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Bruno Lancetti, Murilo Pascoal e Brunno Teodoro

SINDEPAT Summit 2026 debate gestão de pessoas em parques turísticos

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Resumo do Conteúdo:

  • Experiência do visitante = experiência do colaborador. Estruturas e atrações não sustentam resultados sem equipes seguras, bem-cuidadas e bem-treinadas.
  •  O painel “Gente que faz a magia acontecer: o desafio de formar times de alta performance” reuniu Murilo Pascoal, CEO do Beach Park, Brunno Teodoro, diretor de Operações de Parques do Hot Beach Olímpia, e Bruno Lancetti, gerente de projetos da Intamin
  • Clareza reduz insegurança. Papéis, metas e processos definidos criam confiança e fortalecem operações de grande escala 
  • Liderança que comunica propósito diminui medo, aumenta engajamento e conecta times ao resultado.
  • Novas gerações exigem outra abordagem. Buscam bem‑estar, escuta ativa, desenvolvimento e pertencimento — ignorar isso acelera a perda de talentos .
  • Parques precisam antecipar comportamentos, não apenas reagir: rotinas mais humanas, ambientes horizontais e políticas reais de cuidado.
  • Apresentação do case do Hot Beach: nova escala de trabalho – 4×1.
  • Treinamentos de liderança focados em comportamento, não só técnica.
  • Setor ainda espera que líderes “se formem sozinhos”, o que não funciona mais.
  • Liderança deve ser agente de cultura e performance, não apenas gestora de escala e rotina.

 

A formação de equipes altamente preparadas, engajadas e capazes de sustentar a excelência operacional dos parques temáticos e atrações turísticas esteve no centro do debate durante o SINDEPAT Summit 2026. O painel “Gente que faz a magia acontecer: o desafio de formar times de alta performance” reuniu Murilo Pascoal, CEO do Beach Park, Brunno Teodoro, diretor de Operações de Parques do Hot Beach Olímpia, e Bruno Lancetti, gerente de projetos da Intamin, que mediou a conversa.

Ao longo da discussão, os executivos reforçaram que a experiência do visitante é indissociável da experiência do colaborador. Estruturas, atrações e investimentos perdem força sem equipes bem cuidadas, treinadas e emocionalmente seguras, uma equação que, segundo eles, exige liderança consistente e processos claros.

Pessoas no centro

Murilo Pascoal destacou que a base de qualquer operação sustentável é a construção de um ambiente de confiança. Ele reforçou que, em organizações grandes, a insegurança cresce quando há falta de clareza sobre papéis, objetivos e responsabilidades. Por isso, defender processos bem definidos, metas objetivas e comunicação transparente deixa de ser apenas uma boa prática para se tornar um fator de sobrevivência.

“A gente precisa tirar o medo das pessoas. Quando o líder se comunica bem, mostra o propósito e deixa claro o papel de cada um, a equipe naturalmente se conecta com o resultado”, afirmou Pascoal. Segundo ele, equipes motivadas não dependem apenas de incentivos, mas de segurança emocional, processos objetivos e líderes preparados.

Novas gerações

Brunno Teodoro apresentou uma outra perspectiva – as transformações no perfil da força de trabalho. Ele citou o impacto das novas gerações, que valorizam bem-estar, flexibilidade, pertencimento e desenvolvimento. Em setores que exigem presença física e rotinas rígidas, como parques e entretenimento, adaptar-se a essas expectativas envolve criatividade e coragem.

“A geração que está entrando quer ser ouvida, quer equilíbrio de vida, quer sentir que pertence. Se a gente continuar tratando as pessoas como tratávamos há 20 anos, vamos perder talentos muito rápido”, avaliou o executivo do Hot Beach.

Para o diretor do Hot Beach, o setor precisa deixar de apenas reagir e começar a antecipar comportamentos, oferecendo programas de escuta ativa, apoio psicológico, desenvolvimento contínuo e criação de ambientes mais horizontais. “É fácil falar ‘colaborador é nosso maior ativo’. Difícil é tomar decisões que realmente provem isso no dia a dia”.

O case da escala 4×1

Brunno Teodoro detalhou a mudança de escala operacional no Hot Beach Olímpia. A tradicional escala 6×1 foi substituída por uma 4×1,  uma inovação ousada em um setor com características particulares.

Os resultados surpreenderam:

  • 41% de redução nas ausências
  • 46% de queda no absenteísmo
  • NPS saltou de 55% para 66%
  • 93% dos colaboradores afirmaram que a nova escala influencia positivamente sua permanência
  • Nenhum aumento de custo operacional

A mudança só foi possível, segundo Teodoro, graças ao alinhamento entre empresa, sindicato e funcionários, além de uma negociação transparente e fundamentada em dados. Ele ressaltou que esse processo reforçou vínculo, aumentou o senso de pertencimento e validou a importância de olhar para as pessoas antes de olhar para os números.

 

Bem-estar como política

O painel também abordou iniciativas internas voltadas a saúde emocional e apoio social. Entre elas:

  • grupos de apoio para pais de crianças autistas;
  • grupos de acolhimento LGBTQIA+;
  • políticas contínuas de escuta e psicologia organizacional;
  • treinamentos de liderança voltados para comportamento e não apenas para técnica.

Essas ações, conforme os participantes, fortalecem laços, diminuem conflitos silenciosos e contribuem para equipes mais coesas.  “Quando a empresa enxerga o colaborador como ser humano — e não só como função — a performance deixa de ser uma cobrança e vira consequência’’, afirmou Murilo Pascoal.

Investimento em liderança

Se há um ponto que uniu todos os participantes, foi a constatação de que o gargalo do setor não está nas pessoas, mas nos líderes. Eles reforçaram que operadores de parques e atrações precisam investir mais em formação de líderes capazes de inspirar, comunicar e desenvolver equipes. 

A liderança, segundo eles, não deve ser apenas gestora de escala, checklist e rotina, mas agente estratégico de cultura e performance. “A gente investe pouco em formar líderes. Ainda esperamos que o líder vire líder sozinho, e isso não funciona mais’’, destacou o executivo do Beach Park.
“Se queremos times que façam magia para os visitantes, precisamos primeiro fazer magia para os nossos times’’, concluiu Brunno Theodoro.

Organizado pelo SINDEPAT (Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas), o SINDEPAT Summit é o principal evento do setor de parques e atrações no Brasil, reunindo líderes, executivos, investidores, fornecedores e especialistas, e neste ano acontece no Rio de Janeiro, nos dias 12, 13, 14 e 15 de maio.

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Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado