• Artigo de Nilson Bernal

Tenho lido muito sobre o tema que está em alta no momento, a epidemia do coronavírus, e noto que todas as fontes repetem sempre as mesmas informações, com números que são atualizados todos os dias sobre novas pessoas infectadas pelo vírus.

O fato é que, embora haja situações acontecendo, o coronavírus vem despertando preocupações de várias nações, colocando todos em alerta. Mas qual a relação entre a epidemia do coronavírus e a hotelaria? Esse é o motivo desse artigo. E sabe por quê?

O Brasil é um dos destinos mais procurados por turistas internacionais. Diante disso, cabe, sim, a preocupação e, como consequência, algumas ações já vem sendo tomadas por parte dos hoteleiros.

O papel dos profissionais que atuam com prestação de serviços, em especial a hotelaria, é sempre manter a equipe informada e que esta, por sua vez, tranquilize seus hóspedes. Essa atitude vale não apenas para quem trabalha no setor hoteleiro, mas as recomendações não devem ser apenas quando surge este tipo de situação, mas sim sempre.

Hotel com fluxo permanente de pessoas

É bom lembrar que hotel não fecha e funciona todos os dias do ano, 24 horas por dia, recebendo pessoas de todas as partes do mundo. Veja o que eu tenho lido e muito provavelmente você também já se deparou com uma dessas manchetes que espalham alarme e pânico generalizado!

Exemplo: redobrar cuidados com a limpeza. Fala sério né? Limpar bem os quartos? Cuidar melhor da higiene da governança? Orientar os funcionários de A&B para manterem louças e talheres bem higienizados? Carnes e ovos bem cozidos?

Realmente se estamos pregando isso como informação somente quando ocorre uma possível epidemia, estamos muito atrasados e lamento por essa postura aplicada por alguns profissionais. Isso é tarefa básica, não é verdade? E deve obrigatoriamente ser feito diariamente, 24 horas por dia, 365 dias ao ano.

Prevenção é obrigação de todos

Desculpe a sinceridade neste artigo, mas fazer campanhas somente quando ocorre uma situação destas é lamentável. Conscientizar funcionários e hóspedes para ajudar na prevenção? Óbvio que sim, mas não apenas quando ocorre uma situação como a atual, que envolve o coronavírus.

O cuidado é permanente e a vigilância, a limpeza, a higiene de qualquer ambiente, é obrigação de todos nós.

Esse vírus obviamente é o tema principal hoje no mundo inteiro e todos devem, sim, estar em alerta quanto a este importante assunto. Cabe lembrar obviamente que ele é transmitido por infecções pulmonares (até onde eu tenha entendido é uma doença respiratória, mas o novo vírus ainda é desconhecido pela comunidade médica?).

Desde dezembro de 2019 a China vem sofrendo com estes contágios que ocorrem no país. Hotéis devem, sim, ficar em estado de atenção permanente e prevenir possíveis contágios entre hóspedes e funcionários.

Higienização impecável dos ambientes

Já era de se esperar que governos estejam trabalhando para desenvolver uma vacina contra o vírus, mas até o momento acredito que não tenha ocorrido. No Brasil? Quantos casos suspeitos? O perigo por assim dizer é iminente. A origem deste vírus? Deixo para os mais entendidos do assunto.

Sintomas? Todos que leem sobre, já sabem do assunto, não precisamos nos ater aqui a isso. O que é realmente mais importante agora, na minha opinião, são as medidas preventivas que também as pessoas informadas já buscaram e já sabem como tentar evitar tal situação, em especial manter a higienização de tudo ao seu entorno, de maneira impecável.

As perdas são consideráveis na hotelaria chinesa. Existem muitos hotéis que se encontram fechados. É isso mesmo que você está lendo – muitos hotéis estão sendo fechados na China.

Prejuízos ao setor hoteleiro

Agora pense no prejuízo do hoteleiro, dos acionistas e investidores, mas antes disso pense na saúde e na segurança. Acredito que ainda não se possa mensurar na íntegra o real impacto que o corovavírus tem gerado para o mercado hoteleiro mundial. Porém, a recuperação se dará a longo prazo.

Todas as associações que atuam em órgãos de turismo e hotelaria no Brasil já vêm tomando inúmeras medidas de prevenção e não há motivos para alardes em relação a esta situação.

Prevenção é a palavra-chave e as medidas estão relacionadas de maneira geral ao que trazemos de casa, que é a higiene conosco e respeito em relação à coletividade. Espirrar colocando o antebraço como escudo é, digamos, uma questão de educação. Ou se tem ou não se tem.

No entanto, se a pessoa não recebeu de casa esses cuidados básicos com a higiene, é necessário adquirir o hábito com mais esforço, mas nada impossível. Lavar bem as mãos, ir ao banheiro e depois fazer a higiene das mãos, entre outras medidas largamente já disseminadas, são hábitos que devíamos ter aprendido na época de outra epidemia, a do H1N1, que ainda nos ronda. Quando realmente vamos fazer a lição de casa e passar de ano sem ter que passar por novos surtos e sustos? Fica aqui a reflexão.

* Nilson Bernal é consultor na área da hotelaria e hospitalidade, palestrante e escritor. Atua na Indústria Hoteleira há mais de 20 anos em companhias como Complexo Jurema Águas Quentes, Bourbon Hotéis & Resorts, Mabu Hotéis & Resorts, Bristol Hotéis & Resorts e Atlantica Hotels. É embaixador pela Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture (Paris). Membro Executivo de Honra da Academia Europeia da Alta Gestão desde abril/2019. @NilsonBernalHotelier