Artigo de Camila Storti, fundadora da Abissal – Capitalismo Saudável

Se a sua empresa utiliza somente indicadores financeiros para medir a ‘saúde’ de seus negócios, está na hora de rever seus conceitos! Em muito pouco tempo ela poderá apresentar indícios de declínio.

Isso porque a geração Z – nascida no final da década de 90 e principal grupo consumidor dos próximos anos – está cada vez mais ligada nos impactos causados pelos produtos que consomem, buscando sinergia de propósitos na sua decisão de compra.

Veja bem, não estamos falando apenas em reduzir os impactos negativos, estamos falando de ressignificar os negócios buscando promover impactos positivos para o mundo. Neste cenário atual (e futuro) surgem empresas mundo afora consolidando uma tendência que tem se mostrado cada vez mais forte.

Pode acreditar, esse movimento não é utopia. É realidade! E tem sido considerado como o norte mais viável para o futuro da humanidade. Um dos movimentos globais mais impactantes, no que tange a esta Nova Economia é o Sistema B. Se você ainda não ouviu falar sobre ele, e é um empresário micro, médio ou mega com certeza ouvirá. Isso porque, é cada vez mais óbvio e urgente que as soluções dos problemas globais, podem e devem extrapolar a responsabilidade governamental e serem endereçadas às empresas, que carregam em si o potencial de serem a vanguarda da mudança que queremos ver no mundo.

Então, vamos falar deste inteligente e necessário movimento, o Sistema B. Nascido na Pensilvânia, Filadélfia, em 2007, a sigla “B” vem de “Benefits”, e tem o objetivo de mensurar os impactos socioambientais de todo e qualquer negócio, com o mesmo rigor que fazem com seus indicadores financeiros, tornando-os melhores PARA o mundo, e não apenas DO mundo (como sempre rezou a cartilha do velho capitalismo competitivo e exclusivo).

Após medirem seu impacto, dentro do Sistema B, as empresas que atingem um grau de maturidade positivo (que é traduzido gratuitamente na ferramenta do B Impact Assessment, no www.bimpactassessment), com um mínimo de 80 pontos atingidos na plataforma – em uma escala de 200 pontos possíveis, podem iniciar o processo de certificação, visando se tornarem uma Empresa B Certificada (no caso de empresas já consolidas com mais de 1 ano de CNPJ), ou B Pendente (empresas ou startups com menos de 1 ano de existência/faturamento).

Atualmente, existem quase 3.000 Empresas B, em mais de 150 setores da economia e 70 países ao redor do mundo. No Brasil, são 5 mil empresas no pipeline da plataforma B e cerca de 150 empresas B certificadas, que somam um faturamento de mais de 10 bilhões de reais, e dessas, sete atuam no setor do turismo: a Vivejar, agência de viagens que atua em destinos não tradicionais, como vivências em tribos indígenas da Amazônia, Vale do Jequitinhonha, entre outros, com a proposta de oferecer experiências para o turista e para as comunidades tradicionais do Brasil, reconectando valores e aproximando realidades; a Alaya, uma agência de turismo localizada em Brotas/SP que oferece passeios e esportes radicais totalmente integrados à natureza; o Cambará Eco Hotel localizado em Cambará do Sul/RS, um hotel ecofriendly que desenvolve uma séries de atividades e processos que conectam o hóspede aos princípios de respeito a todas as formas de vida e ao ecossistema; a Aniyami Brazil, agência de viagens que oferece pacotes para estrangeiros em destinos tradicionais no Brasil como Natal, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu entre outros; a Raízes Desenvolvimento Sustentável, com escritórios em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro a empresa desenvolve projetos nas áreas de turismo sustentável, empreendedorismo e geração de renda, governança de redes, equidade de gênero e comunidades tradicionais; e a Campus B, empresa brasileira especializada em intercâmbio acadêmico para grupos de universitários, sejam eles brasileiros indo para o exterior, ou estrangeiros vindo para o Brasil. No mundo, cerca de 35 empresas de turismo são certificadas pelo Sistema B.

O Sistema B Brasil possui sede em São Paulo, mas está agora consolidando as Comunidades B Locais, que terão sede em cada estado. No primeiro semestre de 2019 já foram estabelecidas oficialmente as do Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Fortaleza. Também já está organizada a Comunidade B Local Goiás, que será oficializada no segundo semestre deste ano.

Outra grande e boa notícia é que a ONU – Organização das Nações Unidas, elegeu o BIA (B Impact Assessment, plataforma do Sistema B) para medir o impacto desta nova economia, rumo às metas para 2030 com os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, oficialmente, a partir de janeiro de 2020. Os ODS foram formalizados em 2015, por mais de 190 países, como prioridade global para combater as desigualdades sociais, a mudança climática e gerar dignidade para todas pessoas do planeta.

Além da ONU, a B3, Bolsa de Valores do Brasil, também irá adotar os parâmetros do Sistema B para qualificar as empresas do pregão eletrônico brasileiro, de acordo com seus impactos positivos em seus respectivos mercados. E essa tendência, de empresas melhores para o mundo, só faz sentido, porque o próprio jeito de consumir está mudando. O mercado está cada vez mais exigente em relação ao propósito de cada negócio ou produto, requerendo a transparência e a responsabilidade frente às externalidades sociais e ambientais geradas pelas empresas, exigindo que estas se comprometam efetivamente com soluções para um mundo mais inclusivo, equilibrado e sustentável.

  • Camila Storti é fundadora da Abissal – Capitalismo Saudável, uma empresa B goiana e membro do Conselho do Sistema B Brasil.