Especialistas debateram, em painel promovido pelo FOHB, sobre procedimentos de limpeza que a hotelaria terá que adotar na reabertura dos empreendimentos

A pandemia do Covid-19 trouxe mudanças significativas para o mercado de hotelaria não apenas na parte da crise, mas também na parte da sanitária e segurança dos empreendimentos. Ao reabrir os hotéis, as empresas terão que repensar suas estratégias, procedimentos, utensílios e produtos de limpeza, e como comunicar isso para os clientes.

Para debater essa nova visão na hotelaria, o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) promoveu o fórum online ‘’Higienização Hoteleira: é hora de elevar o nível’’, no dia 05/05, com participação de especialistas da parte de saúde e turismo: Inbal Blanc, CEO do Segurhotel; Fernanda Cerri, gerente nacional de operações na Indeba Química e Soluções de Higiene; Dra. Eloísa Siqueria Ayub, médica infectologista responsável pelo controle de infecção do hospital Mário Covas/SP; Domenico Caruso, consultor em gestão de facilities hospitalares da MarQ Consultoria; e como moderadora, Gabriela Otto, CEO da GO Consultoria e presidente da HSMAI Brasil.

Dra. Eloísa Siqueria Ayub comentou que a limpeza do hotel já é realizada pelas camareiras, mas a partir de agora, os empreendimentos também terão que se preocupar com a desinfecção, como é realizada nos hospitais. ‘’É o momento de os hospitais ensinarem os processos de higiene e desinfecção do ambiente aos hotéis’’.

Fernanda Cerri explicou que a higienização é a limpeza normal já realizada, já a desinfecção é a remoção das partículas microscópicas, como bactérias e vírus. ‘’É nisso que temos que pegar pesado’’, afirmou a especialista, que citou produtos recomendados pela Anvisa para este tipo de limpeza, como o álcool 70%, o hipoclorito e peroxido de hidrogênio.

De acordo com Fernanda, os empreendimentos hoteleiros terão que realizar muitos treinamentos com as pessoas responsáveis pela limpeza, para saberem manusear corretamente os produtos e também utilizar os EPI’s (equipamentos de proteção individual), como máscaras e luvas.

A CEO da Indeba enfatizou que os treinamentos também devem focar em como será a limpeza. Ela exemplificou com metodologias que podem ser aplicadas: não retirar os enxovais das camas com movimentos bruscos, pois se tiver algum microorganismo pode se expandir; não usar vassoura ou aspirador, apenas limpeza úmida; ter mais atenção nas superfícies críticas de altos toques (maçanetas, interruptores, vasos sanitários, torneiras, etc); sempre deixar os cobertores e amenities embalados e lacrados, etc.

Segundo Fernanda, mesmo os hotéis deixando os quartos desocupados por dois ou três dias, após o check out dos hóspedes, ainda devem ter muita atenção na higienização e desinfecção, pois alguns estudos mostram que o vírus se mantém ativo por até quatro dias na madeira.

Readaptação para hotéis

Muitos hotéis deverão ter mais dificuldades para se adaptarem a esses novos padrões de limpeza, por conta das estruturas e decorações dos empreendimentos. Os debatedores foram unânimes em afirmar que carpetes, cortinas, sofás, muitos enxovais, decorações e até os tipos de mobílias podem dificultar a higienização e desinfecção.

Domenico Caruso explicou que a simplificação dos quartos e áreas comuns facilitam o processo de limpeza e hotéis com ventilação natural também têm vantagens, além de uma readequação na parte de lazer e entretenimento, já as áreas de lazer, como piscinas e espaços kids, devem estar fechadas, de acordo com as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde). ‘’Não dá para transformar um hotel em um hospital, o mais importante é treinamentos e procedimentos’’, minimizou.

Para Dra. Eloísa Siqueria Ayub, a parte de readequações e treinamentos será essencial para os hotéis, como ter atenção na limpeza não apenas dos quartos, mas de todo empreendimento, procedimentos para evitar aglomerações, e readequar o mobiliário para facilitar a limpeza e desinfecção. Ela recomendou olhar a periodicidade da troca de filtros de ar condicionados e utilizar limpeza úmida, com maquinas aspiradoras, para carpetes.  

Outra opção para higienização de carpetes, sofás, colchões e estofados, de acordo com Fernanda Cerri, é a utilização de ozônio. Ela também sugere a uso de luzes fluorescentes e negras para checar se os processos de higienização estão sendo bem executados pelos colaboradores.

Restaurantes

Para Domenico Caruso, o ideal é os hotéis incentivarem os serviços de room service para os clientes, pois o vírus pode viajar pelo ar. Mas se não houver jeito de ter apenas o room service, os restaurantes devem ter as mesas distantes uma das outras.

Fernada Cerri explicou que apenas o detergente já desinfeta os pratos, talheres, copos, etc. As máquinas lavadoras também são muito eficientes, pois além dos detergentes também possuem altas temperaturas. Mas se os hotéis quiserem ter certeza da desinfecção podem deixar as louças de molho no hipoclorito.

Procedimentos de segurança e treinamentos

Inbal Blanc ressaltou os procedimentos que devem ser desenvolvidos e treinados para esta fase, como um maior controle de acesso ao hotel, usar máscaras, medir a temperatura dos hóspedes. ‘’Se um hóspede estiver com febre, o que fazer com ele? Deve-se treinar e simular essas situações neste período quando os hotéis estão fechados’’.

Para o CEO do Segurhotel, os empreendimentos deverão ter planos com quatro fases: procedimentos mais rígidos que vão se afrouxando com o fim da pandemia e das medidas de distanciamento social; antecipação de informações sobre saúde dos clientes; trabalhar em conjunto com empresas da segmento de turismo, como aéreas, agências, operadoras e etc, para que haja comunicação entre elas; e comunicação com os hóspedes.