• Por Sidney Machado, sócio da Live Better Brasil

Denominar estas palavras como uma matéria, texto, conselho ou como uma descrição da realidade que acontece dentro do nosso mercado, seria muita pretensão da minha parte. Portanto, prefiro denominar apenas como uma reflexão que apresenta a minha forma de pensar e de como orientamos os prestadores de serviços, que são: liners, closers, gerentes, opcs, diretores e todas nomenclaturas que envolvem o nosso projeto. Dessa forma, esta não é uma verdade absoluta, mas apenas um modo de pensar.

Quando analisamos a pergunta ”o que fazer após a temporada?”, subentendemos que a parte mais importante do ano seja essa uns 70%, 80% ou mais do mercado nacional no que diz respeito às empresas.

Direcionando os percentuais para as pessoas, temos números semelhantes de profissionais que aguardam ansiosamente pelos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho, ou seja, foco direcional em 1/3 do ano para que todos os outros 8 meses do ano sejam orientados pela performance de apenas 4 meses. Analisando friamente, é muita tensão emocional, expectativa, euforia, responsabilidade excessiva e diversos outros itens que poderíamos divagar por horas acumuladas na mente de uma pessoa que define seu ano em apenas 4 meses.

É muito interessante porque quando se aproxima da temporada, ou seja, antes dela que também é depois dela, os anúncios com oportunidades para o segmento proliferam de forma desvairada e isso faz o mercado atual se tornar completamente inflacionado, pois, os profissionais não vão para os projetos que lhe ofereçam perspectivas de continuidade anual (futuro/carreira), mas sim para os que pagam melhor na temporada. Guardadas as devidas proporções, o segmento está parecendo o futebolístico, quem paga mais leva. Porém, isso não significa que seja o melhor local para atuar, apenas impulsiona empresas a suprirem necessidades imediatas e a contratarem profissionais sem o menor sentido de pertencimento e perspectiva de carreira, envolvimento com o local escolhido, sem resiliência psicológica para suportar a distância da sua casa, que a todo momento dizem que vão embora diante de pequenos cenários contrários ao que esperam. Viúvos de projetos anteriores, pessoas que vivem de casa funcional, de aéreos, de alimentação, de mínimo garantido, salários fixos altíssimos e as promessas mais absurdas possíveis para seduzir um ser humano a trabalhar por apenas 4 meses. São dezenas destes anúncios sedutores espalhados em redes sociais e eu incluo a Live Better nessa digladiação por “profissionais” que muitas vezes, ou na grande maioria delas, nem possuem tantas habilidades e são supervalorizados. Situações como esta têm ocasionado que colegas de mercado tenham entraves sérios por causa de pessoas que pensam que um ano tem apenas 4 meses. Será que vale a pena?

Estamos supervalorizando um período especial e lucrativo que é o correto, mas por conta dessa afirmação correta estamos praticamente virando reféns de profissionais nota 4, 5 e no máximo 6. Como disse, é uma reflexão, porém verdadeira aos meus olhos. Não estamos mais escolhendo, mas sendo escolhidos, anúncios em grupos de empregos que sequer são respondidos, pessoas que passam por 10 projetos em um ano difamando empresas e pessoas sérias. As consultorias (incluindo a minha), comercializadores ou empreendedores independentes estão se tornando objeto de escolha desses profissionais de 4 meses, que se assemelham a um “Tinder” da propriedade compartilhada, em que somos a pessoa carente em busca de um match para ter um relacionamento, mas somos escolhidos na grande maioria por profissionais que querem apenas relacionamentos casuais.

O que fazer após a temporada é o tema da matéria e até agora falei de quem busca esses profissionais, pelo o que passamos e como muitas vezes estamos modelando de forma equivocada os profissionais e inflacionando o mercado depois, e próximo da temporada pelo motivo emergencial das contratações. Sendo que também existe a escolha de vida dessas pessoas que trabalham neste segmento, que na sua maioria são do fim da geração Y, os “Millennials” ou geração Z, que se sentem imbatíveis, insubstituíveis, geração tecnológica que falam mais com os dedos e escutam mais com os olhos, ou seja, já aí existe uma falha na inversão dos sentidos naturais do ser humano. Geração do delay, pois o Whatsapp permite pensar antes de responder colocando entraves na velocidade de raciocínio, pois a resposta nunca é imediata, isso é um fato embutido no DNA atual. Somente lembrar como a geração anterior era mais argumentativa e rápida na forma de pensar e resolver, era mais “resiliente com um mindset” (tradução tomava pancada e levantava), focado na continuidade e na não desistência, como a geração de hoje que é da não permanência. O mundo está nas mãos, a informação é imediata, as facilidades são diversas, porém com tanta informação que não significa conhecimento, estão na grande maioria das vezes sem rumo e precisando de um mentor, coach (um de verdade, não um de certificado on-line ou de imersão de 7 dias que ficam gritando sim), ou às vezes um psicólogo ou mesmo um psiquiatra.

Entende-se aqui a inteligência do leitor quando dizemos isso, pois o excesso de informação dos dias de hoje cansa muito mais do que há 20 anos, e muitas vezes por conta da inibição ou displicência não cuidam disso, mas o que tem a ver tudo isso com o que fazer após a temporada? Tudo. Pois, estamos falando para você cuidar de si mesmo e deixar-se ser cuidado. Será mesmo que você merece apenas um trabalho de 4 meses? Vamos imaginar que o mundo da propriedade compartilhada acabasse, qual seria sua profissão e não a sua ocupação? Já parou para pensar que este segmento é uma carreira e não é um galho que a cada hora estamos em um, ou seja, como alguém vai investir em você se o ano para você tem apenas 4 meses?

Escuto muitas pessoas se vitimizando por falta de oportunidade, mas quem conhece alguém em apenas 4 meses? Olhe para os seus líderes que na grande maioria são mais velhos e de uma geração diferente, eles não estão brecando as suas oportunidades e sim preservando o seu futuro. Portanto, quer fazer uma carreira e saber o que se faz após a temporada? É simples: finque raiz, esteja num local que te proporciona trabalho o ano todo e não apenas 4 meses, tenha a sua casa, não viva de funcional em funcional, pois não existe nada melhor que o nosso lar, não escute os outros porque hoje o que mais existem são especialistas da nossa vida e da alheia. Não tome como verdade absoluta o que falam das empresas ou líderes, absorva o melhor, investigue e converse com a empresa, pois essa é constituída de pessoas e a experiência do outro pode estar baseada num fator emocional e não racional e, principalmente, estude incansavelmente.

Aqui estão apenas algumas pílulas para reflexão, não são conselhos, mas sim apenas experiências vividas e não tiradas de teorias ou livros. Se você não sabe o que fazer após a temporada, a vida vai fazer por você e aí ela faz do jeito que ela quer sem pedir nenhuma opinião. Portanto, quer saber o que vai fazer após a temporada? Comece agora, não quando ela acabar, senão depois você será controlado pela emoção da necessidade e não pela escolha racional do futuro.

  • Sidney Machado é sócio-diretor da Live Better Brasil, consultoria especializada em timeshare e multipropriedade. Com mais de 25 anos de experiência no segmento de propriedade compartilhada, formação em Coaching e PNL e MBA em Liderança, Inovação e Gestão 3.0, ele é psicológo, coaching, hipnológo e atua com treinamento de equipes de alta performance.
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