• Artigo de Kardec Borges, diretor de desenvolvimento de negócios na UNYT Arquitetura de Resultado

Projetar um hotel que atende desde as exigências dos Millenials – que estão focados nas experiências de viagens – até os baby boomers – que vem quebrando as barreiras do que antes eram pensadas as viagens para os aposentados – é um grande desafio para o setor da hospitalidade. Embora cada geração tenha objetivos e necessidades específicas, o ponto em comum entre todas é o desejo de viajar.

Mesmo que o foco quase sempre volte para a geração do milênio, as tendências atuais de hospitalidade podem prestar atenção no poder aquisitivo da geração anterior, pensando espaços que foquem em uma nova visão sobre envelhecer ativamente. Segundo pesquisa da empresa global de relações públicas Ketchum, 60% das pessoas com mais de 50 anos querem viajar para lugares que nunca visitaram, para aprender sobre novas culturas ou experimentar coisas que nunca tinham feito antes. O design inclusivo contribui para que as pessoas não achem que existe problema em entrar em uma nova faixa etária, pois isso não significa abrir mão da sua liberdade e independência. 

A geração Baby Boomer – ou seja, os nascidos entre 1946 e 1964 – quer explorar sua liberdade recém descoberta. Assim como nos seus cotidianos, eles anseiam por um senso de comunidade e pertencimento, sendo os maiores criadores e frequentadores de organizações sociais. Incorporar esses pontos na hospitalidade é positivo, criando áreas comuns com espaços verdes e programas de lazer para entreter esses que priorizam pelo contato e compartilhamento. Essa geração também tem uma preocupação maior com a saúde e estilo de vida saudável do que as anteriores. Levando isso em conta, uma estratégia para atrair mais esse grupo de viajantes é criar espaços dedicados à saúde e ao bem estar, como áreas fitness, salas de ioga, trilhas para caminhada e espaços internos e externos conectados com a natureza.

Ao mesmo tempo, existem os Millenials, o foco da maioria das pesquisas. É a geração menos fiel às marcas de todos os tempos. Os hotéis clássicos com planos de fidelidade e apoiados nos conceitos de marca que agradam os Baby Boomers não serão os mesmos que atenderão a Geração do Milênio. A resposta do setor da hospitalidade para essa demanda é criar uma suavização das marcas. Os millennials não querem serviços de luxo e grandes marcas que os façam gastar uma grande quantidade de dinheiro, mas também pousadas e residências não tem a personalidade suficiente que eles querem. A solução é preencher a lacuna, oferecendo opções menos conservadoras que as marcas de luxo mas com mais identidade do que as classes econômicas.

A Geração X (nascidos entre 1965 e 1980) é grupo que normalmente costuma ser esquecido mas é merecedor de atenção especial: possui maior poder de compra e liberdade financeira do que qualquer outra geração. Eles se preocupam com manter a forma, por isso é interessante criar espaços flexíveis para exercícios, que ofereçam aulas ministradas por especialistas. Para a Geração X, conveniência é importante; seu estilo de vida agitado procura ser recompensado no hotel por serviços de concierge integrados e comodidades. Passar tempo com a família também é muito importante para esse grupo, portanto eles preferem acomodações que ofereçam uma variedade de espaços internos e externos; salas de jogos, grandes gramados, piscinas e espaços de entretenimento.

Criar espaços que incentivem o hóspede a voltar ou recomendá-los a outros, é investir em conhecer seu público para proporcionar uma experiência única e adequada. Isso começa com pesquisa demográfica e conhecimento de como seu público vive, seus modos de transporte, o que consomem e o que fazem por diversão. A partir dessas informações, pode-se traçar as estratégias de design para produzir comodidades que atendam as necessidades do público alvo. Basicamente, a personalização e complementação do estilo de vida são passos certos para a criação de uma experiência de hospitalidade memorável.

Kardec Borges