendimento só alcança o sucesso se a região em que está inserido também evoluir na mesma proporção. Portanto, acreditamos em modelos de parcerias público-privadas para, por exemplo, a conversão de taxas em obras (contrapartidas inteligentes), ou seja, em vez de pagarmos taxas de impacto de vizinhança que vão para um ‘caixa único’, o modelo seria a execução direta. A prefeitura aprova o projeto, e nós, empreendedores, executamos a obra de infraestrutura (uma estação de tratamento de esgoto, uma praça, um acesso viário). Nós fazemos mais rápido, com custo menor e qualidade controlada, o que amplia o impacto ambiental e social imediatamente.
Outra solução que já demonstrou eficácia é a adoção de parques, praças e acessos à praia. O poder público cede o espaço ou a gestão, e a iniciativa privada assume a manutenção e a limpeza. É um modelo ganha-ganha: a cidade fica bem cuidada sem custo para o contribuinte, e o empreendimento ganha um entorno valorizado e seguro para seus hóspedes. Isso é sustentabilidade na prática. Além disso, o grande impacto social é a geração de empregos, por isso a necessidade de um negócio ser viável para os envolvidos. Uma parceria eficiente seria: o poder público cede o espaço (escolas, centros comunitários) e nós entramos com o know-how técnico para treinar a população local para trabalhar no turismo, por exemplo. A união, de fato, faz a força.
Como o comportamento do viajante contemporâneo tem influenciado o desenvolvimento de projetos e experiências turísticas sustentáveis?
Ele viaja mais vezes por ano, combina lazer com trabalho remoto, valoriza experiências autênticas e está muito mais atento à relação entre custo, qualidade e propósito do destino. Pesquisas sobre multipropriedade mostram um público majoritariamente composto por casais e famílias, de 30 a 59 anos, que preferem destinos de praia, têm renda intermediária a alta e já possuem imóvel próprio quitado. Ou seja, não buscam apenas “hospedagem”, mas um estilo de vida que possa ser repetido ano após ano com conforto, segurança e consciência.
No Amazon Parques & Resorts, por exemplo, a escolha da temática amazônica atende a esse desejo pela qualidade, por experiências imersivas, conectadas à natureza e à cultura brasileira, mas em um formato de multipropriedade que permite combinar férias em Penha com o intercâmbio para outros 4.200 resorts em 110 países via RCI e gestão da líder global na área: a Wyndham.
Outro ponto é a busca por marcas coerentes. O hóspede quer ver, na prática, o discurso de bem-estar, sustentabilidade e impacto positivo, que se manifesta no uso de fornecedores locais, no respeito às comunidades, na geração de empregos e no estímulo à economia criativa. Isso é visível nas parcerias do Amazon com produtores locais e no apoio a eventos esportivos que reforçam a saúde e a ocupação qualificada do espaço urbano. Em resumo, o comportamento do viajante contemporâneo está forçando o setor a sair do turismo de massa para um turismo de sentido, ou seja, mais experiências, mais consciência e mais compromisso com o legado que cada empreendimento deixa no território em que se instala.



