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quinta-feira, 26 novembro, 2020

Novo negócio para reaquecer mercado de multipropriedade imobiliária

Na contramão da pandemia, W. Gobbo Solutions é adquirida por holding norte americana e pode se tornar a primeira empresa de multipropriedade com ações na Bovespa

 Com a pandemia do Covid-19 a economia mundial praticamente parou e muitos negócios foram adiados ou até cancelados. Mas algumas empresas estão finalizando as negociações mesmo durante o atual momento. É o caso da W. Gobbo Solutions, empresa do segmento de multipropriedade imobiliária, que recentemente foi adquirida por uma holding norte-americana do segmento de lazer e entretenimento e tem planos de se tornar uma S/A (empresa de sociedade anônima), com ações na bolsa de valores.

O sócio-diretor da W.Gobbo, Wallace Gobbo, conta para a Turismo Compartilhado mais sobre essa negociação, os planos da holding no Brasil e como ficará as atividades de consultoria e comercializadora de multipropriedade da W.Gobbo.

Como surgiu essa negociação em que a W.Gobbo foi adquirida por uma holding internacional?

Surgiu ocasionalmente. Há cerca de dois anos, em meio as discussões e expectativas quanto a aprovação da Lei 13.777/18 (Lei da Multipropriedade), fui apresentado por um amigo em comum ao CEO dessa empresa. A empresa estava interessada em investir no Brasil, especificamente projetos greenfield, mas ainda muito insegura sobre a decisão, tendo em vista o cenário jurídico na época. Deste encontro para cá, reuniões se seguiram, estudos foram produzidos e a relação entre as empresas foi se fortalecendo, até chegar à decisão de aquisição, em novembro passado.

Meu histórico e metodologia de trabalho, associados diretamente a companhia CFI (Central Florida Investments, Inc.) e sua subsidiária Westgate Resorts, pesaram muito nessa hora.

A empresa de incorporações imobiliárias CFI abriu seu primeiro escritório em 1970, numa garagem, pouco antes da inauguração da Walt Disney World. Foi a primeira gigante do mercado de timeshare nos Estados Unidos e permanece até hoje como a maior companhia de capital privado no estado da Flórida, empregando mais de 10 mil pessoas atualmente.

Nunca entendi o motivo de um sucesso tão duradouro quanto o da linha de vendas Westgate foi tão pouco espelhado aqui no Brasil. O nome de seu fundador, o lendário e irreverente David Siegel, é praticamente desconhecido por aqui.

Por fim, os americanos se surpreenderam quando expliquei que comercializava multipropriedade com escritura publica e registro imobiliário desde meados de 2002, exclusividade da empresa Brasil USA Resorts, réplica brasileira de Westgate, na qual fui diretor por mais de 10 anos. Creio que esse foi o ponto decisivo na conclusão da aquisição.

Qual é essa holding?

Estou ansioso para fazer isso, mas por hora o nome da holding não pode ser revelado até regularização formal da aquisição junto a JUCESP e Banco Central, órgãos que estão com atividades restritas, devido a pandemia.  Mas posso adiantar, que a empresa tem sua sede no 85º andar do One Word Trade Center e atua a há anos no mercado de capitais americano e inglês.

Quais os planos dessa holding no Brasil? Pode revelar algum projeto que está para ser lançado?

A antiga W.Gobbo se tornará uma subsidiária da holding no Brasil, receberá aporte financeiro e será listada na Bovespa. A empresa aposta na popularização dos investimentos de varejo no mercado de capitais brasileiro, em especial de projetos greenfield, enxergados ainda como de alto risco pelo pequeno investidor nacional. Queremos transformar essa visão. No futuro, nossos liners estarão não mais oferecendo frações de um projeto online, mais sim pequenos lotes de ações de um empreendimento imobiliário, prática muito comum em Wall Street.

Quanto a projetos, posso apenas adiantar que temos um grande lançamento previsto para o próximo semestre. Devido a pandemia, deveremos sofrer um atraso. Entretanto, pelo fato que receberemos recursos externos, a alta do dólar está nos favorecendo. Portanto, acredito que o “atraso” será menor.

Qual será o seu papel nessa expansão da holding no Brasil?

Assumo o posto de presidente do conselho no Brasil. Meu papel basicamente é tornar os projetos imobiliários mais rentáveis e atraentes aos investidores, através da implantação e venda de multipropriedade no mesmo.  Sou responsável exclusivo por toda a comercialização de frações ou timeshare do grupo, além do desafio de transformar, no médio prazo, alguns Liners e Closers em vendedores de ações no mercado de varejo.

Qual a vantagem para uma empresa se transformar em uma S/A?

Não é segredo para ninguém que operações de tempo compartilhado são altamente lucrativas, mas demandam um alto investimento inicial, que pode perdurar por anos. Uma S/A pode capitar recursos externos e suportar com facilidade esses custos. Ao mesmo tempo, uma empresa de capital aberto possui um controle governamental bem mais rígido que o da simples incorporação imobiliária, trazendo muito mais segurança e credibilidade para o consumidor final.

A W.Gobbo ainda continuará como comercializadora para timeshare e multipropriedade?

Claro, apenas ganhamos mais força. Poucos sabem, mais o maior capital social da W.Gobbo está na força de nossa equipe. Todos nossos prestadores são vistos como futuros associados. Atualmente, qualquer pessoa que indica um projeto para nossa empresa, sendo ou não do mercado, receberá uma participação por ele. Estamos, inclusive, estudando um modelo de franchising para salas de vendas, disponível para profissionais do mercado que almejam por maior independência. 

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