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Pedro Cypriano, Ronaldo Beber, Kiko Burger e Alessandro Cunha

SINDEPAT Summit 2026 revela a visão dos CEOs das empresas de entretenimento no Brasil

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Resumo do Conteúdo:

  • Ronaldo Beber, da Gramado Parks, Kiko Burger, da Grupo Oceanic, Alessandro Cunha, da Aviva, e Pedro Cypriano, da Noctua, participaram do painel CEO Talks
  • Receitas subiram mesmo com demanda estável, segundo o Panorama Setorial da Noctua Advisory.

Gramado Parks

  • +15% visitantes e +30% receita no início de 2026.
  • Resultados puxados por novas atrações, força de marca e integração com hotelaria.
  • Foco em atrações de menor risco e retorno rápido (shows, museus, experiências imersivas).

Grupo Oceanic

  • Crescimento de 30% em 2025 (50% orgânico, 50% abertura de roda-gigante).
  • Estratégia de internalização (alimentação, ingressos, operação).
  • Aposta em regionalização e entrada no segmento hoteleiro para empreendimentos integrados.

Aviva

  • Hot Park cresceu 67% em cinco anos (+35% em termos reais).
  • Força do modelo multiproduto (hotelaria + parques + recorrência).
  • Expansão de programas de recorrência para gerar previsibilidade e fidelização.

Tendência de retração e cautela

  • Demanda caiu 6% a 10% em 2026 (Copa do Mundo, eleições, crédito caro).
  • Juros altos limitam greenfields de grande porte.
  • Prioridade para CAPEX menor, retorno rápido e integração entre verticais.
  • Incentivos ao turismo seguem limitados, dificultando financiamentos.

Estratégias para o novo ciclo

  • Aviva: recorrência para previsibilidade e cliente fiel.
  • Oceanic: expansão com hotelaria e mais eficiência ao internalizar operações.
  • Gramado Parks: foco em atrações leves, rápidas e integradas à rede hoteleira.

O SINDEPAT Summit 2026 marcou o lançamento da 4ª edição do Panorama Setorial, estudo elaborado pela Noctua Advisory, em parceria com o Sindepat e Adibra, e reuniu alguns dos principais CEOs do entretenimento brasileiro para discutir desempenho, perspectivas e estratégias no atual cenário econômico. Participaram do debate Ronaldo Beber (Gramado Parks), Kiko Burger (Grupo Oceanic), Alessandro Cunha (Aviva) e Pedro Cypriano, fundador da Noctua.

De uma forma geral, a leitura dos executivos foi que 2025 o setor cresceu, mas não veio do aumento de visitantes, e sim da gestão inteligente de preços, reposicionamento de mix e maior eficiência operacional.

Segundo o Panorama Setorial, as empresas de parques, aquáticos e experiências turísticas aumentaram receita ao longo de 2025, mesmo com demanda relativamente estável. Isso foi confirmado pelos líderes no palco.

Gramado Parks

Com dois parques em Gramado (Snowland e Acquamotion), um parque aquático em Carneiros (Acquaventura) e duas rodas-gigantes (no Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu), Ronaldo Beber destacou que os primeiros meses de 2026 do entretenimento da Gramado Parks começaram com força.  “Nós crescemos 15% em visitantes e 30% em receita, e esse ano está se desenhando melhor que o anterior.”

O CEO frisou ainda que o desempenho é resultado direto da combinação entre novas atrações, fortalecimento da marca e integração com a rede hoteleira do grupo.

Grupo Oceanic

Para o Grupo Oceanic (com com 11 empreendimentos de entretenimento nas regiões Sul e Sudeste) , o avanço veio tanto da expansão quanto da otimização interna. “O Oceanic cresceu 30% no ano passado — metade veio de crescimento orgânico e metade da abertura da roda-gigante. Agora estamos focados em eficiência, trazendo áreas que eram terceirizadas para dentro”, explicou Kiko. A empresa também mira uma estratégia de regionalização, buscando atrair turistas do Nordeste e intensificar a presença local.

Aviva

A Aviva, que conta com o parque aquático Hot Park, no Rio Quente (GO), apresentou resultados expressivos para o entretenimento. “O Hot Park cresceu 67% em cinco anos. Em termos reais, mais de 35%. Grande parte disso veio da diversificação do produto e da integração entre hotelaria e parques’’, explicou Alessandro Cunha.

A operação se beneficia do modelo multiproduto do grupo — hotelaria, parques e programas de recorrência — que aumenta ocupação e dilui custos.

Retração de demanda e cautela

O estudo da Noctua também revelou uma queda entre 6% e 10% na demanda em 2026, movimento atribuído por Cypriano ao efeito Copa do Mundo, ao cenário eleitoral e ao alto custo de crédito no Brasil.

Os CEOs confirmaram a tendência:

  • Alta dos juros inviabilizando projetos greenfield de grande porte.
  • Cuidado com novos CAPEX, priorizando iniciativas menores e de retorno mais rápido.
  • Busca por modelos de ativos com baixos investimentos e integração entre verticais para aumentar ticket e recorrência.

 “O incentivo ao turismo no Brasil é limitado. O setor ainda tem dificuldades reais para financiar novos empreendimentos”, pontuou Ronaldo Beber. 

Estratégias para o novo ciclo: 

Diante do novo cenário, cada grupo apresentou caminhos distintos, mas complementares para sustentar crescimento.

Aviva aposta em recorrência e previsibilidade

A Aviva vem expandindo o uso de programas de recorrência, semelhantes ao timeshare, para garantir volume e fidelização. “Estamos construindo um cliente que volta mais vezes, que tem vínculo com a marca e gera receita antes mesmo da visita. Isso coloca previsibilidade no negócio”, comentou Alessandro.

Oceanic prepara expansão com hotelaria

Kiko ressaltou que o grupo vem reduzindo dependências externas.  “Ao internalizar operações de alimentação, ingressos e experiência, ganhamos eficiência e também flexibilidade para ajustar preços’’. O grupo já planeja a entrada no segmento de hospitalidade para formar empreendimentos integrados.

Gramado Parks intensifica prioriza shows e experiências

Ronaldo explicou que o grupo tem investido em atrações menores, de menor risco e alto potencial de fluxo.  “Estamos direcionando investimentos para shows, museus e experiências imersivas. São projetos mais leves e que se pagam mais rápido’’, disse ele. A conexão com a rede hoteleira é estratégica: hóspedes se tornam o principal canal para atrair visitantes aos parques.

“Os players estão mais racionais. Crescimento agora passa menos por expansão física e mais por inteligência comercial e de capital’’, concluiu Pedro Cypriano.

Picture of Por: Fabio Mendonça

Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado