Para Vanessa Pires Morales, o caminho para a hotelaria é investir em experiências e tecnologia, além de conhecer o perfil dos turistas e a economia compartilhada

Desde que houve a explosão dos serviços de compartilhamento de hospedagens através do Airbnb, a hotelaria tradicional ligou o sinal de alerta, pois começou a perder hóspedes para estas plataformas digitais e por conta da luta para a regulamentação legal destes sites ou aplicativos. Mas ainda não encontrou um meio eficaz de competir com ela. Algumas cidades brasileiras já estabeleceram legislação para cobranças de taxas do Airbnb, como Caldas Novas/GO, por exemplo.

A presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis – Goiás e diretora comercial e marketing da Vivence Hotéis e Resorts, Vanessa Pires Morales, falou durante a Equipotel 2019, no ciclo de palestras Café do Saber Gestão, no dia 10/09, sobre o tema ‘’Hotelaria Tradicional x Airbnb: O que fazer para não sermos substituídos’’.

Com 238 expositores, a 57 ª Equipotel acontece entre os dias 10 até 13 de setembro, no São Paulo Expo, na capital paulista. A expectativa dos organizadores do evento de hospitalidade e turismo é receber 25 mil visitantes durante estes quatro dias.

Vanessa iniciou a palestra afirmando gostar destas plataformas de compartilhamento de hospedagens e todo tipo de economia colaborativa, mas enfatizou que devem ser regulamentadas e pagar taxas como qualquer setor da economia.

Segundo dados do Airbnb no Brasil, a plataforma contabilizou 3,8 milhões de viajantes em 2018, um crescimento de 71% em relação a 2017, no dia 10/08, a plataforma registrou 4 milhões de vendas de diárias em um só dia no mundo inteiro. A palestrante salientou esses dados comparando com a hotelaria, que ultimamente vem registrando menores taxas de ocupação. ‘’A hotelaria tradicional está perdendo clientes para o Airbnb’’, constatou.

De acordo com ela, há elementos que são atraentes no Airbnb, como preço e experiências com culturas locais. Vanessa frisou que em muitos casos os preços do AirBnb ficam semelhantes ou até mais altos que diárias hoteleiras. Em relação as experiências, os hotéis devem investir mais nesse ramo e ainda há outras vantagens nos hotéis, os serviços, comodidade, conforto e segurança. ‘’Temos que estar atento aos motivos dos clientes preferirem o AirBnb e usar isso a nosso favor’’.

Perfil dos turistas

O primeiro ponto apresentado por Vanessa que os hoteleiros devem conhecer mais a fundo para competir com o Airbnb é o perfil dos viajantes atualmente. ‘’Ele sonha com a viagem e planeja, quer escutar a experiência do outro, o que teve de bom e ruim, e ter sugestões, por isso vai ao TripAdvisor ou segue influenciadores digitais’’, disse a presidente da ABIH-GO, que explicou que o hotel pode participar do planejamento desta viagem através de um trabalho forte de divulgação e conteúdo nas redes sociais e respondendo aos comentários dos clientes nos sites de viagens.

Segundo ela, o viajante quer comprar de uma forma mais rápida, quer ter tudo na palma da mão, através de aplicativos. ‘’Ele não quer usar o telefone ou ir a uma agência de viagens’’.

‘’Como realizamos uma distribuição de vendas on-line para atingir esses clientes?’’, perguntou a palestrante, que explicou o poder das redes sociais, que é possível atingir o público-alvo de forma mais assertiva, podendo segmentar por região, por assuntos de interesse, idade, etc. ‘’Diante disso, realiza-se uma campanha para atingir aquele público’’.

Conseguindo atingir o público deve-se proporcionar a experiência. Vanessa ressaltou que os investimentos não precisam ser grandes para estes planejamentos. ‘’Faça parcerias com doceiras da cidade, com professor de violão para aulas de música para os clientes, faça parcerias com guias de turismo regionais, elabore pacotes com experiências gastronômicas, culturais e esportivas, ofereça acomodações exclusivas e acessíveis em um mundo de hospedagens padronizadas’’, exemplificou a palestrante.

‘’No final, os viajantes vão compartilhar a viagem nas redes sociais’’, afirmou Vanessa, que explicou que o hotel deve saber usar este marketing espontâneo a seu favor também. ‘’Qualquer um nós hoje pode ser um crítico gastronômico ou especialista em turismo, cada vez mais a opinião de quem viaja se torna mais válida. O famoso marketing boca a boca ganha uma amplitude ainda maior’’.

A presidente da ABIH-GO apresentou alguns dados sobre esses viajantes: 75% dos viajantes usam smartphone para compartilhar a viagem; 77% lêem as avaliações sobre as viagens; 72% publicam sobre suas viagens; 46% costumam dar dicas de viagens para amigos e familiares; 30% consideram o smartphone como o meio mais fácil de fazer contato durante as viagens.

Tecnologia

Investimentos em tecnologia e inovação cada vez são mais necessários, segundo a palestrante. ‘’Antigamente, o que a hotelaria deveria oferecer era uma boa cama, bom café-da-manhã e um bom chuveiro’’, disse.

Ela enfatizou que os investimentos em tecnologia vão desde a experiência de compras, com aplicativos para compras mais rápidas, responder aos questionamentos dos clientes em diversos canais de comunicação, vendas de alimentos, bebidas ou outros serviços por aplicativos ou pela televisão no apartamento, automatização da iluminação, fechadura magnética para abrir com o smartphone, robotização, fotografias e vídeos por drones, realidade virtual, etc.

‘’No final, o mais importante é o visitante vivenciar experiências’’, finalizou.

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