Resumo do Conteúdo:
- Artigo de Fernando Salomão, CEO da Verta&Co
- O futuro do setor: O próximo ciclo do mercado de multipropriedade será definido pelas empresas que adotarem uma estrutura de governança real, baseada em disciplina e transparência.
- O alto volume de vendas (VGV) não é suficiente. A multipropriedade é uma operação financeira longa (gestão de recebíveis, contratos e condomínios) que exige governança para garantir previsibilidade.
- Institucionalização (Modelo EUA): Mercados maduros operam com conselhos independentes, comitês de risco e auditorias, separando acionistas de executivos. Nesse cenário, a governança deixa de ser custo e passa a ser um ativo gerador de confiança.
- O risco da centralização: O modelo brasileiro de concentrar todas as decisões no empreendedor funciona apenas em projetos pequenos. Em escala, a centralização vira um gargalo operacional e um risco sistêmico para o negócio.
- Impacto direto no Valuation: Projetos com governança estruturada acessam funding com taxas menores, facilitam a securitização, atraem investidores estratégicos e reduzem riscos jurídicos.
- Sobrevivência de mercado: A governança não é um luxo corporativo, mas um pré-requisito para a escala. Quem se estruturar agora estará à frente na seleção natural do amadurecimento do setor no Brasil.
Existe uma palavra que ainda causa desconforto em parte do mercado de multipropriedade: governança.
Talvez porque governança exige disciplina.
Talvez porque exige transparência.
Talvez porque exige abrir mão do controle absoluto.
Mas a verdade é simples: o próximo ciclo do setor será definido por quem tiver estrutura de governança real.
- O crescimento brasileiro aconteceu antes da estrutura
Nos últimos anos, vimos projetos atingirem centenas de milhões em VGV em pouco tempo. Isso mostra capacidade comercial. Mas multipropriedade não é apenas venda. É operação financeira de longo prazo.
Quando falamos de:
– Recebíveis parcelados em 60, 84 ou 120 meses
– Gestão de centenas ou milhares de contratos ativos
– Administração condominial futura
– Relação com investidores e fundos
Estamos falando de uma estrutura que exige governança profissional.
Não é sobre formalidade. É sobre previsibilidade.
- O modelo americano é institucional, não personalista
Nos Estados Unidos, grandes players do setor operam com:
– Conselhos de administração independentes
– Comitês de risco
– Auditorias recorrentes
– Relatórios financeiros estruturados
– Governança separando acionistas de executivos
Isso gera confiança institucional.
Investidores analisam empresas como Marriott Vacations Worldwide ou Hilton Grand Vacations olhando para:
– Estrutura de dívida
– Performance de carteira
– Taxas de inadimplência
– Índices de recompra
– Indicadores de satisfação
Governança não é custo. É ativo.
- O risco do modelo centralizador
No Brasil, ainda é comum que o empreendedor concentre:
– Estratégia
– Comercial
– Financeiro
– Decisão societária
– Contratação
– Aprovação de exceções
Isso funciona enquanto o projeto é pequeno.
Depois disso, vira gargalo.
Pior: vira risco sistêmico.
Uma decisão emocional pode comprometer anos de construção.
- Governança aumenta valuation
Projetos com governança estruturada:
– Acessam funding com taxa menor
– Têm maior credibilidade bancária
– Conseguem estruturar securitização
– Atraem investidores estratégicos
– Possuem menor risco jurídico
Governança não é luxo corporativo.
É pré-requisito para escala.
O mercado brasileiro está amadurecendo.
E quem estruturar governança antes da necessidade se antecipará à seleção natural do setor.

- Fernando Salomão é Empreendedor e estrategista, com trajetória consolidada em vendas, marketing e gestão de alta performance.Atuou por 13 anos na maior construtora da América Latina, liderando times comerciais e estruturando modelos de crescimento escalável. É graduado em Publicidade e Propaganda pelo UNI-BH, com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC e MBA em Finanças pela FGV.
Atualmente é CEO e sócio da Verta&CO, holding especializada em inteligência comercial, inovação e performance empresarial.
Sob sua liderança, a Verta evoluiu de consultoria para plataforma de negócios, expandindo presença em mais de 15 destinos, incluindo EUA, e consolidando marcas com DNA próprio em vendas, tecnologia e experiência do cliente.
Seu foco hoje está em estratégia corporativa, governança e crescimento sustentável, construindo empresas que aliam alta performance a resultados consistentes no longo prazo.






