• Por Marina Barbosa

O mercado financeiro está de olho nas oportunidades que a propriedade compartilhada tem criado no Brasil. Por isso, está desenvolvendo novas formas de financiamento para esse negócio, sobretudo a partir do Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), e apresentou essas possibilidades no ADIT Share 2018, evento que acontece nos dias 18 e 19 de junho no Enotel Porto de Galinhas, em Pernambuco.

Abrindo o painel “Visão, apetite e barreiras do mercado financeiro para o setor”, a Fortesec Securitizadora disse que vê uma oportunidade tão grande neste negócio que já investiu mais de R$ 500 milhões em propriedades fracionadas. A empresa ainda anunciou que, segundo cálculos internos, as próximas aplicações podem chegar a R$ 1 bilhão. “Já colocamos quase R$ 600 milhões e ainda temos grandes investidores com apetite para esse negócio. Hoje, temos um apetite de R$ 1 bilhão para colocar nesse negócio específico”, revelou a diretora e sócia da Fortesec, Juliana Mello, concluindo que, com isso, a securitizadora pode financiar toda a obra dos novos resorts fracionados.

“O investidor vê esse segmento como algo disruptivo, que tem um potencial grande. Então, apesar de esse papel financeiro ser mais estruturado e difícil de entender, existem investidores interessados em explorar e desenvolver esse segmento”, confirmou o CEO da Hectare Capital, Marcus Castro, que também participou do debate no ADIT Share.

O painel ainda contou com a presença da XP Investimentos, que é uma das principais corretoras do Brasil, que também revelou interesse no setor de multipropriedade. “A XP acredita muito neste negócio e tem falado para o investidor que esta não é uma incorporação comum, é outro negócio”, afirmou o diretor da empresa, Vinícius Senger. Ele explicou que, apesar das altas taxas de crescimento, a propriedade fracionada ainda é pouco conhecida do mercado financeiro. Por isso, a XP tem tentado educar os seus investidores para poder conseguir novos contratos desse tipo.

“O investidor sempre analisa os riscos e o retorno. Por isso, em produtos novos como esse, temos que fazer um processo de educação para mitigar os riscos e oferecer o retorno que o investidor espera. Mas, à medida que ele entende a qualidade da carteira e o funcionando do business, temos tido sucesso em colocar papeis no segmento”, disse Vinícios Senger.

“Esse é o nosso desafio, buscar a excelência e o nível de informação que o mercado de capitais está acostumado a ver. Mas, até agora, temos tido sucesso. Afinal, hoje em dia, R$ 500 milhões é muito dinheiro em qualquer modalidade de investimento no Brasil”, concordou o diretor de gestão da Riviera Investimentos, André Barbieri, frisando que essas dúvidas sobre riscos e retornos também podem ser contornadas com uma possível uniformização do mercado.

Segundo os painelistas, para convencer os investidores a colocar dinheiro em negócios de multipropriedade, também é importante mostrar que as propriedades fracionadas têm sido entregues no Brasil e também funcionam em outros lugares do mundo.

Timeshare

Os painelistas do ADIT Share admitiram que os investidores que olham para este segmento ainda costumam ficar apenas nos negócios de multipropriedade. Por isso, as corretoras têm tentado criar boas possibilidades de aplicações em timeshare para poder expandir esse negócio. “O timeshare também é viável. Um bom projeto, bem feito, consegue ser viável. Por isso, estamos estruturando um papel que é de timeshare”, revelou Juliana Mello, da Fortesec Securitizadora.

  • A Revista Turismo Compartilhado cobre o ADIT Share 2018 a convite da ADIT Brasil

Veja mais fotos do evento em nosso Instagram: https://www.instagram.com/turismo_compartilhado/

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