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Entrevista com Leonardo Ruffo, gerente geral da MME Vacation Club
Com quase 40 anos de atuação nas áreas de turismo imobiliário e hotelaria em Maceió (AL), a MME Empreendimentos construiu, ao longo do tempo, uma trajetória sólida também no segmento de turismo compartilhado. Desde 2009, a empresa vem apostando em diferentes formatos, como timeshare, multipropriedade e, mais recentemente, direito de uso em resort all inclusive.
Em entrevista ao Turismo Compartilhado, Leonardo Ruffo, gerente geral da MME Vacation Club, braço de propriedade compartilhada da MME Empreendimentos, explica como uma estratégia inicialmente voltada à ocupação dos empreendimentos evoluiu para se tornar um dos principais pilares de sustentabilidade financeira, relacionamento com o cliente e expansão da marca.
O primeiro produto de tempo compartilhado da MME foi lançado em 2009. Por que a empresa decidiu implantar o timeshare naquele momento?
Naquele período, a MME vivia uma fase intensa de estudos sobre o crescimento das grandes bandeiras hoteleiras no mundo e sobre quais estratégias permitiam a essas redes expandir seus empreendimentos com mais velocidade, consistência e previsibilidade.
Foi nesse contexto que percebemos que muitos desses grupos utilizavam modelos de férias compartilhadas, como o timeshare, não apenas como um produto turístico, mas como uma ferramenta estratégica para fortalecer a ocupação dos empreendimentos e sustentar a expansão das marcas.
O timeshare surgiu, então, como uma oportunidade de criar uma relação recorrente entre o cliente e o destino, estabelecendo um vínculo de longo prazo entre o hóspede e o empreendimento.
Além disso, o modelo contribui para gerar previsibilidade de ocupação e maior estabilidade financeira para o hotel, o que permite investir continuamente em melhorias, qualificação da experiência e crescimento da marca.
Para um destino turístico como Maceió, isso também representa um impacto positivo importante, já que ajuda a fortalecer o fluxo de visitantes ao longo dos anos. Naquele momento, a decisão da empresa foi apostar em um modelo já consolidado no exterior e iniciar o desenvolvimento desse mercado também no Brasil.
Quais foram os principais resultados e aprendizados dessa experiência?
O principal aprendizado foi entender que o turismo compartilhado vai muito além de uma venda imobiliária ou de hospedagem. Na prática, trata-se de uma relação de longo prazo com o cliente — muitas vezes por décadas —, o que exige um nível elevado de gestão de experiência, atendimento e entrega contínua de valor.
Também aprendemos muito sobre o comportamento do consumidor brasileiro nesse tipo de produto: suas expectativas, dúvidas e necessidades. Esse processo foi essencial para que a MME pudesse evoluir seu modelo de atuação e desenvolver, ao longo dos anos, novos formatos aderentes ao perfil do mercado.
Qual foi a importância do lançamento de um projeto de multipropriedade, como o Ipioca? E quais foram os aprendizados na comercialização e entrega desse empreendimento?

O projeto de multipropriedade em Ipioca representou um passo importante na evolução da empresa. Esse modelo trouxe uma nova lógica de relação com o cliente, que passa a ser proprietário de uma fração imobiliária, estabelecendo um vínculo diferente tanto com o produto quanto com o destino.
Para a empresa, a experiência trouxe aprendizados relevantes sob diferentes aspectos: da estruturação jurídica e operacional à gestão da entrega de um empreendimento com múltiplos proprietários.
Também foi um período de grande amadurecimento comercial, já que a multipropriedade exige um processo de venda muito bem estruturado e uma comunicação extremamente clara com o cliente. Todo esse aprendizado foi decisivo para consolidar a maturidade da MME dentro do setor.
Agora a empresa aposta em um novo produto de tempo compartilhado, no modelo de direito de uso. Por que essa mudança? E quais são os desafios na comercialização?
O modelo de direito de uso surge como uma evolução natural da estratégia da empresa e também como resposta a uma leitura bastante clara do comportamento do mercado turístico.
Ao analisarmos o turismo nacional, identificamos que um dos maiores desejos das famílias brasileiras hoje é viajar para resorts no formato all inclusive. Essa demanda se tornou ainda mais evidente com a entrega do nosso próprio empreendimento nesse conceito, o Maceió Mar Resort, onde observamos um nível muito alto de interesse por esse tipo de experiência.
Para viabilizar esse formato de maneira sustentável, entendemos que o direito de uso fazia mais sentido do que a multipropriedade tradicional. Isso porque, no modelo de multipropriedade com escritura imobiliária, o proprietário detém uma fração do imóvel, e nem sempre é possível estruturar, com a previsibilidade necessária, determinados custos operacionais atrelados à utilização.
Já no modelo de direito de uso, conseguimos organizar uma experiência de férias mais completa, incluindo o all inclusive, de forma previsível, equilibrada e sustentável para todos os usuários.
Além disso, observamos que essa migração para modelos mais flexíveis já é uma tendência consolidada no mercado internacional e que começa a ganhar força também no Brasil.
O principal desafio na comercialização está justamente na educação do cliente. É preciso explicar com clareza as diferenças entre os formatos, seus benefícios e o perfil mais adequado para cada produto. Quando essa comunicação é bem conduzida, o cliente compreende melhor a proposta e a experiência tende a ser muito mais positiva.
É correto afirmar que o modelo de tempo compartilhado é hoje um dos pilares da expansão da MME?
Sem dúvida. Hoje, o turismo compartilhado é um dos principais pilares estratégicos da expansão da empresa. Ele permite construir uma relação de longo prazo com o cliente, fortalecer a ocupação dos empreendimentos e desenvolver projetos turísticos com uma base de demanda mais previsível.
Além disso, esse modelo acompanha uma mudança clara no comportamento do consumidor, que valoriza cada vez mais experiências e busca formas mais inteligentes de planejar suas viagens.
Por isso, acreditamos que os modelos de férias compartilhadas continuarão exercendo um papel relevante tanto no desenvolvimento do turismo no Brasil quanto no crescimento da MME nos próximos anos.







