Buscar

Riyan Itani apresentou a palestra Branded Residences: Revisão do Desempenho Global e Principais Insights do Mercado na Região

Branded Residences: Explosão Global e Aceleração na América Latina no SAHIC 2026

Compartilhar:

O modelo de branded residences, residências de luxo com serviços hoteleiros, associadas a marcas hoteleiras premium vive um momento histórico de expansão. Com 795 projetos operando globalmente e 1.037 no pipeline, o setor deve dobrar de tamanho em cinco anos, crescendo 68% nos últimos cinco anos e 174% em uma década.

Acompanhando essa tendência de negócio, o SAHIC, principal fórum de investimento para o mercado turístico imobiliário para América Latina e Caribe, organizou um especial dentro do evento, com seis painéis dedicados ao tema Branded Residence, destacando a América Latina como nova fronteira de oportunidades, com o Brasil na vanguarda. O evento SAHIC 2026 aconteceu no Fairmont Copacabana, no Rio de Janeiro, nos dias 23 e 24 de março. 

Tradicionalmente dominado pela América do Norte (33% do mercado atual), o setor registra uma realocação de forças. A região CALA (Caribe e América Latina) saltou de 12% para 17% da fatia global projetada em cinco anos, triplicando projetos de 99 concluídos para 303 totais. São Paulo desponta como líder no pipeline mundial, entrando no top 3 global, atrás apenas de Dubai e Miami, à frente de Nova York. México e resorts caribenhos completam o pódio latino-americano.

Riyan Itani, founder & director da Global Branded, em sua palestra ‘’Branded Residences: Revisão do Desempenho Global e Principais Insights do Mercado na Região’’, enfatizou que ‘’São Paulo lidera, seguido de México e resorts caribenhos”. Marcas hoteleiras como Marriott – presente em 75 a 80% dos deals globais – e emergentes não hoteleiras, como YOO, Pininfarina (foco na LatAm) e Artefacto, impulsionam o pipeline. Os branded residences geram prêmios de venda de 43% em média sobre imóveis comuns: 28% em urbanos e 42% em resorts.

Painéis do SAHIC

Painel: Desenhando o Desejo: Como o Design Define o Valor de uma Branded Residence

Os painéis especiais no SAHIC 2026 trouxeram executivos para dissecar o fenômeno. No “Branded Residences em Primeira Pessoa”, Alejandro Ginevra (GNV Group) e Marcos Juejati (Northbaires), moderados por Arturo Garcia Rosa, destacaram contratos de 20 a 30 anos moldados pelo direito civil latino-americano. Exemplos como Puerto Madero (Argentina), Punta del Este (Uruguai) e Sofitel standalone em Buenos Aires mostram compradores brasileiros e uruguaios como protagonistas.

Damian Tabakman, presidente da CEDU, traçou a evolução: “De simples produto a classe de ativo consolidada, inspirada em Miami, que acelera vendas em até 40% e gera receitas via licenciamento”. Ele alertou para tensões entre desenvolvedores “asset light” e cadeias hoteleiras com contratos rígidos: “Quem garante serviço 24/7 por décadas?”.

No painel de design, Gui Mattos (AGM Arquitetura), Emilio Pérez (Marriott) e Marco Larrea (EDSA), com Peter Greenberg (CBS News), defenderam o design como “estratégia de valor”. Pós-pandemia, foco em bem-estar, biophilic design (70-90% do tempo ao ar livre), narrativas locais e espaços multigeracionais. “Tamanhos excessivos elevam custos”, citou um debatedor sobre projetos no Panamá.

“A Engenharia do Deal”, moderado por Cristiano Vasquez (HotelInvest), com Ilan Elkaim (Cidade Matarazzo), Guilherme Cesari (Accor) e Grazi Paineli (Limestone Capital), revelou alianças multissócios como “coração” dos projetos. Evolução de second homes para urbanos, com contratos adaptados: residencial em SP/RJ vs. rental em lazer. “Cada projeto é um aprendizado”, resumiu o grupo, citando a Colômbia e São Paulo.

Oportunidades e Armadilhas

Painel: A Engenharia do Deal: Como Alianças Multissócios Estão Escalando as Branded Residences na América Latina

Do ponto de vista econômico, branded residences representam um multiplicador de valor no turismo imobiliário. Em mercados emergentes como o Brasil, segmentos upscale rendem prêmios maiores que o luxury puro, com oportunidades em cidades secundárias, resorts costeiros e projetos standalone (33% do pipeline, sem hotel obrigatório). O modelo asset-light atrai investidores, mas exige alinhamento de stakeholders para escalar.

Os painéis do SAHIC sinalizam maturidade: de produto de nicho a ativo estratégico, integrando real estate e hospitalidade. Para investidores, o risco-recompensa favorece a diversificação geográfica e customização de serviços. No Brasil, com São Paulo como hub, o setor pode catalisar crescimento econômico, mas depende de superação de gargalos contratuais e operacionais.

  • Acompanhe mais da cobertura do SAHIC 2026 em nossas redes sociais.
  • O Turismo Compartilhado cobriu o evento a convite do SAHIC.
Picture of Por: Fabio Mendonça

Por: Fabio Mendonça

Redação Turismo Compartilhado