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quinta-feira, 26 novembro, 2020

De estagiário a gerente geral: o universitário que fez carreira no tempo compartilhado

Conheça a trajetória profissional de Cristiano Lemes, gerente geral de projeto do My Mabu

* Fábio Mendonça

Sem saber do que se tratava, se haveria plano de carreira, se era uma profissão bem remunerada ou não, Cristiano Lemes apenas procurava um estágio para ajudar nos custos das festas da faculdade e iniciou uma carreira no tempo compartilhado. Isso foi há 20 anos! 

Hoje, aos 38 anos, como gerente geral de projeto do My Mabu, em Foz do Iguaçu/PR, ele continua neste mesmo segmento com atuação em várias empresas e somando endereços em várias cidades do Brasil.

 Natural de São José dos Campos/SP, antes de completar 18 anos, mudou-se para Campinas, onde cursou a Faculdade de Turismo na PUC. Ele morava em uma república de estudantes, e como qualquer jovem universitário gostava de festas, mas precisava ganhar algum dinheiro para custear a diversão. Naquela época, em sua faculdade havia um mural com vagas para estágios, assim, visualizou uma vaga para o Hotel Solar das Andorinhas.
 

A vaga no caso não era para um estágio em hotelaria, mas para a sala de vendas do projeto de timeshare do Solar das Andorinhas. ‘’Fiz a entrevista no dia do meu aniversário e comecei a trabalhar logo na semana seguinte’’, afirma.

 O sistema de tempo compartilhado era uma incógnita, mesmo para professores do curso de Turismo. ‘’Havia apenas um professor que conhecia essa modalidade’’, confirma Cristiano. Mesmo assim isso não impediu que muitos estudantes da PUC trabalhassem na sala de vendas do Solar das Andorinhas, que, em sua maioria, possuía uma equipe de vendas bem jovem.

 

Conhecendo o país através do tempo compartilhado

No Arda World 2014, principal evento da indústria de timeshare no mundo

Cristiano se identificou tanto com o segmento de tempo compartilhado que nem terminou a faculdade em Campinas. Com o fim do projeto Solar das Andorinhas, ele partiu para Belo Horizonte para trabalhar na sala de vendas do San Francisco Flat. Mas ele formou-se em Turismo, primeiro transferiu o curso para Belo Horizonte, depois São Paulo, e por fim, Fortaleza, onde terminou, sempre acompanhando para onde o mercado o levava.

No San Francisco Flat, Cristiano já iniciou como fechador, nome dado a quem fecha os contratos. O projeto de timeshare em Belo Horizonte revelou muitos profissionais para o mercado, alguns formaram a primeira equipe do Beach Park, no Ceará, e se tornaram gestores do complexo turístico cearense, como Felipe Lima, diretor comercial do Beach Park; Fernanda Lima, gerente geral do Beach Park Vacation Club; Alysson Carvalho, coordenador de vendas; e André Ramos, coordenador de vendas do Beach Park Vacation Club.

Outra curiosidade nesta época é que Cristiano foi o responsável por treinar Felipe Lima para a sala de vendas, que hoje é o diretor do Beach Park é uma de suas maiores inspirações dentro deste mercado. ‘’Sou padrinho de casamento dele, ele merece estar onde está hoje’’, diz ele. Outras inspirações profissionais são Antônio Carlos Gomes, o Toninho, sócio da TC Brasil Consultoria, que conheceu ainda em Campinas, onde Toninho era gerente do projeto do Solar das Andorinhas, e Wellington Estruquel, CEO da Rede Mabu, ‘’hoje com certeza é meu mentor’’.

Mas ele não ficou muito tempo em Belo Horizonte. Após aproximadamente um ano e meio, partiu para São Paulo, para trabalhar na sala de vendas off site do Rio Quente Vacation Club, o clube de férias do complexo turístico de Rio Quente, em Goiás. Mas também ficou cerca de um ano e meio, para depois ter uma breve passagem por Salvador, no Pestana Vacation Club. ‘’Quando se é mais novo não tem muito juízo, vai trocando de projeto sem muito pensar no futuro”.

Onze anos de Beach Park

Cristiano com Mariana Conz, durante o Lasos 2018

Em 2006, o Beach Park iniciou seu clube de férias compartilhadas, o Beach Park Vacation Club, e Cristiano se mudou para o Ceará para este novo desafio e ficou na empresa por 11 anos. ‘’Fui amadurecendo. Quando cheguei no Beach Park não era apenas o financeiro, mas também a carreira que queria construir e fazer o meu nome’’, afirma ele. ‘’O Beach Park foi uma grande escola. Era um projeto que tinha tudo para ser enorme e realmente ficou gigante, logo nos primeiros dias da primeira temporada a meta já havia sido batida’’.

Além de gostar da empresa, equipe e da cidade onde estava morando, Cristiano também investiu na carreira para assumir cargos mais altos. ‘’Estava me preparando para assumir uma liderança. O Beach Park te prepara e exige que se capacite para ser líder, pediram para fazer um MBA, e fiz um MBA em Finanças pelo IBMEC, são muitos anos de preparação’’.

No final de junho de 2013, ele se tornou coordenador de marketing e vendas, responsável por toda a operação comercial da maior sala de vendas do Beach Park, em Aquiraz, dentro do complexo. A outra sala de vendas era em Fortaleza. ‘’A equipe era muito madura e entregamos resultados, eu era muito próximo a equipe. Eles viam que eu tinha conseguido aquilo por mérito. Quando percebem que ganhou por mérito as pessoas te seguem mais fácil’’.

Apesar da vasta experiência com vendas, Cristiano nunca tinha trabalhado com marketing dentro do tempo compartilhado até assumir a coordenação do Beach Park Vacation Club. ‘’Nesses anos de liderança pude aprender sobre todos os aspectos de captação de clientes’’.

Novos desafios profissionais

Arda World 2014

Buscando novos desafios em sua carreira, ele deixou o Beach Park em 2017 e assumiu o cargo de gerente nacional de marketing e vendas da Wyndham Club Brasil, que contava com quatro operações comerciais do clube de férias – Natal, Maceió, Gramado e Foz do Iguaçu. ‘’Minha vida era aeroporto e trabalho e foi uma experiência sensacional vivenciar essas operações e ser responsável por elas, agradeço demais a TC Brasil por ter me dado essa oportunidade’’.

E este novo desafio também trouxe mais aprendizados. ‘’Tive que aprender a regionalidade de cada local, as praças são diferentes’’, afirma ele. E essa diferença não era apenas no perfil dos clientes, mas para contratar profissionais para atuar nas salas de vendas também. ‘’Em Gramado um dos maiores desafios era a contratação de profissionais da região, em Foz do Iguaçu a captação’’.

My Mabu

 Desde fevereiro de 2018 Cristiano é gerente geral do projeto My Mabu, o fractional da Rede Mabu, em Foz do Iguaçu. ‘’Eu adorei a cidade e a empresa é sensacional, eles acreditaram na implantação dos processos, confiaram em mim, me deram carta branca para trazer os profissionais que pensava ser importantes para a operação’’.
 

Dessa forma, ele não é só responsável pela parte de resultados e em “bater metas”, mas por todo o projeto, desde a captação, pós-vendas, vendas, controle de custos, além de ter implantado um novo modelo de gestão, que consiste no fato da remuneração dos principais líderes estarem vinculadas aos principais KPI´s, como cancelamento de sete dias, entrada efetiva e diversos outros que são aplicados para todos aos gestores de vendas e em todos os demais setores da operação. ‘’Setores estes como marketing, pós-venda, administrativo, telemarketing, além de centro de inteligência e controle’’.

 Nesse novo formato, como explica Cristiano, todo o time busca os resultados como um grupo, de tal maneira que gestores e equipe entendem o que é realmente importante na operação de multipropriedade.
 

‘’Esta nova fase como gerente geral me fez crescer quinze anos em três. Fui o responsável por internacionalizar nossa operação de vendas do My Mabu. Iríamos abrir uma sala de vendas em Assunção, no Paraguai, no dia 03/04, mas infelizmente veio a pandemia e as fronteiras fecharam. O projeto terá início em fevereiro de 2021. Fechamos diversas parcerias no Paraguai, time estava todo montado, mas vamos com tudo no próximo ano: implantação dos KPI’s ajudará a reter cancelamentos, redução de custo, melhoria no atendimento ao cliente e uma operação bem mais eficiente“, finaliza Cristiano Lemes.

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