O sócio-fundador da Liberum Rating, Décio Bapttista, aborda a importância da classificação de risco e como o processo funciona. Ele ministrará um palestra sobre o tema no ADIT Invest 2019, que acontece em 06/08, em São Paulo/SP


Um investidor consciente é aquele que está atento – com um “olho no peixe e outro no gato”. Que sabe cuidar do seu dinheiro e não se deixa seduzir pela taxa. É assim que Décio Bapttista Santos, Sócio Fundador e Diretor Comercial da Liberum Rating, define um indivíduo disposto a aplicar um capital de forma correta.

“Ou você é muito rico e tem um Private Bank ou Family Office para cuidar de algumas coisas por você, ou o caminho é avaliar melhor e com calma os riscos de todo projeto. Se fosse fácil, todo mundo seria rico e iria morar em Maceió”, brinca o administrador de empresas fazendo menção ao escritório da ADIT que fica na capital alagoana. Décio atua há 8 anos no mercado nacional defendendo uma abordagem mais proativa no leque das agências de rating no país.

Na busca pela estabilidade econômica, empresas, governos e entidades têm investido em pesquisas de rating para conquistar um selo de qualidade. Aqueles que conseguem a nota de “bons pagadores” estão mais propensos a atrair investimentos tecnológicos, financeiros e alguns privilégios fiscais. O rating, no final das contas, atua para aquecer a economia.

“Uma agência de rating é responsável por avaliar se o tomador do dinheiro tem condições de pagar a quantia emprestada ou não. Ela classifica a probabilidade da empresa X devolver o dinheiro na data combinada previamente. No final das contas, é isso: as chances do tomador do recurso te devolver o valor confiado. Estudamos o conjunto de situações econômicas, financeiras e jurídicas para chegar a esse resultado.”

Confirmado na 14ª edição do ADIT Invest, que acontece no dia 6 de agosto, em São Paulo, Décio Bapttista vai ministrar a palestra “Rating: Como identificar o risco de um Projeto”. Em sua fala, ele pretende dar dicas aos investidores e a primeira delas ele já adiantou aqui: investir em Certificados de Recebíveis (CRI) – ou seja, ajudar a financiar o mercado imobiliário por meio de uma antecipação de créditos – tem se mostrado muito positivo.

“Quem opta por isso, está, na verdade, comprando um fluxo financeiro, de uma carteira ou contrato específico. Por exemplo, em um caso de built to suit com risco aceitável para a sua necessidade de retorno, todo mundo quer um Triple A com 300 de CDI (Certificados de Depósito Interbancário). Isso não existe. O investidor tem que optar pelo nível de risco mais confortável porque nem todas as operações vão ter baixo risco de crédito”, explica. Segundo ele, ao estar satisfeito com esses parâmetros, é preciso partir para a segunda etapa: analisar o rating da operação.

Décio Bapttista Santos

Documentação

Existe uma série de documentos que embasam a opinião do investidor para além do rating. Termo de securitização, Legal Opinion dos advogados, Certidão Ambiental e Matrícula do Imóvel são alguns exemplos. “Trata-se de um conjunto de coisas que levam o investidor a tomar a decisão de investir ou não. Vale, por exemplo, voltar 20 anos na matrícula do imóvel, checar se há fraude aos credores, tanto na venda atual, quanto nas anteriores e verificar a ausência de fatores que questionem a legitimidade do documento.” Bapttista chama atenção para a abrangência de um rating bem estruturado.

“No Legal Opinion dos advogados pode existir algum problema com ações trabalhistas, por exemplo. Se o trabalho de rating foi feito com a minúcia correta, esse caso vai estar atribuído à operação. Às vezes é uma ação de R$ 5 mil em uma operação de R$ 100 milhões. Ou seja, é irrelevante já que o patrimônio da empresa é grande. Se a ação é de R$ 2 milhões para uma operação de R$ 10 milhões, a coisa já muda. Isso tem impacto. Se a agência de rating não entregou parecer sobre isso, errou feio”, explica.

A polêmica sobre o fato das empresas serem responsáveis pela contratação e pagamento da agência que fará a sua própria classificação de risco é reacesa vez ou outra. Quanto à isso, a credibilidade e transparência é quesito fundamental no esclarecimento de qualquer questão. “Quem acha que o investidor pagando por isso vai fazer o conflito de interesses desaparecer está enganado. É querer se iludir. Existe um movimento na Europa onde os investidores realmente pagam pelo rating. Aqui no Brasil, se você me apresentar algum disposto a isso, eu repasso o que receber. Nunca vi ninguém. Qual o investidor que vai gastar o dinheiro de aplicar para contratar? É uma utopia e tem gente que acredita”, conta o diretor comercial.

Compliance

Nessa construção de confiabilidade no mercado, o Compliance é um aliado. Regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Compliance está ligado à integridade. É um conjunto de normas estabelecidas para proporcionar maior segurança e garantir que padrões éticos e regulamentos internos e externos sejam seguidos à risca. “Na Liberium temos um funcionário dedicado a isso. Seguimos as regras e mantemos a vontade de fazer o certo. Isso se mede com o tempo e a credibilidade oriunda disso. Para fazer o rating, eu pego todas as informações necessárias e caso elas estejam incompletas, não fazemos. A partir do momento que termino o trabalho, tenho total independência para dizer se sua nota é 3A ou 3C. A verdade é que o cliente real é o investidor, que precisa confiar no meu rating”, conclui.

Fonte: Comunicação ADIT Brasil