Insights Estratégicos do Conteúdo:
- Pesquisa inédita sobre perfil e consumo da população LGBTQIA+ brasileira foi lançada na abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em São Paulo.
- Realização: Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil + IEMI – Inteligência de Mercado.
- Pioneirismo: junta em um só levantamento perfil socioeconômico, comportamento de consumo e práticas turísticas, com foco aplicado ao mercado.
- Trata consumo e turismo como dimensões complementares: amplia o entendimento sobre escolhas de compra, relação com marcas, decisão por destinos, percepção de acolhimento e fatores de segurança.
- Dimensão do público: Brasil tem 21.555.524 pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais.
- Para a Embratur, é preciso apresentar o turismo LGBTQIA+ como negócio, não só hospitalidade — o retorno financeiro é relevante para atrair grandes empreendedores.
- A base de dados da pesquisa permitirá acompanhar mudanças de comportamento; nova edição prevista para 2027, com pesquisas internacionais em breve.
- Para a ABAV, o trade, com protagonismo do agente de viagens, precisa investir em capacitação, letramento e empatia — atendimento hiperpersonalizado, com o agente como curador de experiências.
- Para a Fornatur, dados como base para políticas públicas e qualificação de destinos — inclusão precisa estar no planejamento, não só no discurso.
- Dados confiáveis ajudam a combater estereótipos, substituir achismos e orientar decisões mais conscientes.
- Ferramenta para empresas, destinos e marcas desenvolverem estratégias mais alinhadas às necessidades do público.
- Público diverso, que trabalha, empreende, viaja e influencia o mercado — mas ainda enfrenta barreiras, preconceitos e lacunas de atendimento.
- O levantamento reafirma o compromisso com um turismo mais inclusivo e uma sociedade que reconhece a diversidade em sua pluralidade.
Uma pesquisa inédita sobre o perfil e o comportamento de consumo da população LGBTQIA+ brasileira, com destaque para seus hábitos e práticas relacionadas ao turismo, foi lançada oficialmente durante a abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, no Centro Cultural São Luiz, em São Paulo.
Realizado pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, o levantamento reúne informações sobre perfil socioeconômico, poder de compra, estilo de vida, hábitos de consumo, relacionamento com marcas e empresas, além de escolhas, motivações e experiências da população LGBTQIA+ enquanto viajante e consumidora de produtos e serviços turísticos.
A iniciativa é pioneira ao reunir, em uma mesma abordagem, perfil, comportamento de consumo e práticas turísticas da população LGBTQIA+, com foco aplicado ao mercado. Ao tratar consumo e turismo como dimensões complementares, a pesquisa amplia o conhecimento sobre escolhas de compra, relacionamento com empresas, decisão por destinos, percepção de acolhimento e fatores que favorecem experiências mais seguras e respeitosas.
Segundo os dados levantados, o Brasil possui 21.555.524 pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais. O número representa uma dimensão populacional expressiva. Se essa população fosse considerada um país, ocuparia a 44ª posição entre as nações mais populosas do mundo na comparação com populações adultas, seria a 8ª maior população das Américas, considerando o Brasil, e teria mais habitantes que 152 países, entre eles Portugal, Grécia, Áustria, Suíça e Bélgica.
Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, o levantamento contribui para dimensionar a importância econômica e social da população LGBTQIA+, além de revelar desafios enfrentados por esse público em diferentes ambientes de consumo e turismo.
“Considero esta pesquisa muito importante porque, a partir de um levantamento abrangente, realizado em todo o Brasil com diferentes perfis de consumidores, ela permite compreender, de um lado, a relevância econômica da população LGBT e sua participação no consumo no país. De outro, ajuda a identificar suas necessidades como consumidores, cidadãos e, especialmente, turistas que viajam pelo Brasil e para o exterior e utilizam diversos produtos e serviços. Compreender essas necessidades, os desafios enfrentados e os ambientes em que essas pessoas, por vezes, sentem que precisam ocultar sua identidade é fundamental para atendê-las melhor e reconhecer suas demandas”, ressalta Prado.
Turismo LGBTQIA+ como oportunidade de mercado
Para Tania Neres, Coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, o lançamento representa também um avanço para que o mercado compreenda a população LGBTQIA+ para além da perspectiva da hospitalidade, reconhecendo sua relevância econômica.
“Bom, eu quero parabenizar a Conferência Internacional da Diversidade, que, para 10 anos, é uma grande vitória, e mais uma vitória que vai ser comemorada aqui, que é o lançamento dos dados, da pesquisa de dados sobre o comportamento do turismo LGBT, dos viajantes brasileiros LGBTs. É muito importante que a gente saiba isso, porque muitas vezes as pessoas só acham que a gente está falando de hospitalidade e acolhimento, sim, porque é necessário e obrigatório, mas a gente precisa mostrar isso como negócio, até para que os grandes empreendedores entendam o quanto é importante tratar toda a comunidade LGBT de forma realmente acolhedora, porque o retorno financeiro é muito importante”, ressalta Tânia Neres.
Tania também destacou a importância de estabelecer uma base de dados que permita acompanhar as transformações do comportamento desse público ao longo dos anos.
“E é com esse resultado dos dados, que é algo que a Embratur também tem feito, a gente vai trazer também, em breve, resultados de pesquisas internacionais, mas eu acho que a gente entendeu o Brasil primeiro. É muito importante o que a Câmara fez e que está fazendo e que já tem cinco anos que ele vem tentando que isso aconteça. Então, a gente está muito feliz em ver a emoção do Ricardo, inclusive, desse lançamento hoje, e a gente está aqui sempre firme na parceria e, no próximo ano, também seremos parceiros. E queremos que todos os destinos, o trade em si, participe desse investimento, porque é algo que deve ser investido. Precisa de uma questão mesmo de investimento financeiro para que ele consiga e que a gente tenha como base agora 2026 e que, em 2027, teremos outra pesquisa, para que a gente sempre saiba o que é que está acontecendo e quais mudanças foram depois desse resultado”, conclui.
Capacitação e personalização das experiências
A presidente da ABAV Nacional – Associação Brasileira de Agências de Viagens, Ana Carolina Medeiros, destaca a importância de transformar os dados da pesquisa em conhecimento aplicado pelos profissionais do turismo.
“O trade, com o protagonismo do agente de viagens, precisa investir em capacitação e letramento para atuar com empatia, para que o setor cumpra sua essência fundamental de contribuir para que cada destino seja especial para todas as pessoas, atendendo às necessidades de cada viajante. A partir dos tópicos estudados, como perfil socioeconômico, poder de compra, estilo de vida, entre outros, o profissional consegue estudar melhor o público, expandindo para uma visão holística e hiperpersonalizada, em que o agente atua como um verdadeiro curador de experiências humanas”, enfatiza.
Ana Carolina ressalta ainda que conhecer as particularidades de cada viajante é parte fundamental do processo de inclusão.“Compreender a fundo a personalidade de cada cliente significa ir além e abraçar todas as formas de inclusão. Ao identificar essas necessidades pontuais e moldar o roteiro ao indivíduo, e não o contrário, o profissional garante que toda e qualquer pessoa sinta um pertencimento real e um acolhimento genuíno nos destinos.”
Para Marina Marinho, presidente do Fornatur, os dados também poderão contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas e para a qualificação dos destinos turísticos brasileiros.
“Para o Fornatur, esses dados serão fundamentais para orientar políticas públicas, qualificar destinos e preparar o turismo para acolher todas as pessoas. Inclusão não pode ser apenas discurso: precisa estar no planejamento, nas oportunidades e em cada experiência. Porque o turismo só transforma de verdade quando ninguém fica de fora”, conta Marina.
Dados para combater estereótipos e orientar decisões
A pesquisa também reforça a importância da produção de dados confiáveis sobre a população LGBTQIA+. A iniciativa pode abrir caminhos para novos debates e iniciativas, contribuindo para combater estereótipos, superar percepções baseadas em achismos e reconhecer a diversidade LGBTQIA+ em toda a sua complexidade.
Ao transformar experiências em informação, o levantamento oferece ferramentas para decisões mais conscientes, tanto na construção de ambientes acolhedores quanto no desenvolvimento de estratégias de negócios mais alinhadas às características e necessidades desse público.
“Realizar essa pesquisa no Brasil é, portanto, motivo de celebração. É reconhecer a força, a diversidade e a importância da comunidade LGBTQIA+, além de reafirmar o nosso compromisso com um país que valoriza seus diferentes públicos e entende que inclusão também significa conhecer, respeitar e atender às pessoas em sua pluralidade, em sua diversidade”, afirma Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.
Compreender a população LGBTQIA+ em suas dimensões sociais, econômicas, culturais e de consumo é essencial para empresas, entidades, destinos turísticos, marcas e instituições que desejam atuar de forma mais inclusiva, responsável e alinhada às transformações da sociedade brasileira.
Trata-se de um público diverso, que trabalha, empreende, viaja, consome e influencia decisões de mercado, mas que ainda enfrenta barreiras, preconceitos e lacunas de atendimento.
Os dados apresentados no relatório retratam o perfil socioeconômico, os hábitos de vida, o comportamento de consumo e as práticas de turismo da população LGBTQIA+ brasileira. As informações permitem compreender características desse público, suas preferências, motivações e padrões de consumo em diferentes categorias de produtos e serviços, com destaque para o setor de turismo.
O lançamento da pesquisa marca um dos momentos da programação da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, que reúne representantes do poder público, empresas, entidades, profissionais do turismo, especialistas e lideranças para discutir diversidade, inclusão, economia e novas oportunidades para a população LGBTQIA+.






