Valor foi revelado em fórum on-line realizado pelo IBRADIM ontem, 26/05

O IBRADIM (Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário) realizou um evento digital ontem, 26/05, para discutir o segmento de multipropriedade durante a crise da Covid-19, com participação de Maya Garcia, diretora da Ibeia, empresa especializada em gestão de relacionamento em multipropriedade; o advogado Diego Amaral, do escritório Dias & Amaral Advogados Associados; o diretor executivo da Interval International no Brasil, Fernando Martinelli; e o presidente da ADIT Brasil e vice-presidente de assuntos turísticos do Secovi/SP, Caio Calfat.

Durante o evento, Caio Calfat revelou alguns dados da pesquisa anual que a Caio Calfat Real Estate Consulting realiza sobre o mercado de multipropriedade, que seria lançada durante o ADIT Share 2020, neste mês de maio. O estudo completo será divulgado em breve, através de uma live. Já o ADIT Share acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de novembro, em Gramado/RS.

O presidente da ADIT Brasil contou que o estudo verificou que o segmento de mutlipropriedade atingiu R$ 24,2 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas), e 109 empreendimentos lançados. Na última edição do estudo, em 2019, tinha sido verificado um VGV de R$ 22,3 bilhões e 92 empreendimentos lançados. Ou seja, teve um crescimento de aproximadamente 8,6% no VGV. Desses 109 empreendimentos, 39 estão em construção, 53 já em operação e 17 em fase de lançamento.

Após a Lei de Multipropriedade ser sancionada em 2018, o lançamento do Manual de Boas Práticas e o Manifesto da Multipropriedade, Caio Calfat contou que os empresários do segmento reivindicam para as entidades (ADIT Brasil e Secovi) a criação de um modelo de certificação para o produto. ‘’Uma forma de separar os bons e maus empresários’’.

Como o judiciário está respondendo a este momento

O advogado Diego Amaral revelou que os distratos no mercado imobiliário como um todo cresceram nesta época. ‘’ Esse momento é muito delicado e compreensível, para o consumidor e empresário. Não tem um ganha-perde, tem um perde-perde, todos estão perdendo, tem que chegar a acordos’’.

O advogado enfatizou que o bom senso neste momento é muito importante. ‘’A SPE não deve ter uma ideia engessada, cada local tem uma realidade diferente, sobre o uso, e distratos’’, afirmou. Para ele, cada empresa deve agir de uma forma diferente, de acordo com sua realidade. ‘’Em algumas empresas foi possível suspender o contrato por três mesmos’’.

Em relação ao judiciário, Diego Amaral frisou que os juízes estão entendendo o momento para as empresas, com as vendas paralisadas. Ele contou que, em alguns casos, o judiciário reduz o valor da parcela temporariamente, para que a empresa reponha esse valor no futuro.  ‘’Assim as empresas continuam com fluxo de caixa’’.

Intercâmbio de Férias

Fernando Martinelli disse que a Interval International sentiu a pandemia, tanto com a redução da receita, como criação de novas políticas de cancelamentos e remarcações. Ele contou que desde março a empresa deixou de realizar depósito de semanas e reservas, pois não se sabia quanto tempo os hotéis ficariam fechados. Apenas na semana passada, a intercambiadora voltou a remarcar viagens, já que alguns destinos estão reabrindo para o turismo.

Relacionamento com clientes

Maya Garcia enfatizou que as empresas que estabeleceram bons relacionamentos com clientes sentem menos o impacto do atual momento. ‘’Cada cliente tem uma realidade diferente, a empresa tem que entender isso. Relacionamento é pedra fundamental, não se trata proprietário como hóspede, ele é um condômino mas quer ser paparicado’’.

E esse bom relacionamento também pode ser refletido não apenas nas negociações para a carteira de recebíveis, mas também para taxas de manutenção para empreendimentos já em operação. Maya explicou que a taxa é um pagamento das despesas do mês do empreendimento.  ‘’Logicamente os empreendimentos que não estão sendo utilizados, tiveram suas taxas reduzidas’’, explicou. Mas ela ressaltou que a administradora deve ter bom senso para negociar com os multiproprietários.

Novos Lançamentos

Para Maya, apesar da multipropriedade ter bom desempenho nas crises, pois é uma solução de férias para os consumidores, não deve ser encarada como uma solução para hotéis que não estejam com bons desempenhos. ‘’Deve ser bem estruturada, para que não seja uma solução para um mercado despreparado. Estamos falando de frações, clientes, destino, se terá um parque atrelado, tem uma série de fatores’’.

Caio Calfat disse que os empreendedores de multipropriedades pretendem continuar lançando empreendimentos, porém, ele acredita que serão projetos menores. ‘’Vai haver um fenômeno de realizar lançamentos com mais cuidados, produtos menores, e com menos riscos, e em destinos já consolidados’’.

Para Fernando Martinelli, lançamentos de projetos menores ou entregues por fases deve ser a tendência nos próximos anos.  ‘’Quanto maior projeto, é maior o risco. Logicamente o mercado irá se adaptar a isso, empreendimentos menores, mais racionalizados e bem pensados’’, afirmou. ‘’Empreendimentos faseados tiveram impactos muito menores nesta pandemia. Não se pode olhar apenas para a questão do VGV, há muitos fatores por trás do negócio’’.